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II - VISITAS
PASTORAIS CELEBRANDO O CENTENÁRIO
Visita do sucessor dos Apóstolos promovendo a
unidade
19. A sugestão da
Coordenadoria de Pastoral, organismo por mim instituído para colaborar na
articulação pastoral de nossa Igreja, veio ao encontro de minha aspiração de
percorrer toda a Arquidiocese em visita pastoral conforme prescrito pelo
direito eclesial (cf. CDC cân. 398).
As visitas pastorais
constituem-se em prática da caridade pastoral por parte do bispo. Sendo
ainda uma forma aprovada e comprovada com a qual o bispo mantém contato com
sua Igreja. É ocasião para fazer reviver as energias dos operários do
evangelho, louvá-los, encorajá-los e confortá-los. É também ocasião para
chamar todos os fiéis à renovação da própria vida cristã e a uma ação
pastoral mais intensa.
A visita pastoral
permitiu-me avaliar os instrumentos destinados ao serviço pastoral, a
eficiência das várias iniciativas neste campo e ainda conhecer as
dificuldades e circunstâncias do trabalho de evangelização desenvolvido nas
várias comunidades e paróquias.
20. Todo o intenso
trabalho desenvolvido nestas visitas, de minha parte, da parte dos
presbíteros e agentes de pastoral, certamente nos fará crescer na unidade.
Unidade, sobretudo na ação evangelizadora que é tentada à fragmentação em
nossa cultura fragmentária. A unidade é essencial para os seguidores de
Jesus (Jo 17,11) por isso a Igreja deve ser uma casa e escola de comunhão e
o bispo é o animador desta comunhão.
21.
Porém a característica mais rica destas visitas
pastorais foi a vivência prática da apostolicidade, a presença do ministério
do bispo como legítimo sucessor dos apóstolos na sua função de ser
“princípio visível e fundamento da unidade em sua Igreja” (cf. LG 23). É ele
o promotor da unidade na fé, dos sacramentos e da disciplina eclesial. Em
nome de Cristo o bispo exerce um poder que é serviço de comunhão e
participação de todos os batizados.
Confirmando a caminhada de uma Igreja toda ministerial
22.
A visita pastoral que realizei por toda a
Arquidiocese, teve uma nova forma. O que norteou os trabalhos foi a busca de
integrar os vários serviços e dimensões de nossa Igreja, para que ela cresça
na unidade e diversidade: “uma só Igreja com muitos endereços”, como se
convencionou caracterizar em nosso meio, esta realidade de uma Igreja unida
no objetivo mas diversa na prática, nos ministérios e funções. Buscamos
integrar as Foranias como espaço de vida da Igreja, confirmando a caminhada
realizada até aqui graças aos esforços generosos de todos.
Não somente eu pude
visitar e percorrer as comunidades e paróquias, mas comigo elas foram
visitadas pelos presbíteros, diáconos e demais agentes de pastoral. As
Foranias tiveram oportunidade de se visitar e conhecer com mais intensidade,
a partir destas visitas que se constituíram numa prática enriquecedora para
todos. Estas visitas não foram apenas a visita do bispo aos fiéis, mas uma
visita com dimensão de festa de todos os participantes das comunidades entre
si. Irmãos visitando irmãos na grande família diocesana.
23. No sentido de
tornar visível a comunidade cristã como espaço de comunhão, participação e
co-responsabilidade as visitas foram feitas pautando os trabalhos em seis
coordenadas:
a) Ministério da Palavra: Reafirmei
a necessidade de conhecermos sempre mais o mistério que anunciamos: a
encarnação do Filho de Deus, morto na cruz e ressuscitado. Sendo discípulos
da Palavra, poderemos anunciá-la como missionários que testemunham com a
vida o que pregam. Daí a necessidade de participar dos pequenos grupos e
comunidades de base e de vivência cristã, círculos bíblicos e de estudo da
fé.
b) Ministério da Liturgia:
Toda a riqueza da vida e das ações pastorais de uma comunidade viva e
atuante, repercutem numa liturgia bem celebrada: o que se crê e vive é o que
se celebra e se reza. A liturgia deve levar ao encontro com Deus e a assumir
compromissos com seu Reino. A liturgia bem celebrada e vivenciada, a
participação nos sacramentos, dá a força necessária para perseverar.
c) Ministério da coordenação:
Na nossa realidade vivemos uma grande pluralidade pastoral e por isso
corremos o risco de fragmentar nossas iniciativas enfraquecendo assim nossa
ação. Precisamos de lideranças que saibam construir a unidade, que estejam a
serviço da unidade. É necessário que as comunidades continuem sempre com
mais vigor, valorizando seus Conselhos de Pastoral.
d) Ministério da Catequese:
serviço de importância capital, dos mais indispensáveis na Igreja. Todos os
planos de pastoral de nossa Igreja têm destacado a importância da formação.
Deseja-se uma formação continuada e atualizada, não fragmentada, que possa
promover a união entre fé e vida. Neste sentido a formação continuada de
catequistas e sua atuação conforme o Diretório da Catequese (CNBB- Doc.1
-2005) é imprescindível.
e) Ministério da Caridade:
A caridade jamais passará (1Cor 13,8) nos sentencia o apóstolo Paulo que
neste ano Paulino estamos celebrando de modo especial. A caridade é o
coração da Igreja e ela se expressa nas obras de misericórdia. Testemunho e
expressão da vivência comunitária em seu compromisso social. As pastorais
sociais adquirem cada dia mais relevância em nossa realidade urbana. Lembrei
da necessidade de aprimorá-las e incentivá-las.
f) Administração dos Bens.
Lembrei que os bens da Igreja estão a serviço da evangelização. Todos os que
são chamados a colaborar neste setor da vida das comunidades, devem faze-lo
com estrito senso evangélico. Quero dizer uma palavra de estímulo aos
Conselhos de Administração devido à sua importância para as comunidades, e
todo o conjunto da Arquidiocese.
24.
Em breves recordações procurei sintetizar
algumas das conclusões a
que chegamos juntos nestas
visitas pastorais. Confirmo tantas e tantas obras boas que estão sendo
realizadas. Bendigo a Deus por tantas maravilhas. No entanto chamo a todos
para intensificarmos sempre mais o processo de conversão contínua no qual
devemos estar empenhados, tanto em nível pessoal, eclesial e pastoral assim
como social “que leve a uma mudança de vida integral” (DA 226 a).
Sobretudo é necessária uma
permanente “conversão pastoral” (cf. DA 366), pois, novos desafios exigem
novas respostas pastorais. A renovação eclesial que envolve reformas
espirituais e estruturais se faz necessária (cf. DA 367), desenvolver uma
pastoral social orgânica e integral que possa, a partir da opção
preferencial pelos pobres e excluídos, assumir os novos rostos da pobreza
(cf. DA 391- 405) e enfim, uma renovada pastoral urbana.
Lembro ainda que o
Espírito Santo nos impele sempre por caminhos novos que hoje exigem de nós
uma criatividade pastoral maior, em especial para permearmos nossas
atividades com espírito missionário. Os desafios da cultura urbana exigem
“imaginação e criatividade para chegar às multidões” (DA n. 173).
Centenário: monumentos de fé, esperança e caridade.
25.
Comemorando o centenário de nossa Igreja de
Campinas queremos bendizer a Deus pelas inúmeras graças recebidas, pelas
realizações de tantos membros desta Igreja que não pouparam esforços,
entregando sua vida pela causa do Reino de Deus do qual a Igreja é
sacramento, isto é sinal e instrumento (LG 1).
“Cristo, Mediador único,
constituiu e sustenta indefectivelmente sobre a terra, como organismo
visível, a sua Igreja santa, comunidade de fé, de esperança e de caridade e
por meio dela comunica a todos a verdade e a graça” (LG 8). Foi pensando
nestas palavras dos padres conciliares que tive a inspiração de comemorarmos
nossa caminhada centenária não com monumentos de pedra, mas com monumentos
que sinalizem a fé, a esperança e a caridade, cerne da vivência eclesial.
26.
O monumento da fé está realizado na edição
especial de cem mil bíblias que foram impressas e distribuídas a um preço
módico a fim de que todos aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de
adquirir seu exemplar da bíblia o fizessem. A fé é acreditar num mundo novo
de liberdade evangélica e paz, no qual predominam os valores do Reino. Jesus
nos estimula à fé, a abrir os olhos para perceber que o que era impossível
se torna possível: a vida no amor-serviço na obediência ao Pai.. Assim ter
fé é viver a Palavra, acreditar nas promessas de Deus realizadas em Jesus, é
entrar na esperança.
27. O monumento à
esperança se caracterizou pelos jubileus durante o ano e pela semana de
oração intensamente vivida no mês de junho quando comemoramos o centenário
da criação da diocese na celebração da Eucaristia e a ordenação de quatro
novos presbíteros. Porém, teve seu início na festa de Corpus Christi de
2007, quando a diocese completou 99 anos e eu anunciei o jubileu que se
estendeu até dezembro de 2008. Ponto alto desta esperança que nos anima foi
também o grande encontro arquidiocesano para celebrar Maria, na Praça
Arautos da Paz onde foi realizado o 14°Congresso Eucarístico Nacional, dia
12 de outubro deste ano do Centenário. Centenário encerrado dia 08 de
dezembro com a santa missa presidida pelo Sr. Núncio Apostólico em nossa
Catedral.
Entendemos que somente ora
quem tem esperança, e como a esperança não decepciona, a oração também se
constitui em meio seguro para realizarmos o plano do Pai. Nossa época
concentra a vida cristã na esperança. Jesus em suas palavras e atos
despertou a esperança. Assegurou aos fracos e infelizes que a força de Deus
está com eles. É preciso ter consciência de que Jesus está no meio de nós
com a força do Espírito Santo. Esta certeza nos garante a esperança de que
um ser humano novo, uma sociedade nova, enfim, que um mundo novo é
possível.
28. O monumento à
caridade, erguido pela Arquidiocese na Casa Bom Samaritano, no centro da
cidade de Campinas será entregue aos cuidados da Toca de Assis, com a
finalidade de acolher os pobres e excluídos. Quisemos com isso testemunhar
com um monumento à solidariedade que sempre esteve presente na ação da
Igreja de Campinas, através das Missionárias de Jesus Crucificado, da
Cáritas Arquidiocesana, dos Vicentinos, Casa Santa Clara e Casa São
Francisco, inúmeras creches e orfanatos, hospitais e instituições de
caridade ligadas a nossa Igreja. Faço alusão também às pastorais sociais
como a Pastoral da Criança, Pastoral da Saúde, Pastoral Operária.
O amor é a única realidade
da pessoa humana que nunca desaparece: “o amor jamais passará” (1Cor 13, 8).
E o amor mais extremado é o amor preferencial de Jesus Cristo para com os
pobres. Deus é amor, diz S. João, o mesmo evangelista que na última ceia nos
explicita que o amor cristão é serviço, mesmo a autoridade é serviço, pois:
“Eu vos dou um novo mandamento: amem-se uns aos outros. Assim como eu amei
vocês, vocês devem se amar uns aos outros” (Jo 13,34). O cristianismo tem
seu centro no amor-serviço, tudo converge para o amor e tem utilidade á
medida que favorece o amor, pois “quem ama já passou da morte para a vida
eterna” (1Jo 3,14), e seremos reconhecidos por todos como discípulos de
Cristo se nos amarmos uns aos outros (cf. Jo . 13,35).
29. Assim
comemoramos nosso centenário com estes três monumentos que desejamos
ardentemente continuar construindo na prática do dia a dia de nossa Igreja.
Igreja que queremos enraizada nestas virtudes teologais, fé, esperança e
caridade, cerne da Boa Nova anunciada por Jesus de Nazaré. Igreja da
Eucaristia que em Atos dos Apóstolos, na dimensão da fé aparece unida na
doutrina dos apóstolos (Palavra), na dimensão da esperança aparece unânime
na oração e na dimensão da caridade aparece na comunhão fraterna que inclui
a partilha dos bens e a missão (At 2,42ss).

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