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Palavra do

Arcebispo Metropolitano de Campinas

Dom Bruno Gamberini

 

 

 

 

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Aparecida: Mãe do Menino Jesus

Semana da Vida: um Clamor de Esperança

 

 

APARECIDA: MÃE DO MENINO JESUS

(12/10/2007)

 

Em 1717 o Brasil tinha uma população negra maior que a população branca. Os negros eram escravos. A pequena imagem negra de Nossa Senhora da Conceição, que os pobres pescadores pescaram no Rio Paraíba, e que se tornou objeto de devoção popular, se transformou em símbolo. Símbolo da escolha que Deus faz dos humildes, símbolo da bênção de Deus que vem através desta mulher Maria, e símbolo de uma Nação reunida em torno da mãe para construir um futuro de justiça e paz.

 

A reunião não é na Casa Grande dos senhores e nem na Senzala dos escravos, é na casa da Mãe Maria Aparecida, para onde os romeiros de todo o Brasil se dirigem ou fisicamente ou espiritualmente, para ouvir da mãe Aparecida: “Fazei tudo o que Jesus disser”. A partir da fé na Senhora Aparecida, gerações de brasileiros auriram forças para vencer a dor, o medo, a angústia e, sobretudo, a desesperança.

 

Em primeiro lugar entre os justos, os santos de Deus, está Maria, a mãe de Jesus, a primeira que acreditou nele quando o Anjo o anunciou (Mt 2,1; Mc 3,32; Lc 2,48; Jo 19,25). É, portanto, com a Bíblia na mão que louvamos Maria, chamando-a de bem-aventurada. Nós cristãos católicos veneramos Maria porque Deus a escolheu para ser a mãe de seu filho Jesus, nosso único redentor e salvador. Só a Deus adoramos, a Maria nós veneramos.

 

O culto a Maria está fundado na Palavra de Deus, que afirma: “Isabel, cheia do Espírito Santo exclamou: bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre... Bem-aventurada aquela que acreditou, porque vai acontecer o que o Senhor lhe prometeu” (Lc 1,41-42;45). Se o Espírito Santo inspira Isabel para reconhecer Maria como Bem-aventurada, recusar fazê-lo não seria contradizer a inspiração do Espírito de Deus? Este culto de veneração toda especial a Maria se justifica porque Maria é saudada como “a Mãe do meu Senhor” (Lc 1, 43).

 

Para Maria damos inúmeros títulos: Nossa Senhora das Graças, de Lourdes, Aparecida, de Fátima, do Carmo, da Penha. Mas é sempre a mesma Maria de Nazaré, que a Bíblia nos apresenta toda de Deus (Lc 1,38); toda do povo (Lc 1, 39.52-53.56); orando com a Igreja  (At 1,14). Foi Jesus que morrendo na cruz entregou sua mãe à Igreja na pessoa do discípulo João, que junto com Maria estava aos pés da cruz: “Eis aí tua mãe” (Jo 19,27). E o discípulo a levou para sua casa. A casa do discípulo, nós sabemos, é a Igreja. Maria é, presença materna na comunidade dos que acreditam em Jesus. Nossa Igreja não é órfã de mãe.

 

E o que dizer do uso de imagens? Deus parece, mas não é incoerente, já que num lugar da Bíblia manda fazer imagens e noutro lugar o teria proibido. A imagem, hoje mais do que nunca, faz parte da linguagem humana, é representação de pessoa, coisa, idéia. A Bíblia fala de imagens algumas vezes para denunciar a idolatria do poder e do dinheiro, estes sim verdadeiros ídolos. Outras vezes para mostrar o quanto a imagem é necessária para entendermos, por meio do Filho, o próprio Pai: “Ele (Jesus) é a imagem do Deus invisível...” (Cl. 1,15). Quem por primeiro fez imagem na Bíblia foi Deus que modelou o homem do barro e o criou à sua imagem.

 

Nosso Brasil é um Estado laico, não tem religião oficial, mas o povo não é sem religião, pelo contrário. Neste sentido, à medida que o Estado está serviço do povo, não deve impedir as manifestações religiosas, assim, justifica-se o feriado deste dia de Nossa Senhora Aparecida, para que nosso povo, que é majoritariamente cristão católico, possa vivenciar o dia de sua padroeira.

 

Este dia é também dia da criança. Desejamos lembrar este fato em nossas celebrações. A grandeza de Maria está em ser a “mãe do menino Jesus”. Criança não é problema: é solução. Todo o debate sobre a legalização do aborto em nossa sociedade está se tornando, no fundo, o debate sobre matar os inocentes antes ou depois de nascer. Visto que muitas mães levadas pelo desespero de uma sociedade sócio-economicamente injusta, estão entregando seus filhos recém-nascidos à morte. Certamente haverá uma misericórdia de Deus para estas mães, visto que são vítimas também.

 

A mãe Aparecida nos diz que o caminho não é a morte, mas a vida. Que em nossa sociedade, as forças a favor da vida de nossa querida Campinas, se mobilizem com Maria, a Mãe de Jesus, em favor da vida sempre. E as bênçãos do Deus da vida, continuem a  vir sobre nós cada dia.

 

Dom Bruno Gamberini

Arcebispo Metropolitano de Campinas

 

 

 

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Semana da Vida

Um Clamor de Esperança

 

Campinas, 25 de setembro de 2007.

 

Há mais de 12 anos, exatamente no dia 25 de março de 1995, na Solenidade da Anunciação do Senhor, o Papa João Paulo II publicava a Carta Encíclica Evangelium Vitae (O Evangelho da Vida), face à crescente “multiplicação e agravamento das ameaças à vida das pessoas e dos povos, sobretudo quando ela é débil e indefesa” (cf. EV, 4).

 

A Arquidiocese de Campinas, fiel ao mandamento deixado por Jesus de Nazaré, o Cristo, Deus da Vida, vê com perplexidade a cultura de morte se alastrando e a passividade com que a sociedade assiste e aceita a imposição dessa criminosa intenção.

 

Por isso, reafirma sua posição pelo direito natural à Vida, conclamando a todos para assumirem em Comunhão e Co-responsabilidade a Semana Nacional da Vida, de 1º a 08 de outubro, e o Dia do Nascituro, aprovado pela 43ª Assembléia Geral dos Bispos do Brasil - CNBB, em 2005. Essa Semana da Vida quer ser um Clamor de Esperança no seio da sociedade que caminha contra os valores do Reino e a proliferação de uma mentalidade assassina.

 

A busca desenfreada por riquezas materiais reforça o individualismo e o hedonismo que nos fazem reféns da nossa própria ambição. Não é possível servir a dois senhores, a Deus e aos ídolos, porque ou odiará a um e amará o outro, ou será fiel a um e desprezará o outro (cf. Mt 6,24).

 

Queremos chamar à razão os Poderes constituídos do Brasil, nas suas várias instâncias, para que assumam o direito e garantia de vida plena do povo como princípio moral e ético. Não admitimos mais a morte e o descaso para com milhões de seres humanos pela insensibilidade e insensatez de políticos e pessoas corruptas, que desviam milhões e até bilhões que deveriam ser usados na saúde, educação, moradia, trabalho, lazer, enfim, na promoção da dignidade dos pobres e excluídos.

 

Não tem sentido humano a discussão pela legalização do aborto, tornando-o um crime institucionalizado. Se existe gravidez indesejada é porque não existe uma adequada orientação familiar e uma formação educacional capaz de mostrar aos jovens o verdadeiro valor da vida.

 

A violência cresce assustadoramente e empurra as pessoas com algum poder aquisitivo a buscar segurança em condomínios fechados, carros blindados, tecnologias... Outras, mais pobres, sobrevivem como podem em meio ao fogo cruzado da violência urbana. E todos precisam lutar e rezar para não serem as próximas vítimas.

 

O narcotráfico avassala a juventude. Quantos jovens perdendo a vida por nada! Quantas famílias desmoronadas pelo vício! A quem interessa manter o tráfico e a impunidade? Quem verdadeiramente está se beneficiando com isso? Temos claro que os adolescentes e os jovens são as maiores vítimas desse sistema perverso e excludente, fazendo com que se perca o dom maior que Deus lhes deu: a Vida.

 

Juntem-se a essas tantas outras situações de morte que ameaçam nosso povo. Por isso, nesta Semana da Vida queremos convidar a cada um para reconhecer o dom da vida como o mais precioso que Deus nos deu. Mulheres e homens, criados à imagem e semelhança de Deus, iguais em dignidade, devem assumir o seu papel de construtores de uma sociedade justa, solidária e fraterna.

 

É na família, célula da sociedade e pequeno santuário da vida, o lugar onde se constrói a civilização do amor. Cabe aos pais e responsáveis oferecer aos filhos uma educação integral, voltada para a cidadania e a dignidade da vida, baseada nos valores cristãos.

 

Em nome do Deus da Vida, rico em misericórdia, de Jesus Cristo, seu Filho Unigênito que se fez homem para nos salvar, e do Espírito Santo, fonte do Amor, com a proteção da Mãe Imaculada e seu esposo São José, conclamo a todos, especialmente os cristãos católicos da Arquidiocese de Campinas, a que se empenhem, incondicionalmente, na promoção da vida em qualquer condição e estado de desenvolvimento, condenando como ofensa grave à dignidade humana qualquer ato ou iniciativa que atentem contra ela.

 

 

 

Dom Bruno Gamberini

Arcebispo Metropolitano de Campinas

 

 

 

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