Minha avó paterna sempre contava que meu pai, quando pequeno,
queria ser padre. Chegando o dia da despedida dois cavalos
esperavam o vocacionado de malas prontas, para ir ao seminário.
As vizinhas se reuniram para ajudar no que fosse necessário.
Meu
pai ficou apavorado com as preocupações das mulheres: Se o
menino adoecer, quem será por ele? E se ficar com saudades,
poderá voltar para casa? No Seminário, quem vai fazer de pai e
de mãe? Não vai viver sozinho, como cachorro sem dono? Será que
se acostuma à comida feita em grande quantidade, como aos
soldados no quartel? E assim por diante.
Quando chegou a hora de partir, meu pai já estava escondido no
mato e só voltou para casa na escuridão da noite. Assim não
ficou padre. Mas sempre se dedicou à comunidade e às vocações
sacerdotais e religiosas.
Aliás, vocação naquele tempo, era sinônimo de padre, irmã
religiosa e irmão religioso. Foi o Concílio Ecumênico Vaticano
II que mudou a mentalidade. Meu pai ficaria admirado se lesse a
orientação sobre o “Mês Vocacional”, no Diretório da Liturgia de
2010. O mês de agosto, conforme o costume da Igreja no Brasil, é
dedicado à oração, reflexão e ação nas comunidades sobre o tema
das vocações. Por isso, lembra-se:
1ª semana: vocação para ministério ordenado: diáconos,
padres e bispos;
2ª semana: vocação para a vida em família (atenção especial
aos pais);
3ª semana: vocação para a vida consagrada: religiosos(as) e
consagrados(as) seculares;
4ª semana: vocação para os ministérios e serviços na
comunidade.
Muito oportuna a admoestação do apóstolo Pedro a todas as
vocações: “Por isso, irmãos, esforçai-vos por consolidar vossa
vocação e eleição. Se agirdes assim, não tropeçareis” (2 Pd 1,
10).
E o
apóstolo Paulo, depois de chamar a atenção de que “cada um de
nós recebeu a graça na medida do dom de Cristo, explica: “A uns
nomeou apóstolos, a outros profetas, evangelistas, pastores e
mestres para a formação dos consagrados na obra confiada, para
construir o corpo de Cristo” (Ef 4, 11-12).
Aproveitemos o “Mês Vocacional” para refletir sobre as diversas
vocações na Igreja, apoiar as pessoas vocacionadas e orar pela
sua perseverança.