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Esclarecimentos sobre alguns pontos da
fé católica
1. Por que
os católicos veneram a Virgem Maria?
R:
Os católicos veneram Maria, porque Deus a escolheu para ser a Mãe de
seu Filho, Jesus. Nosso amor e veneração pela Mãe do Filho de Deus
encarnado já se encontram mencionados no Evangelho, quando ela mesma
diz: “Todas as gerações me chamarão bem-aventurada” (Lc 1,48).
Demonstramos nosso amor à Virgem Maria nas festas que a Igreja celebra
em seu louvor ou quando rezamos o Rosário, contemplando Jesus com
Maria. Mas também a cada dia, quando nos dirigimos a ela pedindo seu
auxílio, quando rezamos com amor a “Ave Maria”, quando colocamos sob
sua proteção materna nossa vida. Em sua primeira parte, a oração da
“Ave-Maria” tem fundamento bíblico, pois contém as palavras do
Evangelho de Lucas 1,28.42.
Adoramos somente a Deus. A
Maria dedicamos especial amor, a imitação, o respeito e a confiança
que seu próprio Filho, Jesus, lhe dedicou. Ela é a criatura que está
mais próxima do Senhor. Ela é a primeira criatura plenamente
glorificada, sinal concreto da eficácia da salvação de Jesus Cristo na
nossa humanidade. Venerar Maria significa professar a nossa fé na
poderosa realização da Páscoa de Jesus Cristo em nós, criaturas e
filhos. Interessa-se por nós, ama-nos como a filhos queridos, pois o
próprio Jesus nos confiou a ela: “Mulher, eis o teu filho” (Jo 19,26).
Temos especial carinho por Maria, em obediência a Jesus e por
fidelidade ao Evangelho: “Filho, eis aí tua mãe” (Jo 19, 27). Por isso
podemo-nos dirigir a ela, confiando em sua intercessão materna em
todas as nossas necessidades.
Jesus mesmo mostrou como lhe
agradava a intercessão de Maria, quando for ocasião das Bodas de Caná,
a pedido de sua mãe, realizou o primeiro sinal (cf. Jo 2,1-11). Quanto
mais assemelhado a Cristo, tanto mais os cristãos devem nutrir os
sentimentos de veneração e estima filial que Jesus nutria para com a
sua mãe.
2. Por que
dizemos que Maria é a Mãe de Deus?
R:
A Igreja confessa que Maria é verdadeiramente Mãe de Deus, porque é a
Mãe do Filho Eterno de Deus feito homem. Os Evangelhos a denominam
como “a Mãe de Jesus” (Jo 2,1; 19,25). Desde antes do nascimento de
seu Filho, ela é chamada de “a Mãe do meu Senhor” (Lc 1,43).
Maria não gerou Deus. Mas
gerou e deu à luz Jesus, que é realmente o Filho de Deus. Por isso ela
pode ser chamada “Mãe de Deus”. Falando assim, afirmamos nossa fé na
divindade de Jesus, confessamos que Jesus é um só ser, humano e
divino, é o Filho de Deus que se fez homem.
A fórmula “Maria, Mãe de
Deus” preserva uma das verdades mais fundamentais da fé, a verdade da
encarnação e a maneira como Deus realizou a redenção do gênero humano.
Como os Padres da Igreja diziam, o Verbo de Deus se fez homem para que
a humanidade fosse divinizada.
3. Jesus
Cristo teve irmãos? Sua mãe teve outros filhos?
R:
Em sete textos do Novo Testamento são mencionados os “irmãos” de Jesus
(Mc 6,3; Mc 3,31-35; Jo 2,12; Jo 7,2-10; At 1,14; Gl 1,19; 1 Cor 9,5).
Segundo Mc 6,3 chamavam-se Simão, Tiago, José e Judas. O episódio da
peregrinação aos doze anos, quando os pais não deixariam o lar por
quinze dias com filhos pequenos (Lc 2,41-42), e o episódio da entrega
da mãe a João na cruz seriam incompreensíveis se Jesus tivesse outros
irmãos em casa (Jo 19,26s). O termo irmão usado supõe um
contexto lingüístico pobre de vocabulário: a palavra aramaica “irmão”
podia significar não somente os filhos dos mesmos genitores, mas os
primos ou parentes mais distantes. Com efeito, Tiago e José, “irmãos
de Jesus” (Mt 13,55), são filhos de outra Maria, discípula de Jesus
(Mt 28,1). Trata-se de parentes próximos de Jesus, chamados de irmãos,
consoante uma expressão conhecida do Antigo Testamento (Gn 13,8;
14,16; 29,15). “O que foi gerado nela vem do Espírito Santo”, diz o
anjo a José acerca de Maria, sua noiva (Mt 1,20). A Igreja sempre
entendeu que essas passagens não designam outros filhos da Virgem
Maria. Cristo é o Filho único de Maria, nela concebido pelo poder do
Espírito Santo.
4. Por que
dizemos que Maria é a Mãe da Igreja?
R:
Maria foi escolhida de modo especialíssimo por Deus para cooperar em
seu plano de salvação do gênero humano. Foi chamada a ser a Mãe do
Redentor e respondeu a este apelo com seu “sim” (cf. Lc 1,38). O
Evangelho nos mostra como ela está presente junto a este Jesus,
indicando-lhe a ocasião para que Ele fizesse seu primeiro milagre, nas
bodas de Caná. Por este milagre, seus discípulos chegaram à fé em
Jesus (cf. Jo 2,11). Mas foi na cruz que Maria recebeu a missão de ser
mãe dos discípulos de Jesus, mãe da Igreja (cf. Jo 19,26). Por isso
ela ficou junto aos discípulos, rezando com eles na espera de
Pentecostes (cf. At 1,14). Esta sua missão não passou. Até a segunda
vinda de Cristo, a consumação do Reino de Deus, Maria continua
realizando seu papel de mãe amorosa para com toda a Igreja e cada um
de seus filhos.
5. Por que
chamamos a Mãe de Jesus de Nossa Senhora? Não existe apenas um Senhor?
R:
A
palavra senhor, na linguagem cotidiana, é usada como um
tratamento respeitoso, dado a algumas pessoas, pais, professores,
autoridades... dentre outras.
Na Idade Média, São
Bernardo, vendo como cada “senhor” apresentava sua “senhora”, lembrou
que Jesus nos deu uma “Senhora” para amparar a todos. Desde então
Maria é chamada de “Nossa Senhora”. Trata-se de um título da devoção
popular.
A Mãe de Jesus, com toda
certeza, merece esse respeito e, por isso, a designamos comumente como
Senhora, sem qualquer conotação com o sentido especificamente bíblico
do termo Senhor. Na Sagrada Escritura, este termo é carregado de um
sentido muito maior. Senhor é o nome próprio para designar a divindade
do Deus de Israel, desde que se revelou a Moisés como Iahveh,
“aquele que é”, traduzido na versão grega dos livros do Antigo
Testamento por Kyrios, “Senhor”. No Novo Testamento, a palavra
Senhor é utilizada neste sentido mais forte. Jesus é chamado de Senhor
por aqueles que dele se aproximam com respeito e confiança no seu
poder de ajuda e cura. Nos encontros com Jesus Ressuscitado, o termo
Senhor aparece como expressão de adoração: “Meu Senhor e meu Deus” (Jo
20,28). Jesus é “de condição divina” (Fl 2,6), o Senhor, digno do
mesmo poder, honra e glória devidos ao Pai. Ele é o Senhor da vida e
da história, por quem a Igreja clama: “Amém, vem Senhor Jesus!” (Ap
22,20). O nome Senhor indica, portanto, a soberania divina. Quem
confessa ou invoca Jesus como Senhor demonstra que crê na sua
divindade. “Ninguém pode dizer ‘Jesus é Senhor’ a não ser no Espírito
Santo” (1 Cor 12,3).
6. Que
significa ser santo?
R:
No
Evangelho de São Mateus (5,48), encontramos estas palavras de Jesus:
“Sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito”. Deus é o
único santo (Lv 19,2). Pelo Batismo, recebemos a graça de Deus. A
Santíssima Trindade vem habitar em nós. Somos templos de Deus e
queremos conservar sempre Deus em nós e abrirmo-nos sempre mais a Ele,
deixando que sua graça nos transforme (2Cor 6,16). Vamos assim nos
assemelhando cada vez mais ao Deus Santo. Isto é certamente fruto de
nosso esforço, mas é, sobretudo, dom de sua graça.
Deus é amor. Ser santo é,
portanto, viver o amor puro a Deus e aos irmãos. Jesus mesmo falou que
os “benditos de seu Pai” são aqueles que, por causa dele, fazem o bem
a todos os que necessitam (cf. Mt 25,34-40). O martírio constitui o
cume da santidade, porque faz do cristão um seguidor de Jesus Cristo,
até o ponto de poder dizer como o Apóstolo Paulo: “Sede meus
imitadores como eu o sou de Cristo” (1Cor 11,1). Santos são, portanto,
todos aqueles que viveram o Evangelho e se encontram na casa do Pai.
7. O que é
canonização dos santos?
R:
Canonização é a sentença definitiva pela qual a Igreja declara que
alguém participa da glória celeste e prescreve que lhe seja prestada
veneração pública. Uma pessoa não é santa porque a Igreja a canoniza,
mas a Igreja a canoniza porque ela é santa. A Igreja, pelo magistério
solene e universal do Papa, reconhece a santidade dos nossos irmãos.
Desde os primeiros tempos a
Igreja cultuava os mártires e os confessores da fé. O heroísmo da fé,
o ardor da caridade e das outras virtudes dos amigos de Deus,
reconhecidos pelas pessoas que conviviam com eles, ocasionavam a
proclamação espontânea da santidade destes cristãos. Registravam-se
bispos, monges missionários, os fundadores de conventos e mosteiros,
pais e mães de família, jovens etc. Até o séc. VI bastava o
reconhecimento da comunidade cristã para que se desse início ao culto.
Com o tempo a Igreja exigiu um procedimento mais detalhado e a
canonização passou a ser feita pelo papa.
Com a canonização de alguém,
a Igreja nos propõe exemplos de vida e mostra de modo vivo que todos
nós somos chamados a corresponder plenamente ao chamado de Deus de
sermos como Ele é (cf. Mt 5,48). Os santos são discípulos exemplares
de Jesus Cristo e ajudam os seus irmãos a conhecerem os caminhos do
Evangelho e da imitação de Jesus Cristo. Mostra ainda que participamos
de uma Comunidade, a Igreja, que, apesar de tantas falhas de seus
filhos, tem em seu seio verdadeiros heróis da fé e do amor, pessoas
como nós que hoje, na glória de Deus, intercedem por nós.
8. O que é
o culto (veneração) dos santos?
R:
Cristo é a cabeça de um Corpo que é a Igreja, cujos membros são todos
os cristãos. Existe, então, entre a Cabeça e o Corpo uma comunhão de
vida e de interesses entre Cristo e os cristãos, assim como os
cristãos entre si. Os santos são membros do Corpo Místico de Cristo
nos quais a Redenção alcançou a plenitude dos seus frutos. Terminada a
peregrinação terrestre, plenamente compenetrados pelo amor de Cristo e
configurados n’Ele, os santos gozam atualmente da visão de Deus face a
face. Conscientes desta verdade, os cristãos, desde os primeiros
séculos, entendendo que esta nova situação não cancela a comunhão e a
solidariedade, começaram a venerar santos como intercessores em favor
daqueles que ainda peregrinam pelas estradas deste mundo, entre as
suas vicissitudes.
Na perfeição dos santos, os
cristãos, em primeiro lugar, adoram, louvam e bendizem a obra do
Criador e Redentor, a expressão perfeita de sua sabedoria e vitória.
Segundo, invocando a bondade de Deus e de suas obras, o culto dos
santos desperta nos que estão em estado de peregrinação o desejo de
chegarem também eles à Jerusalém celeste, onde se encontram os
bem-aventurados. A intercessão dos justos, sobretudo, dos que
alcançaram a plenitude, sendo agradável a Deus (cf. Gn 18,22-32), pode
obter as graças espirituais e materiais para aqueles que necessitam
conseguir a plenitude da Redenção (cf. Rm 8,29). Trata-se de uma
comunhão em que, os santos, em virtude de sua caridade, não podem
deixar de orar por quem não “está ainda na Pátria, mas a caminho”.
A intercessão dos santos não
tem a função de informar Deus de necessidades que lhe são ignoradas,
mas, sobretudo, de fazer com que os fiéis possam compreender e
corresponder mais plenamente ao plano e à vontade de Deus.
9. Os
santos intercedem por nós junto de Deus?
R:
Todos nós que vivemos na graça de Deus estamos em comunhão com Deus.
Somos ramos vivos da videira (cf. Jo 15,5), membros vivos do Corpo de
Cristo. Por isso, estamos unidos também entre nós, numa ligação
invisível, mas real (cf. Rm 12,4-5). É uma comunhão no amor. Por isso
eu posso rezar por alguém ou pedir que alguém reze, interceda por mim:
porque estou ligado a Cristo e, n’Ele, ao meu irmão. Da mesma forma,
posso pedir a um santo canonizado que interceda por mim junto ao
Senhor. Gozando da intimidade com Deus, certamente ele intercederá por
minhas intenções, para que o reino de Deus se realize (cf. Mt 6,33).
10. Como
entender a doutrina das indulgências?
R:
A doutrina e a prática das indulgências na Igreja estão estritamente
ligadas aos efeitos do Sacramento da Penitência (CIC, 1471).
“Indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida aos
pecados já perdoados, quanto à culpa, que o fiel, devidamente disposto
e em certas e determinadas circunstâncias, alcança por meio da Igreja,
a qual, como dispensadora da redenção, distribui e aplica, com
autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos santos. A
indulgência é parcial ou plenária, conforme libera total ou
parcialmente da pena devida pelos pecados” (Paulo VI,
Indulgentiarum doctrina, normas 1-3.). “Qualquer fiel pode
alcançar indulgências parciais ou plenárias para si mesmo ou
aplicá-las aos defuntos como sufrágio” (cân. 994). As indulgências
existem porque o pecado tem uma dupla conseqüência: o pecado grave
priva-nos da comunhão com Deus e, conseqüentemente, nos torna
incapazes da vida eterna; esta privação se chama pena eterna do
pecado. Por outro lado, todo pecado, mesmo venial, acarreta um apego
prejudicial às criaturas que exige purificação, quer nesta vida, quer
depois da morte, no estado chamado purgatório. A purificação liberta
da chamada pena temporal do pecado, que permanece mesmo após a
confissão sacramental e o perdão. Obras de misericórdia, a caridade,
orações e práticas de penitência podem produzir a graça da indulgência
parcial ou total. Ao conferir as indulgências, a Igreja, que recebeu
de Cristo o poder de ligar e desligar, intervem a favor dos cristãos,
abrindo-lhes os tesouros dos méritos de Cristo e dos santos, para
obter do Pai a remissão das penas temporais devidas aos pecados.
11. Os
católicos adoram imagens?
R:
Cristo assumiu um verdadeiro corpo humano, por meio do qual Deus
invisível se tornou visível. Por essa razão, Cristo pode ser
representado e venerado nas santas imagens.
O que Deus no Antigo
Testamento proíbe é fazer imagens para serem adoradas como deuses (Ex
20,4). Mas não proíbe fazer outras imagens (Ex 25,18-20; Num 21,8-9; 1
Rs 6,23-35 e 7,29). A bíblia mesma diz que Deus fez o homem e a mulher
“à sua imagem e semelhança” (Gn 1,26-27).
A imagem faz parte da
linguagem humana, é a representação de alguma pessoa, coisa, idéia.
Assim, o desenho de uma flor, as fotos de uma pessoa e a pintura de
uma paisagem são imagens.
A imagem de Cristo é o ícone
por excelência. As outras que representam Nossa Senhora e os santos,
significam Cristo, que nelas é glorificado. Proclamam a mesma mensagem
evangélica que a Sagrada Escritura transmite mediante a palavra e
ajudam a despertar e a nutrir a fé dos crentes.
A Tradição cristã reconheceu
reiteradamente o valor pedagógico e psicológico das imagens como
suportes para a catequese, a oração e a evangelização. Numa época das
imagens, como a que vivemos, o uso das imagens cristãs pode ser uma
grande contribuição para a evangelização. Mas é claro que o católico
não adora a imagem, e sim, venera aquele que é representado por ela, e
adora somente a Deus.
12. Por que
a Igreja batiza crianças?
R:
A Bíblia não se refere explicitamente ao Batismo de Crianças, mas
narra que vários personagens pagãos professaram a fé cristã e se
fizeram batizar “com toda a sua casa”: Cornélio, o centurião romano
(At 10,1s.24.44.47s), a negociante Lídia de Filipos (at 16,14s), o
carcereiro de Filipos (At 16,31-33), Crispo de Corinto (At 18,8), a
família de Estéfanas (1 Cor 1,16). A expressão “casa” designava o
chefe de família com todos os seus domésticos, inclusive as crianças
(que, certamente, não faltavam, naqueles tempos). Portanto,
indiretamente, as Escrituras sugerem o Batismo de crianças.
Desde os primeiros séculos
existem testemunhos diretos a respeito do Batismo de crianças. Santo
Agostinho, no século IV, considerou inclusive como tradição recebida
dos apóstolos. Recorrendo à Sagrada Escritura e à Tradição, os Papas e
Concílios intervieram, muitas vezes, para recordar aos cristãos o
dever de batizar os filhos pequeninos.
Os pais, quando pedem o
batismo de seus filhos, desejam para eles a vida eterna, verdadeira e
feliz, mas não podem garantir este dom durante todo o tempo futuro e
desconhecido. Por isso, querem inserir seus filhos na vida divina. E o
fazem por meio do Batismo. E desta forma se tornam os primeiros
responsáveis pela educação da fé de seus filhos e afilhados.
13. Se a
Bíblia diz: “Quem pode perdoar os pecados senão só Deus”? (Mc 2,7),
por que confessar-se com o padre?
R:
Jesus no Evangelho, confiou o ministério da remissão dos pecados aos
seus discípulos. Antes da Paixão, prometeu a Pedro (Mt 16,19) e aos
outros apóstolos (Mt 18,18) o poder de ligar e desligar na terra e no
céu. Depois da ressurreição, confiou aos onze a faculdade de perdoar
ou reter os pecados (Jo 20,21-23). Com o poder das chaves, entregou
aos seus ministros a incumbência de ouvir a confissão sacramental dos
pecadores, habilitando-os, ao mesmo tempo, a absolver ou repreender em
seu nome. Segue-se, então, que a confissão aos bispos e aos sacerdotes
foi atestada pelos documentos já na antiga literatura cristã. Além
disso, deve-se considerar que o pecado não é somente um ato que atinge
a Deus e ao mesmo pecador; tem profundas conseqüências para as outras
pessoas, para a comunidade dos irmãos. Compreende-se, então, que a
remissão outorgada por Deus passe através dos ministros da Igreja,
enquanto representantes da comunhão dos santos e o próprio Deus.
14. Para o
católico, o casamento é sacramento indissolúvel. Como entender?
R:
“Radicada na doação pessoal e total dos cônjuges e exigida pelo bem
dos filhos, a indissolubilidade do matrimônio encontra a sua verdade
última no desígnio que Deus manifestou na revelação: Ele quer e
concede a indissolubilidade matrimonial como fruto, sinal e exigência
do amor absolutamente fiel que Deus Pai manifesta pelo homem e que
Cristo vive para com a Igreja” (FC 20).
Em alguns textos o Novo
Testamento trata da indissolubilidade do matrimônio (Mc 10,11s; Lc
16,18; 1 Cor 7,10s; Mt 5,31s; Mt 19,6). Trata-se de uma
indissolubilidade objetiva, derivada do projeto salvífico de Deus e de
sua ordem de valores, independente da subjetividade dos contraentes;
quem contrai o matrimônio cristão deve sabê-lo de antemão. Jesus assim
o diz: “O que Deus uniu o homem não o deve separar” (Mt 19,6); então,
por sua índole mesma, o matrimônio é indissolúvel.
A Tradição Cristã, desde os
primeiros séculos, apresentou diversas vozes importantes (Tertuliano,
Clemente de Alexandria Orígenes, Ambrósio e Agostinho como exemplos)
favoráveis à indissolubilidade do matrimônio religioso validamente
contraído. No decorrer dos séculos, a doutrina da indissolubilidade
foi sempre reafirmada pelos concílios e pelas declarações pontifícias.
15. Quem é
o Papa para nós, católicos?
R.
O Papa é o sucessor do apóstolo Pedro, o bispo de Roma que Jesus
constitui como “perpétuo e visível fundamento da unidade” (LG 23).
Como sucessor de Pedro, o Papa conduz a Igreja de Cristo, o Filho do
Deus vivo (Mt 16,16). Sua autoridade é expressão do amor a serviço da
unidade. Na expressão de Gregório Magno, ele é o “Servo dos Servos de
Deus”.
O Papa é o pastor de toda a
Igreja. O Senhor confiou a Pedro todo o rebanho (Jo 21,15-17). Na
cidade de Roma, Pedro desempenhou o seu ministério e foi martirizado.
Assim o Papa, com os bispos unidos a ele, conserva o testemunho do
martírio de Pedro e também de Paulo, sendo o sinal visível da unidade
da Igreja. Sua presença expressa e significa a continuidade da Palavra
de Cristo e da doutrina dos Apóstolos na Igreja, a segurança da fé, da
esperança e da caridade.
O Papa tem a missão de
confirmar toda a Igreja na fé, continuando a mesma tarefa que Cristo
deu a Pedro: “Eu roguei por ti para que a tua fé não desfaleça; e tu,
por tua vez, confirma os teus irmãos” (Lc 22,32). O Papa, com os
bispos unidos a ele, tem a missão de conservar a Igreja fiel ao
Evangelho e ao testemunho dos apóstolos.
Todo
católico, além de conhecer e viver a Palavra de Deus, de dar
testemunho da sua fé em Cristo, de participar da comunidade eclesial,
espaço de testemunho, de serviço, de diálogo e de anúncio, ama e
respeita o Papa e os Bispos como seus legítimos pastores. Ora por eles
e obedece às orientações da Igreja Católica.
16. O
católico pode acreditar na reencarnação?
R:
O
católico não pode crer na reencarnação, a teoria segundo a qual a
alma, deixando o corpo após a morte, passaria para outro corpo. A
Bíblia ensina que cada pessoa tem uma só existência sobre a terra e
que, após essa vida, comparece diante de Deus para ser julgada. Diz a
Carta aos Hebreus (9,27): “Está estabelecido que os homens morram uma
só vez e, depois disso, o juízo.” De fato, Jesus e os Apóstolos não
pregaram a reencarnação e sim a ressurreição dos mortos: “Vem a hora
em que todos os que estão nos sepulcros hão de ouvir a voz do Filho do
homem. Os que praticaram o bem irão para a ressurreição da vida, e
aqueles que praticaram o mal ressuscitarão para serem condenados” (Jo
5, 28-29; 6,54; Mc 3,29; 9,43-48). Da mesma forma, os Apóstolos
ensinaram que a ressurreição de Cristo é garantia da nossa
ressurreição (cf. 1Cor 15,12-19). A Igreja nos convida a vigiar
“constantemente, a fim de que, terminando o único curso de nossa vida
terrestre, possamos entrar com Cristo para as bodas e mereçamos ser
contados entre os benditos!” (LG, 48).
17. Qual a
doutrina da Igreja Católica sobre o purgatório?
R:
O
Purgatório é a purificação final dos eleitos que morreram na graça e
na amizade de Deus, mas que não alcançaram, ainda, a santidade
necessária para usufruir da alegria celestial. Esta doutrina tem como
ponto de referência vários textos da Sagrada Escritura, a exemplo de 1
Cor 3,13-15, no qual São Paulo fala de pecados leves que serão
queimados pelo fogo: “... o fogo provará o que vale, o trabalho de
cada um. Se a construção resistir, o construtor receberá a recompensa.
Se pegar fogo, arcará com os danos. Ele será salvo, porém passando de
alguma maneira através do fogo”. Lemos, ainda em Pd 1,7, quando o
Apóstolo nos fala sobre a ressurreição e a esperança da salvação: “...
para que a prova a que é submetida a vossa fé (mais preciosa que o
ouro perecível, o qual, entretanto, não deixamos de provar ao fogo)
redunde para vosso louvor, para vossa honra e para vossa glória,
quando Jesus Cristo se manifestar”. A purificação final nada tem a ver
com o castigo dos condenados. Não podemos nos esquecer que Deus é rico
em misericórdia, mas também o justo juiz.
18. Quem
fundou a Igreja Católica Apostólica Romana?
R:
A
Igreja de Deus foi prefigurada desde a criação do mundo. O Antigo
Testamento se refere às alianças de Deus com o justo Abel, com Noé e
com Abraão. Dessas alianças, voltadas para a adoração do Criador e
para a busca da salvação, nasceu verdadeira comunhão de Deus com os
seres humanos. A Igreja foi preparada na história do antigo Israel e
na antiga aliança. Segundo São Paulo, ela é herdeira das promessas que
Deus fez a Abraão (cf. Gl 3,15-19), pois a descendência de Abraão não
foi segundo a carne, mas segundo a fé. Do antigo Israel, a Igreja
recebeu as Escrituras do Antigo Testamento. Mesmo o Novo Testamento
originou-se, de certo modo, de uma leitura cristológica do Antigo
Testamento, pois Cristo é a realização das promessas nele contidas. A
Igreja foi fundada por Cristo, através da pregação do Evangelho, o
envio dos discípulos em missão, sua paixão, morte e ressurreição e
através do envio do Espírito santificador sobre os apóstolos. O
Concílio Vaticano II, na Constituição sobre a Igreja chamada Lumen
Gentium, fala de atos fundantes da Igreja, realizados pelo
Senhor. Atos fundantes da Igreja foram, por exemplo, a convocação dos
Doze; a instituição da Eucaristia; a Ressurreição de Jesus e a vinda
do Espírito Santo. A Igreja é a comunidade em que o Ressuscitado está
presente: “Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos
séculos” (Mt 28,20). Foi manifestada em Pentecostes: “Ide, portanto, e
ensinai a todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do
Espírito Santo” (Mt 28,19).
19. Em que
a Igreja Católica difere das demais Igrejas cristãs?
R:
Apesar da divisão entre os cristãos, ao longo da história, a
verdadeira Igreja de Jesus Cristo não desapareceu, nem foi perdida:
ela subsiste na Igreja Católica. Esta possui todos os elementos de
eclesialidade que encontramos no Novo Testamento: a mesma fé, os sete
sacramentos, a sucessão do colégio apostólico, a dimensão episcopal, a
sucessão do ministério petrino exercido pelo papa, o ministério da
Palavra não só como anuncio, mas também como magistério autêntico,
isto é, como ensino normativo em nome de Cristo. Em nenhum outro lugar
se encontra, como na Igreja Católica, a plenitude dos meios salvíficos
queridos por Cristo.
20. O que
vem a ser Ecumenismo?
R:
É
a aproximação, a cooperação entre os cristãos, a busca fraterna da
superação das divisões entre as diferentes Igrejas cristãs: os
católicos, os ortodoxos, os anglicanos e os protestantes, crentes e
evangélicos. O Concílio Vaticano II assim apresenta o movimento
ecumênico: “Dele participam os que invocam o Deus Trino e confessam a
Jesus como Salvador e Senhor, não só individualmente, mas também
reunidos em assembléias, onde ouviram o Evangelho e que declaram, cada
um, ser sua Igreja e a de Deus. Quase todos, porém, embora
diversamente, desejam uma Igreja de Deus una e visível, que seja
verdadeiramente universal e enviada ao mundo inteiro a fim de que o
mundo se converta ao Evangelho e assim seja salvo para a glória de
Deus” (Unitatis Redintegratio 1).
21.
Santificação do sábado ou do domingo?
R:
A
Bíblia ordena: “Lembra-te de santificar o dia de sábado” (Ex 20,8).
Por que então os católicos guardam o domingo? A palavra sábado
vem do hebraico shabat que significa “descanso”. É dia de
descanso em honra de Deus. Para os cristãos, o dia sabático consagrado
a Deus é o domingo. Em Marcos 2,27-28, afirma Jesus: “O sábado foi
feito para o homem e não o homem para o sábado. Por isso, o Filho do
Homem é Senhor também do sábado.” Fatos relevantes da vida do Senhor e
da Igreja primitiva aconteceram no domingo, como, por exemplo, a
Ressurreição e Pentecostes. A Igreja primitiva reunia-se no primeiro
dia da semana (At 20,7; 1Cor 16,2). Em Apocalipse 1,10, São João
Evangelista já usa a nova denominação cristã, “domingo, dia do
Senhor”, o dia de sua ressurreição e da vinda do Espírito Santo à
Igreja da Nova e Eterna Aliança, como o atesta toda a tradição cristã
(Mc 16,9 e At 2,1). Por esta razão a Igreja Católica observa o
domingo como dia consagrado ao Senhor.
22. A
Bíblia é a única fonte da fé?
R:
Para nós católicos, a Bíblia não é a única fonte de fé. Além da
Bíblia, existem a tradição apostólica e o magistério da Igreja. Tanto
o Antigo como o Novo Testamento foram divulgados pela tradição oral
antes de serem escritos. O Novo Testamento somente ficou completo no
final do primeiro século. Sempre coube ao Magistério da Igreja
garantir a autenticidade dos textos bíblicos e sua legítima
interpretação.
23. Por que
os fiéis honram a Eucaristia e lhe prestam o culto máximo de adoração?
R:
Quem recebe a comunhão eucarística deve estar em estado de graça, pois
a Eucaristia contém o próprio Cristo Senhor, que nela se oferece e se
recebe, mediante os sinais do pão e do vinho consagrados. Pela
Eucaristia, a Igreja continuamente vive e cresce. A Eucaristia é o
memorial da morte e da ressurreição do Senhor, confiado à Igreja, pelo
qual se perpetua, pelos séculos, o sacrifício da cruz. Os fiéis têm em
máxima honra a Eucaristia e, por isso, buscam participar ativamente da
celebração eucarística, recebê-la muitas vezes, com a máxima devoção e
prestar-lhe culto de suprema adoração. A Eucaristia é a presença real
de nosso Senhor Jesus Cristo. A Eucaristia significa e realiza a
unidade do povo de Deus, é o ápice e a fonte de todo o culto e da vida
cristã. (Cf. cânones 897-898; SC 47; LG 11 e PO 5, entre outros
documentos.) Uma vez que Cristo mesmo está presente no Sacramento do
altar também depois da celebração da Missa, é preciso honrá-lo com um
culto de adoração. “A visita ao Santíssimo Sacramento é uma prova de
gratidão, um sinal de amor e um dever de adoração para com Cristo,
nosso Senhor” (Cf. CIC 1418.).
24. O que
diferencia a Bíblia dos Católicos?
R:
As Sagradas Escrituras contêm a Palavra de Deus e, por serem
inspiradas, são verdadeiramente Palavra de Deus” (DV 24). A Igreja
venera como inspirados os 46 livros do Antigo (45, se considerarmos
Jeremias e Lamentações juntos) e os 27 livros do Novo Testamento. A
Bíblia Católica é completa, isto é, contém todos os livros que formam
o conjunto das Sagradas Escrituras. Esta lista completa é denominada
“Cânon” das Escrituras. Nas versões protestantes, faltam os livros de
Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, 1 e 2 de Macabeus e
partes dos livros de Ester e de Daniel. “A interpretação da Escritura
está sujeita, em última instância ao juízo da Igreja, que exerce o
divino mandato do guardar e interpretar a Palavra de Deus” (DV 12,3).
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