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PARTE I
ANTECEDENTES DA PARÓQUIA DO CARMO
Fase I – Primórdios da criação da Paróquia
A CARTEIRA DE IDENTIDADE DE CAMPINAS
O Brasil é considerado o único país do mundo com uma “carteira de identidade”, um documento atestando o seu nascimento. É a Carta de Pero Vaz de Caminha, na qual o escrivão que acompanhou a frota comandada por Pedro Álvares Cabral registra em pormenores os primeiros contatos com a nova terra – que seria batizada de Terra de Santa Cruz – e seu povo. Por essa condição de testemunha privilegiada do “nascimento” do Brasil, Caminha é considerado o primeiro historiador das coisas do Brasil.
O primeiro historiador de Campinas é o Frei Antônio de Pádua Teixeira, também autor de uma “carteira de identidade”, no caso o primeiro registro histórico da cidade, o documento intitulado “Breve notícia da fundação ou ereção desta Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Campinas”.
O documento é a descrição sintética, feita pelo franciscano, da trajetória que levou à primeira capela erguida em Campinas, onde foi celebrada a primeira missa, pelo próprio Frei Antônio e outros dois religiosos. A “Breve Notícia” foi incluída no Primeiro Livro do Tombo da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Campinas.
Durante muito tempo esse Primeiro Livro do Tombo, com a importantíssima “Breve Notícia”, ficou desaparecido, tendo sido encontrado após uma peregrinação que guarda estreita verossimilhança ao que aconteceu com a Carta de Pero Vaz de Caminha.
Por três séculos a Carta de Caminha esteve desaparecida. Apenas voltou à tona, com sua importância histórica, graças aos esforços do historiador português Manuel Aires do Casal, que a publicou em 1817, em “Corografia brazílica, ou relação histórico-geográfica do reino do Brazil. Composta e dedicada a sua Magestade Fidelíssima pelo presbítero Manuel Aires de Casal. Rio de Janeiro: Impressão Régia, 1817, volume 1, pág. 12-34.”
A “Breve Notícia” de Frei Antônio de Pádua também permaneceu no anonimato, durante muito tempo, em função do desaparecimento do Primeiro Livro do Tombo de Campinas, logo após o Cônego Scipião F.Goulart Junqueira assumir a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, em substituição ao padre José Joaquim de Souza e Oliveira.
O Primeiro Livro do Tombo foi localizado na Diocese de São Carlos, entre 1922 e 1923, e imediatamente encaminhado ao segundo bispo de Campinas, d.Francisco de Campos Barreto. O bispo ordenou a restauração desse que é o primeiro conjunto de registros históricos da vida de Campinas, e que acabou perdendo importantes fragmentos durante o tempo em que esteve perdido.
Mas o valor histórico da “Breve Notícia” permanece. No pequeno texto, o Frei Antônio de Pádua faz as primeiras indicações de como foi o processo de ocupação do território onde foi criada a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição das Campinas do Mato Grosso. Por sua singeleza e precisão, o documento que ainda emociona mais de dois séculos depois de escrito é o primeiro sinal, a primeira comprovação de como a história de Campinas está intimamente vinculada com a história da sua primeira Igreja, que depois se tornaria a Basílica de Nossa Senhora do Carmo.
Do mesmo modo, a ativa participação de Frei Antônio de Pádua na organização da Freguesia, inclusive sendo autor do seu primeiro registro histórico, é um claro indício de por que ele é considerado, por muitos autores, como o co-fundador de Campinas, ao lado de Francisco Barreto Leme, tido como o fundador oficial, e que assim passou à história, enquanto o papel do piedoso franciscano tem ficado em segundo plano.
Depois do registro pioneiro de Frei Antônio de Pádua, que permaneceu por poucos anos à frente da nova Paróquia, dezenas e dezenas de especialistas se dedicaram a pesquisar a história de Campinas, permitindo-se hoje traçar um panorama mais fiel de que como era a terra e como vivia o seu povo antes da criação oficial da Freguesia, de modo concomitante com sua primeira Paróquia.
Comentando este escrito o Cardeal Agnelo Rossi escreveu: “Depreende-se claramente do relato que Campinas, como ocorreu com o Brasil e São Paulo, nasceu à sombra da cruz e com inspiração católica” (cf. in “Campineiro pela graça de Deus”, página 7)
POUSOS DE TROPEIROS NO MEIO DO MATO GROSSO
Em sua “Breve Notícia”, Frei Antônio de Pádua faz referência aos “sertões trilhados por muito tempo com a estradas das minas de Goiaz”, para descrever o território onde foi instalada a freguesia de Nossa Senhora da Conceição das Campinas do Mato Grosso. O religioso cita ao mesmo tempo o aspecto físico, que ele chama de “sertões”, e o indício da atuação humana com motivação econômica, as estradas abertas para o acesso às minas de ouro encontradas no interior do país. Era a forma como começou a ocupação do território, para a qual concorreram vários ingredientes ambientais, econômicos e geopolíticos.
A configuração ambiental de Campinas é muito peculiar. Ela se instalou precisamente na zona de transição entre duas regiões, a do Planalto Atlântico e a da Depressão Periférica, como salientam A Christofoletti e Hilton Federici (1).
O Planalto Atlântico é caracterizado pelas elevações a partir da faixa litorânea, localizada ao nível do mar. A Serra do Mar, que atinge entre 800 e 1.000 metros de altitude, é o marco do começo do Planalto Atlântico, região formada essencialmente por rochas cristalinas e que, por essa condição, é o berço de alguns dos principais rios paulistas.
Quando avança para o interior paulista, o Planalto Atlântico passa a perder suas características essenciais. Áreas mais baixas tomam o lugar dos morros e elevações em geral. É o princípio da Depressão Periférica, espécie de vale, de vertentes suaves, por onde escorrem os rios que se tornariam importante via de penetração pelo interior, como o Tietê e o Atibaia, que seria depois o grande manancial de abastecimento de água da região de Campinas.
De fato, duas rotas de penetração predominaram no período colonial nessa região do país. Uma, fluvial, pelo Rio Tietê e afluentes. A outra, com o Caminho de Goiás, a estrada de terra aberta por determinação do então governador-geral da Capitania de São Paulo, Rodrigo César de Menezes. Em 1722 ele encarregou a Bartolomeu Bueno da Silva, o segundo Anhangüera, de abrir uma estrada para as minas de ouro do interior do país.
O calor estava especialmente intenso naquele março de 1722. As chuvas eram intensas. Depois de passar por Jundiaí, onde já existia um núcleo urbano estruturado, a expedição comandada por Anhangüera se deparou, no meio do mato grosso (a grande floresta atlântica que chegava até a região de Campinas), com pousos de tropeiros instalados em três “campinhos”. Eram espaços na zona de transição entre o mato grosso e a zona de Cerrados, que começava exatamente na região de Campinas em direção ao interior.
Esses três “campinhos”, típicos das “campinas”, de onde veio o nome da futura cidade, foram os antecessores do núcleo urbano de Campinas. Um deles ficava na altura do Córrego dos Lavapés, depois Córrego Proença, nas proximidades do local onde agora está o Estádio Brinco de Ouro da Princesa, do Guarani Futebol Clube. O segundo, na altura do atual Largo de Santa Cruz (Praça XV de Novembro), e o terceiro “campinho”, onde seria construída a primeira Igreja, atual Basílica do Carmo.
Os tropeiros iam e vinham, mas aos poucos as áreas próximas dos “campinhos” foram sendo ocupadas, a partir das primeiras sesmarias concedidas na região. A primeira sesmaria, de 1728, concedida ao coronel Antônio da Cunha de Abreu, recebeu o significativo nome de “Campinhos do Mato Grosso”, mas não chegou a ser totalmente ocupada e povoada, segundo alguns historiadores, como Osmar Simões Magro (in “Centenário da Elevação de Campinas à Cidade”, “Correio Popular”, 5 de fevereiro de 1942). O centro da sesmaria concedida a Antônio da Cunha Abreu estava localizado aproximadamente no espaço onde foi construída a primeira Igreja de Campinas, a matriz da Conceição, depois Basílica de Nossa Senhora do Carmo.
As outras sesmarias concedidas até 1774, ano da fundação da freguesia, foram: Estrada de Goiás, duas (1732), Ribeirão do Pinheiros (1732), Rio Jaguari (1737) e Rio Atibaia (1754). Junto com os sesmeiros, seus familiares e outros pioneiros de pequenas culturas, com destaque na época para o milho, que já era cultivado há tempos pelos indígenas, moradores originais da região.
Entre 1740 e 1745 a incipiente comunidade recebeu um nome ilustre. Era Francisco Barreto Leme, que passou a residir na região com a esposa Rosa Maria e filhos. O casal veio de Caçapava Velha, da Freguesia de Taubaté, onde morou pelo menos até dezembro de 1740, segundo registros de cartório.
Foi Francisco Barreto Leme quem protagonizaria, ao lado de outros “povoadores”, o movimento que resultou na criação da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição das Campinas do Mato Grosso, em 1774. Ao seu lado, outra figura decisiva, a de Frei Antônio de Pádua Teixeira.
BUSCA DA AUTONOMIA E ASSISTÊNCIA ESPIRITUAL
Na “Breve Notícia”, Frei Antônio de Pádua Teixeira destaca como os primeiros povoadores de Campinas, apesar da “fartura de mantimentos”, sofriam com a “falta de sacramentos”, entre eles, aqueles relacionados à despedida dos mortos. Distante sete léguas (cerca de 50 km) de Jundiaí, a paragem de Campinas do Mato Grosso estava longe, portanto, dos sacramentos ministrados pelos religiosos daquela Freguesia, fundada em 1651, com a capela a Nossa Senhora do Desterro.
O desejo de assistência espiritual direta, de estarem próximos da estrutura oficial da Igreja, está portanto na origem do movimento pela criação de uma freguesia própria.
O outro motivo da petição pela criação da nova freguesia é político: os produtores rurais também almejavam autonomia administrativa, apostando no potencial econômico de uma localidade em visível crescimento, apesar de não apresentar ainda vida urbana propriamente dita.
No primeiro censo promovido no interior paulista, em 1767, com o propósito de assegurar o controle do território e das atividades econômicos pelos representantes da Corte portuguesa, foram registrados cerca de 400 moradores na paragem das Campinas, incluindo os agricultores e seus escravos, distribuídos todos em 61 famílias.
Segundo Celso Maria de Mello Pupo, um dos maiores historiadores dos momentos iniciais de Campinas, o censo de 1767 indicou a existência, de fato, de 38 “fogos” (núcleos familiares e produtivos), com 185 habitantes, pois ele exclui 15 “fogos” correspondentes à localidade de Rocinha, depois Vinhedo. (Página 28)
Foram estes moradores que deflagram os primeiros movimentos pela criação de freguesia à parte de Jundiaí, na paragem das Campinas do Mato Grosso. Foram três petições às autoridades eclesiásticas e administrativas, até a decisão favorável.
A primeira petição data de 15 de setembro de 1772, e nela os signatários expressam o desejo de “erigir à sua custa uma capela na paragem chamada Campinas onde tenham valimento espiritual, se não sempre, ao menos em várias ocasiões que por ali se acharem sacerdotes” (in Livro do Tombo 6, dos Arquivos da Cúria Metropolitana de Campinas).
Construir, às suas próprias custas, uma pequena capela, para propiciar assistência espiritual. É do que se trata a singela primeira petição, encaminhada ao bispado de São Paulo.
Assinaram a petição os moradores de Campinas: Francisco Barreto Leme, José de Sousa Siqueira, Diogo da Silva Rego (irmão de Barreto Leme), José da Silva Leme, Domingos da Costa Machado, Francisco Pereira de Magalhães, Luis Pedroso de Almeida, Salvador de Pinho e Bernardo Guedes Barreto (filho de Barreto Leme).
Curiosamente, um documento datado de 1772, pouco citado na historiografia de Campinas, sugere que Barreto Leme não estaria disposto a contribuir com a estruturação da nova Igreja. Afirma o documento, do padre encarregado pelo Cônego Lara e vistoriar a área onde seria construída a capela da nova freguesia:
"Ilmo e Revmo Sr Dr Governador
Informei-me de pessoas fidedignas sobre o alegado na petição retro; me certificaram ser o lugar destinado para a capela, que pretendem erigir os conteúdos no rol, suficiente, suposto ser a paragem algum tanto deserta, e dista desta freguesia dez léguas. As pessoas assinadas no rol, as mais delas pobríssimas, exceto o da cabeceira, que, nega ser a firma sua, e me disse que para a fatura da dita capela não pretende concorrer com coisa alguma, sendo o mais estabelecido naquele lugar; e verdade estar na paragem chamada Campinas um cemitério, ainda que com pouca decência, pelo pouco zelo dos moradores. Jundiaí, 25 outubro 1772" (in “História da Cidade de Campinas”, Volume I, Jolumá Brito, Campinas, 1956, página 139).
Na realidade, sabe-se que Barreto Leme contribuiu e muito. Foi ele quem doou um quarto de légua de terras para a instalação da freguesia e construção da capela. E José de Sousa Siqueira, também entre os que assinaram a petição pela criação da nova freguesia, era dono de muitas terras.
A polêmica estabelecida, segundo alguns estudiosos, era devido à vontade de Barreto Leme e outros moradores de fundar uma Freguesia (paróquia), contra a vontade de outro grupo, de somente erguer uma capela ou oratório para as funções religiosas. Este grupo não queria paróquia devido aos custos da construção de uma Matriz e sustento do pároco. Entao Barreto Leme teria se negado a este projeto “pequeno”, mas ajudou com generosidade o projeto e execução da criação da paróquia, construção da Matriz e manutenção do pároco que aliás mandou vir de Minas Gerais e era seu parente.
Assim Celso Maria de Mello Pupo descreve a doação de terras por Barreto Leme para a construção da Matriz: “Campinas foi fundada dentro das terras de propriedade de Barreto Leme, por ele doadas para a fundação, e com planejamento prévio: ruas de sessenta palmos (13,20 metros lineares) de largura e quadras mínimas de oitenta varas (88 metros lineares). É de se admitir que, nestas dimensões, o fundador tenha demarcado quadras unidas a matriz e limitadas pelas atuais ruas Barão de Jaguara, Barreto Leme, Sacramento e Bernardino de Campos, isto é, em torno da atual praça Bento Quirino, para o povoado que logo alcançou as outras ruas laterais da igreja”.
O relato de Jolumá Brito a respeito: “A sesmaria do Taquaral foi concedida a Bernardo Guedes Barreto, filho do fundador, como consta do mesmo arquivo (Nota: Livro 6o das Sesmarias, página 26, Arquivo do Estado). Transferiu-se Antônio da Cunha (Nota: que recebeu a sesmaria dos “Campinhos”) para Juqueri, onde morreu, em 1760 e onde vive ainda numerosa descendência sua, sendo provável que tivesse vendido seu sítio a Barreto Leme, pois dentro dele foi demandado pelo vigário de Jundiaí, o terreno destinado à construção da matriz” (“História da Cidade de Campinas”, Volume I, Jolumá Brito, Campinas, 1956, página 83).
E segundo o mesmo Jolumá: “O dr.Ricardo Gumbleton, à pág.5 do seu excelente trabalho ‘os primeiros tempos de Campinas’ , diz que Barreto Leme dotou a ‘fábrica da nova paróquia, com o patrimônio de um quarto de légua de terreno, que se começou a medir desde um córrego dito do Barbosa, do lado do bairro de Santa Cruz, seguindo na direção da saída para Jundiaí e Itu’” (“História da Cidade de Campinas”, Volume I, Jolumá Brito, Campinas, 1956, página 116).
De acordo com Antônio do Amaral Lapa: “O rocio foi doado pelo fundador Francisco Barreto Leme, que cedeu parte de sua propriedade à padroeira da cidade, Nossa Senhora da Conceição. As suas terras acredita-se que fossem de uma das primitivas sesmarias, que pertencera a Antônio da Cunha de Abreu, medindo uma légua em quadra e tendo como referência dessa medição, segundo se acredita, o local do campinho do meio, onde hoje se encontra a praça Bento Quirino e a Matriz do Carmo” (Antônio do Amaral Lapa, “Campinas, Cantos e Antros”, página 49).
Referências a respeito também foram feitas por Theodoro de Souza Campos Júnior, no artigo “História da Fundação de Campinas: Subsídios”, in Monografia Histórica do Município de Campinas, Rio de Janeiro, IBGE, 1952, p.44.
O fato é que a autorização para a construção da capela foi finalmente dada, a 18 de janeiro de 1773, pelo Cônego Antônio de Toledo Lara, governador do bispado de São Paulo, dado que o bispo recentemente nomeado ainda não tinha tomado posse pessoalmente, pois estava vindo de Portugal. Estava aberto o caminho para a institucionalização da assistência espiritual permanente para os moradores da paragem das Campinas e, com ela, a própria autonomia política, com uma freguesia à parte de Jundiaí.
Ao lado da autorização, o Cônego Antônio de Toledo Lara expede um Mandado de Comissão, ao Vigário de Jundiaí, para que providencie a vistoria do local mais indicado, na paragem de Campinas, para receber a igreja. O Mandado também data de 18 de janeiro de 1773.
O vigário de Jundiaí de fato procedeu à vistoria em Campinas. A 22 de setembro de 1773 publicou seu “auto de vistoria e demarcação”, indicando como deveria ser construída a igreja:
“(...) fez o dito Reverendo Juiz Comissário assinalar o lugar para a edificação da dita igreja, pondo no lugar da capela-mor uma cruz, e assinalando o lugar da porta da igreja seguindo o rumo do Sul e demarcando não só o âmbito da capela-mor, o qual tem quarenta palmos de comprimento e de largura trinta e dois palmos (*); e o corpo da Igreja até o arco do cruzeiro tem de comprimento oitenta e cinco palmos e de largura o corpo da mesma Igreja trinta e dois palmos (...)”
O lugar escolhido é exatamente onde hoje se ergue a Basílica do Carmo. Os primeiros passos estavam dados, para a construção da tão sonhada igreja. Outras duas petições seriam encaminhadas pelos moradores de Campinas. Uma segunda, em 1773, ampliando o escopo da reivindicação, para a criação de uma paróquia, configurando uma freguesia à parte de Jundiaí. E uma terceira petição, em 1774, quando a igreja já estava em construção. Foi uma petição no sentido de se instalar a paróquia em capela provisória em função da demora das obras da futura Matriz.
(*) Unidade de comprimento equivalente a 20 centímetros (cf. Dicionário Houaiss)
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