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Assembléia Paroquial
Rumo ao 7º. Plano (29/07/09)
Realidade
Vivemos
uma realidade que escapa cada vez mais às possibilidades de
planejamento. Isso não invalida o planejamento, pelo contrário o
exige, chamando a atenção para metas de logo alcance, fixando-se em
atividades cotidianas viáveis. Ele não pode se transformar em camisa
de força, mas nos abriga a caminhar na direção de metas comuns
definidas dentro de um quadro de referência histórico. E num lugar
preciso, no caso Campinas, situada como centro de referência de uma
região metropolitana que abrange 19 municípios, dos quais 8
pertencem ao território da Diocese. Levar em conta as marcas da
realidade apresentada tanto no documento de Aparecida, quanto nas
D.G.A.E. , e ao mesmo tempo ter o olhar atento para as
peculiaridades locais, explicitadas na Carta Pastoral de D.Bruno.
Falar da
região metropolitana de Campinas é nomear a desigualdade que tende a
se acentuar. A medida desta acentuação é dada pelo fenômeno da
exclusão. Ao desemprego acentuado soma-se flexibilização do processo
de trabalho (trabalhadores treinados para trabalhar em equipe
acumulando funções diversificadas, cada um podendo substituir o
outro). A fragmentação do processo produtivo, em escala mundial,
realidade que dificulta a união dos trabalhadores nas lutas
coletivas. A solidariedade desaparece e o mundo do trabalho torna-se
o campo no qual cada um luta para sobreviver. Somando a isto o
processo de trabalho que já não confere mais a identidade, esta é
conferida pela capacidade de consumo ligada ao nível de renda.
A
sociedade funciona como rede , como fluxo nas cidades, sobretudo nas
metrópoles, seu centro nervoso. O pano de fundo para pensar a região
metropolitana e particularmente a cidade é o processo de
globalização, uma rede produtiva na qual a própria cultura se
transforma em mercadoria. É a forma organizacional tanto do mundo
formal, o mundo da produção, das finanças, da cultura, da mídia, da
lei, quanto do mundo informal (o crime organizado é o melhor
exemplo). A cultura do consumo constitui a cultura da globalização,
com caráter individualista e se funda não no ser, mas no ter,
importa mais a imagem do que a realidade.
A cidade
revela-se como local apropriado para pensar a dinâmica social. Nela
evidenciam-se as contradições de um mundo sem território, são um elo
numa sociedade que funciona como uma rede de fluxos. Sua dinâmica
escapa aos planejadores urbanos e aparentemente à nossa capacidade
de ação.
O
individualismo atinge de maneira especial o campo religioso. A
dinâmica da realidade escapa a qualquer possibilidade de previsão,
atropela os melhores propósitos de intervenção numa realidade
complexa e em mudanças contínuas, cuja marca é a aceleração.
O
laicato: consciente livre e responsável, dentro de sua vocação
batismal, organizado.
As
novas gerações: como transmitir a fé em uma nova época ?
O
presbitério: adepto de um estilo de vida bastante afinado com a
mentalidade pós moderna.
Os
pobres: como tornar efetiva a presença da igreja junto a eles ?
Campinas: precisamos trabalhar de forma paciente, dedicada,
generosa fundada na Palavra e na Eucaristia, para mudar a forma de
presença na Igreja e no mundo.
Metodologia
A Igreja
não tem necessidade de uma reforma, mas de uma contínua
reforma. O amanhã, ou será conseqüência do hoje ou não passará de
uma mera repetição do passado.
O bloco
Metodologia não quer projetar a ação pastoral da Igreja , mas
iluminar o processo de construção dessa ação pastoral.
Um novo
Plano de Pastoral não nega nem aposenta os Planos anteriores. Ao
contrário, os reconhece e os assume por uma perspectiva de
continuidade de caminho da Igreja para dar um novo impulso à
evangelização da cidade (DA 9,16).
Objetivo Geral - é o que se quer alcançar, esclarecendo o ideal
de homem e de sociedade ao qual se dirige a atividade pastoral.
Objetivos específicos - são ações concretas que ajudam a
alcançar o Objetivo Geral. Deverão ser claros,compreensíveis,
realizáveis, oportunos, concretos e avaliáveis (Orfano, 2004).
Planejamento Participativo - é um processo que deve envolver o
maior número possível de pessoas e grupos, onde todos são convidados
a opinar e decidir.
A Igreja
tem serviços permanentes a prestar no mundo em contínua
transformação. Ela tem estruturas estáveis que precisam adequar-se
constantemente à realidade do momento, tornado-se presença dinâmica
e transformadora.
Fundamentos do método de Planejamento Participativo -
intervenção de todos, discernimento comunitário, criatividade,
decisão compartilhada e co-responsabilidade, sendo mais importante
privilegiar o processo que implica a participação de todos.
Condições prévias e os passos preparatórios de um Planejamento
Participativo em busca de uma Igreja aberta e criativa:
a)
Adesão a uma eclesiologia de comunhão e participação – é o ponto
de partida e de chegada de um processo participativo, pois implica
crer na força de participação de todos.
b)
Disposição para o diálogo maduro – onde as diferenças são
respeitadas, o conflito positivo acontece como parte do processo de
discernimento, isenta de paixões e preconceitos, com postura de
serenidade e sinceridade.
c)
Compromisso pessoal com as consequências do processo – por ser
participativo e as decisões dependerem do envolvimento de cada um,
esse processo é sempre imprevisível, aberto ao novo. Só é possível
caminhar nesta direção com disposição de deixar-se surpreender pela
novidade permanente dos caminhos do Espírito Santo.
d)
Caminhar no ritmo dos participantes do processo – os frutos
dependem da paciência das sementes, sem devido tempo de maturação,
só colhemos frutos chochos.
e)
Vinculação da comunidade – todos se envolvem, e as decisões
relativas à prática devem ser conhecidas: método “Ver, Iluminar
(Julgar) e Agir".
Ação Pastoral
Não
diferente de muitas cidades em nosso país, e em toda a América
Latina, a cidade de Campinas cresceu demasiadamente, atingindo cerca
de 1,2 milhões de habitantes.
Campinas
possui um dos maiores pólos tecnológico-científicos do Brasil,
tecnologia, informática, telecomunicações etc.
Nossa
Região possui investimento estatal na área petrolífera e muitas
empresas multinacionais na área química e de medicamentos.
Desde a
década de sessenta, milhares de homens e mulheres migram para nossa
região em busca de melhores condições de trabalho, moradia, educação
e sustento familiar. O sonho da “terra prometida onde corre leite e
mel” parece encantar a todos.
A
violência é fruto das desigualdades sociais e também fruto de um
sistema educacional, penal e de segurança já há muito tempo falido e
que marca nossa região.
Outra
crise que vivemos é a ecológica. Nossas fontes de energia não são
renováveis e a cada dia cresce o número de automóveis que circulam
pelas nossas ruas, além da poluição dos rios etc.
Mesmo
possuindo ótimas instituições de ensino, ainda é incontável o número
de pessoas que foram alfabetizadas ou que são considerados
“analfabetos funcionais”.
A falta
de educação básica gera um crescimento demográfico desorganizado,
aumentando o índice de gravidez na adolescência, desintegração dos
valores sociais
Os
relacionamentos sociais não são mais pessoais. Não se pensa mais no
coletivo, mas no individual. Por isso se tornou muito mais prazeroso
fundar uma “comunidade virtual” de relacionamentos do que viver em
comunidades a partir das relações pessoais.
Como a Igreja tem agido no mundo urbano?
Cerca de
70% das pessoas vivem dentro dessa realidade urbana. Seguimos a
lógica das cidades, no isolando, muitas vezes, em nossas
comunidades. O sentido da vida comunitária está se esvaziando e
sendo preenchido pelo individualismo e pelo sentimentalismo
exagerado. Os shoppings centers submetem a realidade do divino e
“consumir é estar bem com Deus”.
Nossas
paróquias ainda não encontraram uma metodologia de participação que
contemple o exercício dos dons de cada leigo e leiga. É necessária
uma participação efetiva e afetiva. Muitos médicos, advogados,
dentistas etc., preferem doar um pouco de seu conhecimento
profissional dentro de ONG´s, enquanto nossas comunidades carecem de
um atendimento pastoral que englobe também as qualificações
profissionais de cada pessoa.
O
compromisso do leigo e da leiga passa a ser o que sempre deveria ter
sido de fato: a presença profética e missionária dentro e fora da
Igreja. Cresce, portanto, a urgência de se formar
discípulo-missionário para a construção de uma civilização do amor
com base no Evangelho.
Dentro
da dinâmica da pastoral urbana não caberia mais o modelo de Padre
anterior ao Concílio Vaticano II. Um sacerdote distante do povo,
autoritário e muito apegado à liturgia em detrimento a outras
dimensões da Igreja, e pouco preocupado com a ação pastoral.
Existe
uma tentação de priorizar as questões econômicas no trabalho de
muitos padres. A falta de zelo pastoral e administrativo tem sido o
objeto de altas discussões entre leigos e padres.
Na
maioria das vezes os padres passam a maior parte do seu tempo
resolvendo questões administrativas das paróquias e a menor parte de
seu tempo passa para o acompanhamento das pastorais, sem tempo para
cultivar a espiritualidade.
O
crescente número de padres midiáticos (cantores, apresentadores de
TV, rádio etc.) tem criado em muitos jovens o desejo de ser padre
para desenvolver um trabalho semelhante a este. Contudo, sabemos que
vocação à vida presbiteral está fundamentada na pessoa de Jesus
Cristo e nosso serviço ao povo.
Atualmente existem 82 paróquias, 519 comunidades e 18 capelas na
Arquidiocese de Campinas. Muitas vezes pensamos que quantidade é
sinônimo de qualidade. Triste engano! Nossas comunidades devem
aprender que a quantidade é boa sim, mas se não se tem boa acolhida
e formação dos membros, não teremos de fato uma comunidade atuante
pastoralmente.
Por
isso, deveríamos investir em criar mais comunidades a partir de
grupos de vivência que atuam nos bairros e que vivem os problemas
que lá ocorrem. Uma comunidade deve brotar de uma experiência
profunda de Jesus Cristo, de amizade, oração, compromisso e
responsabilidade de um grupo de pessoas que se conhecem, formando
assim uma nova família.
Diretrizes da Ação Pastoral
“A
Igreja peregrina é missionária. “Esta firme decisão missionária deve
impregnar todas as estruturas eclesiais e todos os planos pastorais
de dioceses, paróquias”. A conversão pastoral desperta a capacidade
de submeter tudo ao serviço da instauração do Reino da Vida, que
implica:
-
escutar com atenção e discernir “o que o Espírito está dizendo às
Igrejas” (Ap 2, 29);
-
viver
e promover uma espiritualidade de comunhão e participação;
-
ser
comunidade de discípulos missionários ao redor de Jesus Cristo,
Mestre e Pastor;
-
ir
além de uma pastoral de mera conservação para uma pastoral
decididamente missionária.
O
projeto pastoral da Diocese seja elaborado com “indicações
programáticas concretas, objetivos e métodos de trabalho, formação e
valorização de agentes e a procura de meios necessários que permitam
que o anúncio de Cristo chegue às pessoas, modele as comunidades e
incida profundamente na sociedade e na cultura mediante o testemunho
dos valores evangélicos”.
As
atuais Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora dá as pistas de ação
para a missão evangelizadora nos âmbitos da pessoa, da comunidade e
da sociedade:
-
Para a pessoa:
-
Acolhimento de todos e visitação;
-
Acompanhamento das crianças, jovens, idosos e das mulheres;
-
Defesa
e proteção à família, com preparação ao matrimônio e acolhida aos
casais em segunda-união;
-
Presença nos locais de trabalho e moradia: Atenção ao migrantes;
aos excluídos.
-
Para a comunidade:
-
Para a sociedade:
-
Empenho por uma cultura da vida e da austeridade e simplicidade;
-
Apoio
a políticas públicas de inclusão e criação de emprego;
-
Combate à corrupção e a impunidade.
A
proposta do nosso Arcebispo é clara e urgente. É preciso estarmos
atentos ao que importa e nos une, dando prioridade à nossa realidade
urbana e os desafios apresentados por ela para a nossa Igreja local.
Assim “queremos ser Igreja Missionária da caridade com Amor-Serviço,
na qual a Palavra nos impele à missão profética. Queremos ser Igreja
da fé através da sagrada liturgia dos sacramentos, mormente a
Eucaristia que nos une em comunhão impelindo-nos à santidade.
Queremos ser Igreja solidária do amor-serviço, do empenho na
promoção da vida, da solidariedade”.
Eclesiologia
Anunciar
o Reino de Deus é anunciar a salvação; a salvação é realidade
comunitária e a Igreja é, portanto, comunidade de salvação a serviço
do Reino (cf. LG). Jesus, Reino e Igreja são realidades
inseparáveis. No entanto, estamos enfrentando uma época
anti-eclesial, na qual a tentação é ser cristão sem Igreja. Isto é
engano, pois o encontro com Cristo leva à comunidade que guarda sua
memória e é a única autorizada a dizer quem Ele é, pois a Igreja que
escreveu os Evangelhos é quem sabe vivê-lo e anunciá-lo. A Igreja é
mistério que brota da Trindade: “o Pai a projetou, o Filho a
construiu e o Espírito Santo a administra” (Dom Tepe). Para quem
teve realmente um encontro com Jesus Cristo, ser Igreja não é
qualquer coisa, mas é vocação, é convocação. Aliás a palavra Igreja
quer dizer isto mesmo: assembléia convocada e reunida.
Este
sentimento anti-eclesial é fruto de uma crise maior que estamos
atravessando, a crise anti-comunitária. Nossa época rejeita o que é
comunitário. O individualismo invadiu nossa cultura. Devido a isto
estamos em um momento singular para a Igreja. É um momento que exige
dela mais que mudanças, uma transformação. Transformação na sua
maneira de se articular e exercer sua missão. Um exemplo disso é a
necessidade de transformação das paróquias que não conseguem formar
verdadeiras comunidades de fé e convivência evangélica.
Há um
embate entre dois “modelos” de Igreja. Um modelo é de configuração
tridentina que favorece uma vivência eclesial mais estruturada,
individualista. Favorece uma espiritualidade intimista. Outro modelo
brota do Vaticano II, centralidade da palavra de Deus, atenção à
realidade, à pessoa humana, aos sinais da História, às questões de
justiça e da vida. Favorece uma espiritualidade encarnada (modelo
contemplado na A.L., de Medellín à Aparecida, indicando uma Igreja
preocupada em:
a) opção
pelos pobres;
b) ver
crítico, julgar teológico-bíblico e
c) agir
pastoral.
Temos
então a “grosso modo” dois caminhos ou duas vertentes para articular
a atuação-organização da Igreja. As divergências não se situam na
discussão eclesiológica sobre a Igreja em si, mas sobre a maneira de
viver, articular e trabalhar como Igreja.
Seria
bom perguntar se há uma compreensão clara do que é Igreja e o que
implica na vida de cada um fazer parte dela. Constatou-se que há uma
privatização da fé. Eu recebo a fé da Igreja, mas vivo como quero.
Onde
fica a comunidade como compromisso de fé e vida? Constatou-se que
sem compreender o que é Igreja, existe um conflito na hora de
exercer a pastoral, pois cada um parte de uma visão muito diferente
de Igreja. Assim, na Arquidiocese temos muito trabalho, muita
riqueza e também muito conflito, dado que se constroem muitos
projetos eclesiais ao mesmo tempo, com a conseqüente impossibilidade
de uma pastoral orgânica ou de conjunto.
Não se
trata de imposição de pensamento único, mas na unidade (no objetivo,
rumo ou vertente), na pluralidade (atuação eclesial e pastoral). Se
todos estão caminhando para o mesmo rumo, de acordo no objetivo ou
projeto pastoral eclesial, por que não pode haver colaboração e
harmonia na aplicação do projeto? Aqui constatou-se a necessidade de
uma conversão para a união. Sem esta conversão tudo cai na
fragmentação (cada um por si).
A
pergunta é: como uma Igreja dividida na maneira de ver a si mesma e
disputando qual é “a verdadeira Igreja”, poderá servir o Reino,
servir os pobres? E pensar que a Igreja é mais verdadeira quanto
mais ela é parecida com Jesus: “Que todos sejam um ...” (Jo 17, 11).
Conversão para o espírito de serviço sem o qual não há comunhão nem
participação e muito menos colegialidade, responsabilidade e nem a
liberdade dos filhos de Deus. Alguém resumiu: conversão ao amor pois
“só é livre quem ama” (Teresa de Calcutá).
A
capacidade de diálogo no interior de nossa Igreja tem diminuído,
quando existe é diálogo difícil: todos ouvem e cada um continua
fazendo o que quer ou o que gosta. Sem este diálogo interno a Igreja
será missionária, mas de missão fragmentada, dificilmente feita em
conjunto, como ação da Igreja. Sem diálogo estabelece-se distância
entre o discurso e a prática, a perda maior é do trabalho pastoral.
Para que nossa Igreja elabore um plano de pastoral que seja levado a
sério, é preciso restaurar o espírito de diálogo em todos os
níveis. Alguém disse: “A falta de diálogo verdadeiro e construtivo
está entorpecendo nossa Igreja”.
A Igreja
que projetamos em nossas reflexões é aquilo que diz o documento da
Aparecida e D. Bruno exprimiu em sua carta (n.36). Uma Igreja
discípula e missionária da caridade como amor-serviço-solidário que
brota da Palavra e da Eucaristia. Serviço ao Reino na defesa da vida
na perspectiva da evangélica opção pelos pobres.
Igreja
como “família de Deus” (Ef 2,19), família como “Igreja doméstica” (LG
11). Nesta crise em relação à comunidade, a família aparece como
comunidade primeira que pode ajudar a resgatar o sentido comunitário
da Igreja. Família compreendida não no sentido burguês, mas como
unidade de pessoas que vivem e convivem. Ter a família como um
objetivo pastoral ou prioridade de ação pastoral seria bom para
resgatar o sentido de comunidade eclesial. Se queremos ser Igreja
solidária, temos que admitir que solidariedade se aprende na
família.
Liturgia
A
Liturgia é um serviço, uma ação sagrada:
1)
É ação de Deus que se mantém fiel à Aliança que fez com seu
povo, que nos liberta, nos transforma e nos santifica.
2)
É ação com Jesus que se faz servidor de todos e este serviço
encontra sua plenitude na doação total de sua vida na cruz. Deste
modo, a grande liturgia que Jesus realizou foi a entrega da própria
vida, e assim Ele glorificou o Pai.
3)
É também ação dos cristãos. Todos nós que fomos batizados em
Jesus Cristo formamos um povo sacerdotal e somos chamados a prestar
culto a Deus, colaborando com Ele na transformação da vida da
história.
É na
Liturgia que celebramos o Mistério Pascal, encontramos o Senhor e
penetramos mais intimamente nos mistérios do Reino.
A
Liturgia é ação de Cristo Cabeça e de seu Corpo que é a Igreja.
Podemos
falar em uma Liturgia vivida na ação, doação dos irmãos, isto
é, o serviço da salvação pela vivência no Evangelho, pelo anúncio do
Evangelho e toda a ação da Igreja, que inclui as boas ações de
qualquer ser humano, na boa vontade e promoção do bem.
Podemos
falar também de uma Liturgia ritual, celebrada com gestos,
palavras, silêncio, cânticos, sinais, símbolos, através da qual a
obra salvadora de Cristo se faz presente na vida dos cristãos.
E o que precisa ter o rito determinado pela Igreja?
4)
Precisa ter o “rosto” da comunidade que celebra, pois esta se situa
historicamente.
5)
Precisa adaptar-se ao gênio das diversas culturas e encarnar-se
nele. É o que chamamos inculturação litúrgica.
Importância da Ação Celebrativa
A
celebração Litúrgica é:
6)
Ação da comunidade de fé, dirigida ao Pai, por meio de Jesus Cristo,
na força do Espírito Santo.
7)
Ação memorial (lembrança + atualização) da Páscoa de Cristo na
páscoa do povo. Consequentemente, a celebração encerra as dores,
alegrias, tristezas da vida da comunidade, da vida do mundo.
Quando
celebramos, nos comprometemos com Deus e com os irmãos a viver o
nosso batismo na construção da utopia do Reino, que se concretiza
num mundo justo e fraterno, com vida para todos.
Na
Assembléia Litúrgica experimentamos a Santíssima Trindade no seu
Templo que somos nós.
Por ser
a Liturgia “cume e fonte de vida da Igreja, ponto alto da vida dos
cristãos”, há a necessidade de se ter uma Pastoral Litúrgica e uma
Equipe de Liturgia que entre outras coisas estará a serviço da
comunidade, preparando as celebrações e promovendo a interação entre
celebração e vida, auxiliando para que toda a assembléia participe,
vivenciando o rito celebrado.
8)
A ação celebrativa da Igreja encontra seu fundamento na Eucaristia,
Memorial da Páscoa de Cristo.
Espiritualidade Encarnada
1) A
vida espiritual é a vida no Espírito Santo, que nos orienta para a
pessoa de Cristo.
2) A
espiritualidade cristã, na sua essência, é seguimento de Cristo,
leva ao encontro de Jesus na sua integralidade.
3) A
espiritualidade é o conjunto de inspirações e de convicções que
anima o cristão na sua relação com o Deus Trindade. É também o
conjunto de atitudes e de comportamentos sociais que nascem desta
relação.
4) A
espiritualidade quebra a relação de posse das coisas e das pessoas
para estabelecer uma relação de comunhão com elas e é algo que
abrange toda a vida da pessoa.
5) A
espiritualidade do leigo é, portanto, espiritualidade encarnada: uma
espiritualidade a ser vivida em seu cotidiano, no mundo.
6) Em
Jesus, a Palavra de Deus entrou na história, adquiriu um rosto,
assumiu um povo, um país, uma cultura, uma família, num contexto
sócio-político-econômico-religioso determinado.
7) O
Verbo se encarnou pelo poder do Espírito Santo, no seio da Virgem
Maria. O Espírito trabalha em nós para nossa humanização, para nossa
encarnação na realidade, para sermos abertos e disponíveis, a fim de
viver o amor e a solidariedade concretos. Pois Deus age na história
através de pessoas concretas.
8) Uma
espiritualidade de encarnação nos torna mais sensíveis às dores e
alegrias de toda a humanidade e dos pobres de maneira especial (Gaudium
et Spes 1).
9) Pelo
mistério da encarnação toma-se consciência da dignidade e do valor
de cada pessoa humana, das necessidades básicas para terem uma vida
de acordo com o projeto de Deus. É na nossa história que vivemos a
espiritualidade encarnada.
10) A
conferência de Aparecida afirma: “Não podemos rebaixar a
espiritualidade popular ou considerá-la um modo secundário de vida
cristã, porque seria esquecer o primado da ação do Espírito e a
iniciativa gratuita do amor de Deus”.
11) O
ecumenismo e a abertura a todos os que procuram a Deus de coração
sincero é característica da espiritualidade cristã atual.
Propostas para Elaboração do 7º P.P.O.
1.
Prestar atenção à realidade urbana hoje.
2.
Promover o ecumenismo, o diálogo inter-religioso.
3.
Fortalecer / Concretizar / Efetivar a opção preferencial pelos
jovens.
4.
Investir na formação de pequenas comunidades.
5. Dar
testemunho de modo profético e transformador da realidade.
6.
Respeitar as devoções populares.
7.
Desenvolver uma espiritualidade encarnada que faça a ligação
fé-vida.
8.
Sensibilidade para a questão ecológica.
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