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Tamburini
de tubos
O órgão tamburini de
tubos da Basílica do Carmo é o instrumento de maior recurso
harmônico e melódico instalado em Campinas, sendo considerado
entre os melhores de todo o interior paulista. Foi adquirido em
1953 pelo Monsenhor Lázaro Mütschelle. Com dois teclados e
aproximadamente 24 registros, o instrumento emite 24 timbres
diferentes, que podem ser usados sozinhos ou combinados entre
si. Possui ainda 1335 tubos e 32 pedaleiras. Está avaliado em R$
600 mil.
Um exemplar como
esse é comum na catedrais da Europa. De acordo com Júlio
Amstalden, diretor artístico da série Concertos Carmo de Música
Erudita e Mestre em Artes pela Universidade Estadual de São
Paulo (UNESP), como qualquer outro instrumento, o órgão de tubos
requer manutenção e uso constantes.
O instrumento é
pouco conhecido do público brasileiro. Júlio conta que, até
1960, a liturgia da igreja era executada no órgão. Mais tarde, o
Vaticano postulou que cada país celebrasse de acordo com seus
códigos culturais, usando sua própria língua e música.
Foi na Grécia, em 3
a.C. que surgiu o primeiro órgão. Mas somente a partir do século
16 é que o instrumento passou a ser bastante explorado pelos
compositores da época. Das mais de 200 peças do compositor para
órgão de tubos, 141 são, comprovadamente, prelúdios corais.
Outros compositores
como o italiano Frescobaldi, o francês François Coperin e o
alemão Buxtehude também exploraram o instrumento, conforme
aponta Edmundo Hora, professor de cravo e música do Instituto de
Artes da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e
especialista em instrumentos antigos.
Hora também lembra
que padre José Maurício foi um dos compositores brasileiros que
se rendeu ao lirismo e colorido desse "instrumento de sopro". Em
Campinas, o padre Penalva também se utilizou do instrumento para
compor suas obras.
Concertos
gratuitos na Basílica do Carmo
reúnem
público eclético
Dramaticidade.
Delicadeza. Lirismo. Grandiosidade. Características comuns a
muitos instrumentos musicais, mas que são combinadas na medida
certa quando se trata do som que vem de um órgão de tubos. A
série Concertos Carmo de Música Erudita, projeto musical
gratuito realizado na Basílica do Carmo, no centro de Campinas,
reúne essas e outras preciosidades sonoras.
O designer gráfico
Marcos Valério dos Santos freqüenta os concertos desde a 1ª
edição (1999). A descoberta do projeto foi por meio de um amigo.
"O que mais gosto de ouvir são as obras de Bach e Telemann",
destaca o designer, que nesses seis anos desenvolveu um apreço
maior pela música erudita.
Mas não são somente
os campineiros que freqüentam os concertos. Vindo de Poços de
Caldas, o aposentado Antônio Pereira da Silva, 71 anos, enfrenta
duas horas e trinta minutos de ônibus para assistir aos
concertos da Basílica que ora lhe chamam atenção pelo
repertório, em outras pelo organista convidado. Sócio da
Associação Brasileira de Organistas e estudante de música, o
aposentado conta que sempre se mantém informado sobre
apresentações. Entre os organistas que ele elenca como ilustre
apreciador, estão Júlio Amstalden, Josinei Godinho e Kenny
Simões.
Repertório variado
A série Concertos
Carmo de Música Erudita está na terceira edição. Financiado pela
Petrobrás, a primeira versão foi em 1999, como resultado de um
projeto de revitalização da área central de Campinas e após o
restauro do órgão de tubos da Basílica, até então em desuso.
Segundo Júlio
Amstalden, diretor artístico do projeto, nessas três edições, os
recitais contemplam obras do repertório brasileiro, do barroco
alemão e italiano, música contemporânea francesa e alemã e do
romantismo alemão. Elisa Frecho, Dorotea Kerr, Josinei Godinho e
Benedito Rosa são alguns dos organistas de destaque que passaram
pelo projeto ao longo dessas três edições.
Fonte: Ver et Ouvir nº 3
- junho 2005 - págs. 4 e 5
(publicação da Secretaria de
Cultura de Campinas)
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