Lema: "A criação geme em
dores de parto" (Rm 8,22)
Apresentação
1
Quaresma é tempo de escuta da Palavra, de oração, de jejum
e da prática da caridade como caminho de conversão, tendo
como horizonte a celebração do Mistério Pascal de nosso
Senhor Jesus Cristo. E somos convidados a aproveitar esse
tempo de graça, valorizando os canais pelos quais esta se
comunica: a oração, a participação nos sacramentos da
penitência e da eucaristia, as práticas devocionais deste
período, de modo especial a Via Sacra e o
Santo Rosário.
No mundo em que vivemos, somos diariamente interpelados
por tantos rostos sofredores, que clamam por nossa
solidariedade. A Igreja samaritana não pode passar
adiante, na presença de tantos irmãos e irmãs que dela
esperam acolhida fraterna, ombro amigo, mãos generosas,
que os ajude em sua caminhada para o Pai.
A Campanha da Fraternidade é um excelente auxílio para bem
vivermos a Quaresma. Com sua metodologia característica do
Ver - Julgar - Agir, baseada, a cada ano, num Tema e
num Lema, a Campanha da Fraternidade nos oferece uma ótima
oportunidade para superarmos qualquer dicotomia entre fé e
vida.
Este ano, a CNBB propõe que todas as pessoas de boa
vontade olhem para a natureza e percebam como as mãos
humanas estão contribuindo para o fenômeno do aquecimento
global e as mudanças climáticas, com sérias ameaças para a
vida em geral, e a vida humana em especial, sobretudo a
dos mais pobres e vulneráveis. É nesse contexto que a CNBB
propõe para 2011, a Campanha da Fraternidade com o tema
"Fraternidade e a vida no planeta", e como lema "A criação
geme em dores de parto (Rm 8,22)".
Na medida em que cada cristão ou cristã for capaz de
vivenciar seriamente o próprio batismo, sua conversão
diária não será mais mera questão de retórica, mas será
uma dimensão permanente em sua vida.
Que o Senhor da Vida nos abençoe a todos em nossa
caminhada quaresmal e, mais ainda, em nossa marcha
diuturna, na direção do Reino que nos foi preparado antes
da fundação do mundo (cf. Ef 1). Associados à morte de
Cristo pelo Batismo, nós o seremos, também, na sua
ressurreição. E Deus será tudo em todos.
Brasília, 04 de outubro de 2010,
na memória de São Francisco de Assis.
Dom Dimas Lara Barbosa
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário Geral da CNBB
Introdução ao Texto-Base da CF 2011
2
1. A Campanha da Fraternidade de 2011 aborda o tema do
aquecimento global e das mudanças climáticas. A considerar
as intempéries climáticas que estão sistematicamente
assolando as populações, de forma cada vez mais intensa e
em quantidade sempre crescente, a temática é plenamente
justificável.
2. No entanto, é necessário dizer que a questão é envolta
de polêmica. A causa desse desequilíbrio climático é
discutida pelos pesquisadores e basicamente existem dois
grupos. Há os que entendem que o aquecimento global é
oriundo de processos da própria natureza e os que afirmam
que o planeta está apresentando aquecimento devido às
grandes quantidades de emissões de gases de efeito estufa,
que se intensificaram a partir do momento da
industrialização de muitos países ou, como alguns
preferem, é resultante de causas antrópicas.
3. A resolução deste impasse nos meios especializados não
parece ser fácil, e nem pretendemos resolvê-lo. Mas uma
coisa é indubitável: nossa experiência constata que
mudanças climáticas estão em curso e que já alteramos
substancialmente o planeta. E, considerando que o clima da
Terra é resultante, em parte, da interação dos seres que o
habitam, torna-se difícil negar que alterações, como as
derrubadas de florestas, modificações nas águas marinhas e
na atmosfera, que recebeu uma carga imensa de gases de
efeito estufa, não contribuam para as mudanças climáticas
que verificamos.
4. E a considerar a gravidade da situação e de suas
consequências, basta citar que órgãos da ONU já falam na
existência de 50 milhões de "migrantes do clima", não
podemos deixar de agir em prol de melhores condições para
o nosso planeta. Sobretudo, porque o aquecimento global e
as mudanças climáticas exigirão mais sacrifícios dos mais
pobres e menos protegidos. Cruzar os braços diante de tal
desafio significa irresponsabilidade tamanha para com as
gerações futuras, pois ainda podemos fazer algo em prol da
vida no planeta.
5. Neste sentido, a identificação das ações que mais
emitem gases de efeito estufa é um passo importante para
buscarmos alternativas que resultem em menores índices de
emissões de gases de efeito estufa, como pretendemos com o
texto.
6. E que a Palavra de Deus e a caminhada quaresmal rumo à
Páscoa de nosso Senhor Jesus Cristo possam nos despertar
para o exercício do cuidado para com a vida no planeta que
pede socorro.
Objetivo geral da CF 2011
Contribuir para a conscientização das comunidades cristãs
e pessoas de boa vontade sobre a gravidade do aquecimento
global e das mudanças climáticas, e motivá-las a
participar dos debates e ações que visam enfrentar o
problema e preservar as condições de vida no planeta.
Objetivos específicos
Viabilizar meios para a formação da consciência
ambiental em relação ao problema do aquecimento global e
identificar responsabilidades e implicações éticas.
Promover a discussão sobre os problemas ambientais com
foco no aquecimento global.
Mostrar a gravidade e a urgência dos problemas
ambientais provocados pelo aquecimento global e
articular a realidade local e regional com o contexto
nacional e planetário.
Trocar experiências e propor caminhos para a superação
dos problemas ambientais relacionados ao aquecimento
global.
Estratégias
Mobilizar pessoas, comunidades, Igrejas, religiões e
sociedade para assumirem o protagonismo na construção de
alternativas para a superação dos problemas
socioambientais decorrentes do aquecimento global.
Propor atitudes, comportamentos e práticas fundamentados
em valores que tenham a vida como referência no
relacionamento com o meio ambiente.
Denunciar situações e apontar responsabilidades no que diz
respeito aos problemas ambientais decorrentes do
aquecimento global.
A
voz de Deus na natureza 3
Mesmo
antes de inspirar a escrita dos textos bíblicos, Deus se
comunicou com a humanidade através do livro da natureza,
da diversidade da vida, da riqueza de tudo que forma o
mundo em que vivemos. Seria uma falsidade louvar o Criador
e não se importar com o atual processo de destruição de
suas obras no âmbito da criação. Porém, uma
espiritualidade de contemplação e deslumbramento diante
das maravilhas da natureza é parte importante da
construção da nossa vida religiosa.
Diversos textos bíblicos trazem um louvor à criação, vendo
nas manifestações da natureza sinais da sabedoria, do
poder, da grandeza do Criador. Esses textos nascidos da fé
e, em forma poética, convidam-nos a contemplar com olhos
amorosos a criação de Deus. Temos, por exemplo:
O
cântico de Misael, Ananias e Azarias em Dn 3,57-87.
Esses três jovens aparecem também com o nome babilônico:
Sidrac, Misac e Abdênago. Eles foram lançados na fornalha
ardente, por causa de sua fidelidade a Deus. No entanto,
um anjo do Senhor é enviado para lançar um orvalho
refrescante e não permite que as chamas lhes façam nenhum
mal. No meio das chamas, os três jovens entoam um louvor
ao Senhor, a partir das obras da criação.
O
salmo 8, que fala do lugar do ser humano na criação. O
salmo 8 foi muitas vezes entendido equivocadamente como
justificação religiosa para o "domínio" do ser humano,
"rei da criação", sobre a natureza. No entanto, este salmo
expressa o lugar que o humano ocupa no conjunto da
criação. Se o apresenta acima de todas as criaturas (cf.
Gn 1), não quer com isso lhe dar um direito de domínio
predatório sobre a natureza, mas sugere um cuidado
responsável para com ela, na função de zelador da obra de
Deus. Sobre isso, poderíamos lembrar também a fala de
Jesus: "A quem muito foi confiado, dele será exigido
muito mais" (Lc 12,48). O ser humano, que raciocina,
toma decisões e pode transformar o planeta, precisa
escolher com responsabilidade o que faz ou o que deixa
acontecer por omissão.
O
esplendor da criação (Sl 104). Este salmo está entre
os mais belos do saltério; como um hino à natureza,
expressa poeticamente a dimensão de Deus como Senhor e
Criador. O salmo estabelece uma inter-relação de Deus com
as criaturas, evidenciando a consciência que tinham os
antigos israelitas da profunda dependência vital da
humanidade e de todo o criado em relação ao poder criador
originário. Se Deus retira seu ruah (= espírito de
vida, v. 29-32), as coisas voltam ao seu nada. Desse modo,
a criação é pensada, neste salmo, em termos de uma
grandiosa e incessante troca de energias.
*
* *
O
pecado e sua dimensão ecológica
4
As criaturas foram chamadas à vida por Deus Criador por
amor, num ato de vida. E, mesmo envolvendo-as com sua
presença, Deus respeita os seres criados em sua justa
autonomia e liberdade. Esta condição é indispensável para
que o homem e mulher, queridos e criados por Deus, também
pudessem amar. O amor é também condição para que
cumprissem a missão de cuidar da obra realizada pelo
Criador, a qual exige doação e entrega. E não se pode
simplesmente exigir isto de alguém; tal empenho requerido
por Deus ao homem, passa por um coração que ama.
No entanto, esta mesma liberdade entrevia a possibilidade
do pecado, ou do uso da liberdade para se negar a via do
amor, cuja consequência é o rompimento da confiança em
Deus e nos demais seres. "Ninguém pode hospedar a quem lhe
traiu a confiança e ninguém permanece hospedado com alguém
a quem ofendeu. O livre ato humano impossibilita a
continuidade do shabbat: a festa é interrompida
abruptamente". Em consequência, o homem e a mulher vão se
emancipar de Deus, ou passam a viver num estado de
autonomia que implica separação de Deus e autoafirmação em
si mesmos. Neste estado, já não acolhem o chamado de Deus
para cooperarem com o seu projeto, e se fecham cada vez
mais em um mundo próprio em desacordo com a palavra do
Criador. Neste sentido, vão conhecer uma degradação cada
vez maior, como podemos ver na sequência dos primeiros
capítulos do livro do Genesis.
Na crise ambiental atual, fica patente o poder destruidor
do pecado. É o mesmo poder que nega ou deturpa a relação
dialógica com o Deus da Vida e do Amor, as relações entre
homem e mulher bem como as outras relações entre os seres
humanos (comunitárias, políticas, econômicas etc.). É o
mesmo poder mortífero cristalizado em estruturas sociais
injustas e em modos de produção-consumo destruidores do
meio ambiente. A alienação do ser humano em relação ao
projeto de Deus sobre a humanização, manifesta-se na
sociedade injusta e opressora e na utilização abusiva e
destruidora da natureza.
Nessa visão integrada do ser humano, a salvação oferecida
pelo Deus da revelação bíblica afeta o ser humano em todas
as suas dimensões. O universo inteiro possui uma dimensão
crística. A encarnação, vida, morte e ressurreição de
Jesus Cristo possuem um significado cósmico, totalmente
universal. A libertação da natureza, manipulada
abusivamente pelo ser humano, está incluída na libertação
do pecado humano para a vivência da liberdade concretizada
no amor-serviço Inclui as relações responsáveis e
solidárias com as outras criaturas. Hoje, fica cada vez
mais claro que a salvação do ser humano é inseparável da
salvação da criação toda (Rm 8,19-23) . O destino de ambos
está intimamente unido.
São Francisco e a criação
5
São Francisco é hoje um modelo para os que buscam
uma relação mais qualitativa em relação às
criaturas, pois cresce a consciência de que há
relações que as degradam, acarretando também a
degradação do ser humano. Existe uma inter-relação
entre o ser humano e as criaturas, como soube
expressar São Paulo:
"De fato, toda a criação espera ansiosamente a
revelação dos filhos de Deus; pois a criação foi
sujeita ao que é vão e ilusório, não por seu querer,
mas por dependência daquele que a sujeitou. Também a
própria criação espera ser liberta da escravidão da
corrupção, em vista da liberdade que é a glória dos
filhos de Deus. Com efeito, sabemos que toda a
criação, até o presente, está gemendo como que em
dores de parto" (Rm 8,19-22).
Por atitudes de arrogância e autosuficiência dos
homens exploraram exaustivamente a natureza e a
destruíram, depredaram, aniquilaram, extinguiram
espécies e poluíram o ar e as águas. Assim, não
foram respeitosos ao Criador que ao ser humano
reservou a função de cuidar do seu jardim e de todas
as criaturas. Nesse sentido, é necessário que se
desenvolvam novas atitudes para com a criação que se
constitui em um dom de nosso Deus Criador.
Em relação à posse, esta relação é também muito
perigosa, pois pela posse, o detentor de poder
desqualifica o significado ou identidade dos seres
em geral, entendendo-os como meros objetos para
servirem à intenção ou à necessidade de quem os
possui. São Francisco soube contemplar e valorizar
as coisas pelo que eram e pelo valor mais profundo
que apresentavam como criaturas de Deus.
O uso das criaturas para o nosso sustento e
sobrevivência é imprescindível e se o homem foi
colocado como o zelador das coisas, de outro, também
é verdade que tudo lhe ficou à disposição. O
problema está no uso indiscriminado, na gastança
desmedida, no consumismo desenfreado, muitas
vezes de coisas supérfluas. É necessário resgatar a
sobriedade no consumo dos bens necessários à
dinâmica da vida e evitar desperdícios. São
Francisco soube cultivar esta sobriedade no uso das
criaturas, como podemos ver no fato de mandar o
lenhador cortar apenas os galhos secos das árvores
para que continuassem produzindo.
A transformação está ligada ao trabalho, à atividade
mediante a qual os seres humanos operam
transformações de materiais ou de seres em outras
realidades segundo sua intenção e necessidade. Hoje
vemos que as transformações muitas vezes somente vão
atender à necessidade de se manter ativa a roda do
consumismo, com a produção do supérfluo. No entanto,
esta atividade deve visar à vida e à sua justa
manutenção.
Resgatar São Francisco neste contexto de nossas
relações com as criaturas da natureza significa
valorizar suas atitudes. Primeiramente, a pobreza,
que neste santo significou a não-posse, reverteu-se
em redenção para as criaturas, e lhe possibilitou
pelo olhar contemplativo alcançar o que eram
realmente, a ponto de lhes chamar de irmãs e irmãos.
A razão é simples, em última análise este olhar
purificado de poder e lucro revela que as criaturas
são dom de Deus e também portam sinais do Criador.
Por isso, São Francisco purificado interiormente
pela ação do Espírito que o conduziu a renúncias,
como posse e dominação, ao contemplar a natureza,
nela somente via reflexos da imagem de Deus, de sua
bondade e beleza. Assim, as criaturas não se
constituem em obstáculos para se encontrar Deus e
amá-lo.
Assim, a contemplação deste santo não era pautada
simplesmente pelo fator racional, mas se deixava
levar pelos seus sentimentos, por sua sensibilidade,
até o ponto de realmente amar as criaturas, afinal,
havia feito a descoberta de que elas eram também
suas irmãs. Em consequência, nele brotou um respeito
impressionante por todos os seres criados e soube
viver de modo perfeitamente integrado a este
universo, numa grande fraternidade com todo o
universo criado por Deus. São Francisco, disse um de
seus biógrafos, descobriu os segredos do coração das
criaturas, às quais chamava de irmãs, porque já
parecia gozar a liberdade gloriosa dos filhos de
Deus.
Que a oração em que São Francisco louva a Deus pelas
criaturas, nos inspire novas atitudes e nos ajude a
ser transformados pelo Espírito de Deus de modo a
resgatarmos atitudes de quem cultiva e cuida do seu
jardim, esta obra maravilhosa, que hoje requer
socorro dos autênticos filhos de Deus, e de todos
aqueles que empreendem ações sinceras e despojadas
em prol do planeta.
Cântico das Criaturas
São Francisco de Assis
Altíssimo, onipotente e bom Deus, teus são o louvor,
a glória, a honra e toda bênção.
Só a Ti, Altíssimo, são devidos,
e homem algum é digno de Te mencionar.
Louvado sejas, meu Senhor,
com todas as Tuas criaturas.
Especialmente o irmão Sol, que clareia o dia
e com sua luz nos ilumina.
Ele é belo e radiante, com grande esplendor,
de Ti, Altíssimo, é a imagem.
Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã Lua e as
Estrelas,
que no céu formastes claras, preciosas e belas.
Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão Vento,
pelo ar ou neblina, ou sereno e de todo tempo,
pelo qual às Tuas criaturas dais sustento.
Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã Água,
que é muito útil, humilde, preciosa e casta.
Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão Fogo,
pelo qual iluminas a noite,
e ele é belo e alegre, vigoroso e forte.
Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã a mãe
Terra,
que nos sustenta e nos governa,
e produz frutos diversos,
e coloridas flores e ervas.
Louvado sejas, meu Senhor, pelos que perdoam por teu
amor
e suportam enfermidades e tribulações.
Bem-aventurados os que sustentam a paz,
que por Ti, Altíssimo, serão coroados.
Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã a morte
corporal,
da qual homem algum pode escapar.
Ai dos que morrerem em pecado mortal!
Felizes os que ela achar conforme à Tua Santíssima
vontade,
porque a segunda morte não lhes fará mal.
Louvai e bendizei ao meu Senhor, e dai-lhe graças
e servi-O com grande humildade.
Amém.
* * *
Oração da Campanha da Fraternidade 2011
Senhor Deus, nosso Pai e Criador,
A beleza do universo revela a vossa grandeza,
A sabedoria e o amor com que fizestes todas as coisas,
E o eterno amor que tendes por todos nós.
Pecadores que somos, não respeitamos a vossa obra,
E o que era para ser garantia da vida está se tornando ameaça.
A beleza está sendo mudada em devastação,
E a morte mostra a sua presença no nosso planeta.
Que nesta quaresma nos convertamos
E vejamos que a criação geme em dores de parto,
Para que possa renascer segundo o vosso plano de amor,
Por meio da nossa mudança de mentalidade e de atitudes.
E, assim, como Maria, que meditava a vossa Palavra e a fazia
vida,
Também nós, movidos pelos princípios do Evangelho,
Possamos celebrar na Páscoa do vosso Filho, nosso Senhor,
O ressurgimento do vosso projeto para todo o mundo.
Amém.
Hino
da Campanha da Fraternidade 2011
L.: Pe. José
Antônio de Oliveira
M.: Casimiro
Nogueira
1.
Olha, meu povo, este planeta terra:
Das criaturas todas, a mais linda!
Eu a plasmei com todo amor materno,
Pra ser um berço de aconchego e vida. (Gn 1)
Nossa mãe terra, Senhor,
Geme de dor noite e dia.
Será de parto essa dor?
Ou simplesmente agonia?!
Vai depender só de nós!
Vai depender só de nós!
2.
A terra é mãe, é criatura viva;
Também respira, se alimenta e sofre.
É de respeito que ela mais precisa!
Sem teu cuidado ela agoniza e morre.
3.
Vê, nesta terra, os teus irmãos. São tantos...
Que a fome mata e a miséria humilha.
Eu sonho ver um mundo mais humano,
Sem tanto lucro e muito mais partilha!
4.
Olha as florestas: pulmão verde e forte!
Sente esse ar que te entreguei tão puro...
Agora, gases disseminam morte;
O aquecimento queima o teu futuro.
5.
Contempla os rios que agonizam tristes.
Não te incomoda poluir assim?!
Vê: tanta espécie já não mais existe!
Por mais cuidado implora esse jardim!
6.
A humanidade anseia nova terra. (2Pd 3,13)
De dores geme toda a criação. (Rm 8,22)
Transforma em Páscoa as dores dessa espera,
Quero essa terra em plena gestação!
Referências/textos
1
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Campanha da
Fraternidade 2011: Texto-Base. Brasília: Edições CNBB, 2010.
P.11.