Introdução

Saudações: ao ensejo deste centenário

Justificativa: ministério do Bispo, serviço a Deus e aos irmãos

Nossa realidade: uma mudança de época

Motivação fundamental: glorificar o nome do Senhor

 

O Vaticano II e a Igreja em Campinas

Os primeiros Planos de Pastoral Orgânica e a Revisão Ampla

Da Revisão Ampla ao 6º PPO

Nosso Objetivo Geral da Ação Pastoral

 

II - Visitas pastorais celebrando o Centenário

Visita do Sucessor dos Apóstolos promovendo a unidade

Confirmando a caminhada de uma Igreja toda ministerial

Centenário: monumentos de fé, esperança e caridade

 

III - Igreja da caridade e Missão: nossa perspectiva futura

Nossa fé é eclesial: creio com a fé da Igreja

Igreja da caridade-solidariedade e da missão

Construindo comunhão e participação

 

IV - Rumo ao 7º Plano de Pastoral Orgânica

A Igreja que queremos ser

Comunidade de comunidades de fé e vida

Alimentos da Igreja da Caridade: Palavra, Eucaristia, Amizade

a) Pão da Palavra: alimento da vida comunitária e da missão

b) Pão da Eucaristia: fonte de missão e vida solidária

c) Pão da Amizade: para testemunhar o amor

Igreja Missionária do Reino de Deus

Formação contínua: da fé messiânica à fé no poder da cruz e ressurreição

Igreja da Solidariedade: opção pelos pobres

Chamados à santidade

 

Conclusão

Caminhemos na esperança

Com Maria, Mãe de Jesus

Bendizendo o Nome do Senhor

 

 

 

 

III - IGREJA DA CARIDADE E MISSÃO: NOSSA PERSPECTIVA FUTURA

 

Nossa fé é eclesial: creio com a fé da Igreja

 

30. A primeira beneficiária da salvação é a Igreja, novo Povo de Deus (1Pd 2,9) adquirido por Cristo com seu sangue (At 20,28) tornando-a sua cooperadora na obra da redenção. O Concílio deu realce ao papel da Igreja na obra da salvação. Ao mesmo tempo em que reconhece que Deus ama a todos os homens e mulheres e lhes dá a possibilidade de serem salvos, a Igreja professa que Deus constituiu Jesus Cristo como único mediador e que ela própria foi posta como instrumento universal de salvação (LG 48).

 

Em nossa profissão de fé: “creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica”, a Igreja é entendida a partir do Espírito Santo, como o lugar em que Ele atua neste mundo. Na Comunidade de fé somos chamados a viver a conversão (batismo), a união-comunhão (Eucaristia) e os demais sacramentos.

 

A mediação eclesial é componente chave de nossa fé. Eu creio dentro da Igreja: nossa fé é eclesial. Devemos reafirmar nossa pertença á Igreja com muita convicção, especialmente nessa época em que a tentação mais comum é a de ser cristão sem Igreja, ou seja: seguir Cristo, sim, pertencer á Igreja não (cf. DA n. 156). Sabemos que Cristo é inseparável da Igreja e do Reino de Deus, são três realidades inseparáveis entre si: “Mesmo sendo distinta de Cristo e do Reino, a Igreja está unida indissoluvelmente a ambos” (João Paulo II - RM n. 18).

 

31. Quero convidar a todos para considerarem o que diz o documento de Aparecida ao reafirmar a unidade vinculante entre Cristo, Reino e Igreja: “A condição de discípulo brota de Jesus Cristo como de sua fonte, pela fé e pelo batismo, e cresce na Igreja, comunidade onde todos os seus membros adquirem igual dignidade e participam de diversos ministérios e carismas. Desse modo, realiza-se na Igreja a forma própria e específica de viver a santidade batismal a serviço do Reino de Deus” (DA n. 184).

 

32. Coloco também para consideração de todos a realidade histórica da Igreja. Ela é divina e humana, é peregrina na história e por isso não pode ser somente espiritual e invisível. É encarnada e aparece como corpo social, “organismo visível, sociedade dotada de órgãos hierárquicos” (LG n. 8). Nela todo poder é serviço exigente à liberdade dos filhos de Deus em nome de Jesus Cristo o Servo de todos. Daí a necessidade da instituição. A liberdade sem a instituição vira anarquia e morre, a instituição sem liberdade acaba se tornando sistema impessoal. A Igreja é sociedade (porque constituída de pessoas), instituição (porque é organizada), mas não é sistema, porque é comunidade de encontro pessoal e portanto é comunhão na força do Evangelho.

 

33. Alerto a todos para que tenhamos cuidado, a fim de não sermos vítimas de concepções ideológicas de Igreja quais sejam: Igreja reduzida á idéia de sindicato: luta pela justiça esquecendo-se da misericórdia. Igreja vista como clube: convivência fraterna esquecida da missão. Igreja concebida como assistência social: sociedade de utilidade pública esquecida da espiritualidade que empenha em favor do Evangelho.Igreja confundida como partido político: trabalho limitado com e para pessoas que tem os mesmos projetos sociais e a mesma ideologia. Todas estas visões distorcidas tendem a considerar a Igreja somente no seu aspecto sociológico, ou seja, no seu elemento terrestre excluindo o mistério e seu horizonte escatológico. Mistério que a envolve na sua realidade na qual se fundem dois elementos: o humano e o divino (LG n. 8).

 

 

Igreja da Caridade como Solidariedade e Missão

 

34. Em preparação ao jubileu da redenção, a Igreja do Brasil pode desenvolver o projeto “Ser Igreja no Novo Milênio”. As reflexões propostas tinham sua base nos textos dos Atos dos Apóstolos. É recordando este projeto, que tanto nos ajudou a clarear e firmar nossas convicções a respeito do ser da própria Igreja e de nosso ser na Igreja, que desejo falar sobre a Igreja. Os “retratos da Igreja” (At 2,42-47; 4, 32-37; 5, 12-16) que os Atos nos trazem são paradigmáticos para a Igreja de sempre, é um projeto sempre em movimento para alcançarmos a meta de  sermos uma Igreja cada vez mais parecida com Jesus, no amor do Pai e na força do Espírito, a serviço do Reino. A fé apostólica, a escuta da Palavra, a Fração do Pão, a comunhão fraterna, a oração em comum, a partilha e a missão evangelizadora, são elementos constitutivos da eclesialidade.

 

35. Em sua primeira encíclica, o Santo Padre Bento XVI enfoca a Igreja

como “Comunidade de Amor”: “O Espírito é força que transforma, o coração da comunidade eclesial, para ser, no mundo, testemunha do amor do Pai, que quer fazer da humanidade uma única família, em seu Filho. Toda a atividade da Igreja é manifestação de um amor que procura o bem integral do homem: procura a sua evangelização por meio da Palavra e dos Sacramentos” (DCE n. 19).

 

O papa João Paulo II, afirmara que a caridade é verdadeiramente o coração da Igreja. E ainda que no novo século a Igreja também terá necessidade de muitas coisas para sua caminhada histórica, mas se faltar a caridade (ágape), tudo será inútil. Afirma também que, se verdadeiramente contemplamos o rosto de Cristo, nossa programação pastoral não poderá deixar de inspirar-se no mandamento novo que Jesus nos deu (cf. NMI n. 42). Nesta perspectiva, propõe a toda a Igreja: “Fazer da Igreja a casa e a escola da comunhão: eis o grande desafio que nos espera no milênio que começa, se quisermos ser fiéis ao desígnio de Deus e corresponder às expectativas mais profundas do mundo” (NMI n.43).

 

 

Construindo comunhão e participação

 

36. Os bispos em Puebla indicam a Igreja como “mistério, comunidade fraterna de caridade teologal” (DP 567).Assim, em sintonia com o Magistério petrino, os bispos da América Latina, na perspectiva de Puebla, propuseram na Conferência de Aparecida, uma Igreja da caridade, lugar de comunhão e participação: “A Igreja latino-americana é chamada a ser sacramento de amor, solidariedade e justiça entre nossos povos” (DA n. 396), sem nos esquecermos do protagonismo dos leigos do qual nos fala o Episcopado em Santo Domingo.

 

Quero compartilhar com vocês, irmãos e irmãs um dos textos do Documento de Aparecida que mais me marcaram: “A América Latina e o Caribe não devem ser só o Continente da esperança. Além disso, devem também abrir caminhos para a civilização do amor” (DA 537). Em sua volta às fontes o Vaticano II ofereceu-nos uma eclesiologia comunitária, que Puebla leu na perspectiva de uma “Igreja de comunhão e participação” (DP 326). A Igreja é koinonia, palavra bíblica que remete ao mistério de Deus como comunhão que se revela: Deus é comunhão de amor.

 

 Vamos abraçar esta causa,

 fazendo nosso cada vez mais, este ideal:

 uma Igreja Missionária da Caridade como Amor-serviço solidário

 que brota da Palavra e da Eucaristia.

 

37. Igreja da caridade é comunhão. O discípulo-missionário é chamado a viver em comunhão com o Pai e com seu Filho na comunhão do Espírito Santo (1Jo 1,3;1Cor 13,13). O mistério da Trindade é fonte, modelo e meta do mistério da Igreja que brota da Trindade, a verdadeira, a melhor comunidade. “A vocação ao discipulado missionário é convocação à comunhão em sua Igreja. Não há discipulado sem comunhão” (DA n.156). E ainda: “A Igreja é comunhão no amor. Esta é sua essência e o sinal através do qual é chamada a ser reconhecida como seguidora de Cristo e servidora da humanidade” (DA n. 161). A comunhão é dom e tarefa, é graça e compromisso. A Igreja é comunhão em si tendo em vista criar comunhão no mundo estando assim a serviço do Reino de Deus.

 

Insisto na recomendação que fiz aos presbíteros e aos agentes durante minha visita pastoral no sentido de que todas as paróquias e comunidades tenham seus Conselhos de Pastoral (CPPs e CPCs) e também os Conselhos de Assuntos Econômicos (CAE) para ajudar na administração. São válidos e imprescindíveis instrumentos de comunhão e participação. Quero que em nossa Arquidiocese não sejam facultativos mas normativos.

 

38. Igreja da caridade é participação, digo participação pensando da inclusão de todos na vida comunitária. Participação na comunidade unida pelo amor, amor que gera critérios de participação comunitária segundo a vocação e os dons de cada um. Sejamos sim uma Igreja toda ministerial nesta perspectiva da participação.

 

A caridade busca a participação e inclusão de todos.Assim, esta participação intra-comunitária, deve estender-se como integração na pastoral, nos organismos e no empenho para que todos participem dos dons da vida. É preciso superar a privatização da caridade ampliando seus horizontes para que ela seja exercida como busca do bem comum, empenho pela justiça á luz da opção preferencial pelos pobres.Assim a caridade que promove a participação, adquire sua dimensão política quando é promoção integral da pessoa humana.          

 

A caridade é força de resistência contra a destruição do amor dentro da comunidade e da realidade social. Devemos lutar para não deixar arrefecer a caridade, devido à crescente iniqüidade social (Mt 24,12). “A caridade para com Deus e para com o próximo, é o sinal do verdadeiro discípulo de Cristo” (LG n. 42). A caridade como amor a Deus e aos irmãos é a síntese da vida moral do fiel cristão.

 

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