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CAMINHADA PASTORAL DE NOSSA IGREJA
Vaticano II e a Igreja de Campinas
10.
O Concilio Vaticano II representou para toda a
Igreja um momento de intensa ação do Espírito Santo, um “kairós”, um
tempo da Graça, verdadeira primavera como o definiu o papa João XXIII que o
convocou. A Igreja do Brasil foi integrada neste espírito conciliar de forma
especial. A participação do episcopado brasileiro teve presença modesta no
concílio, porém, pioneira na sua aplicação. A Igreja do Brasil chegou ao
final do concílio com um Plano de Pastoral de Conjunto, devidamente aprovado
para colocar em prática suas decisões. Em seis linhas de pastoral, este
plano sintetizava de maneira feliz as grandes diretivas do Vaticano II, que
a CNBB até hoje tem presente, sempre enfocadas pelas exigências do serviço,
diálogo, anúncio e comunhão, síntese da mentalidade do Concílio.
A Igreja de Campinas se
engajou de muitas maneiras na busca de corresponder ao desejo de aplicação
das diretrizes conciliares. Ocupou lugar de destaque em âmbito nacional,
mormente no tocante á renovação litúrgica através da CALMAS (Comissão
Arquidiocesana de Liturgia, Música e Arte Sacra). Foi, portanto, do Concílio
Vaticano II que nossa Igreja partiu para uma nova etapa evangelizadora na
sua história, com um novo dinamismo que desejamos seja sempre atual. Esta
nova etapa foi marcada pelo planejamento pastoral, a partir de Planos que
foram imprimindo um rosto próprio á nossa Igreja Arquidiocesana.
11.
Quero aqui reafirmar que o Concílio Vaticano II será sempre nossa inspiração
em todos os âmbitos da pastoral da Igreja Arquidiocesana. Assim, faço
minhas, as palavras do saudoso papa João Paulo II: “Sinto o dever de indicar
o Concílio como a grande graça de que se beneficiou a Igreja no século XX:
nele se encontra uma bússola segura para nos orientar no caminho do século
que se inicia”(NMI n. 57).
Os primeiros Planos de Pastoral Orgânica (PPO)
e a Revisão Ampla (RA)
12. O 1º PPO
(1975-1976) definiu quatro prioridades: Comunidades Eclesiais de Base,
Pastoral Familiar, Pastoral da Juventude e Formação de Agentes de Pastoral.
O 2º PPO (1977-1979) não continha um objetivo comum para toda a
Arquidiocese, cada uma das seis Regiões Pastorais escolheu seu objetivo e
seus programas.
Com o terceiro Plano de
Pastoral (1980 – 1984) colocou-se, a partir de um objetivo comum, quatro
prioridades: Comunidades Eclesiais de Base, Pastoral de Mundo do Trabalho,
Educação para a justiça, Socialização dos bens da Igreja e Apoio aos
movimentos populares. Com a prorrogação do 3º PPO (1985-1988),
desenvolveu-se uma avaliação do referido Plano, firmou-se um projeto comum:
formação de Agentes de Pastoral, e elaborou-se um objetivo comum a partir do
qual cada Região Pastoral viabilizou seus projetos próprios.
13. Após estes anos
de “Planejamento Pastoral participativo”, percebeu-se que houve crescimento
nas comunidades e organismos, mas foi constatada “uma certa fragmentação da
ação pastoral” (cf. Arquidiocese de Campinas, 6º Plano de Pastoral Orgânica
p. 34). Surge a necessidade de uma ampla revisão da caminhada de nossa
Igreja Arquidiocesana para a partir desta revisão poder assumir em comum os
trabalhos pastorais. Assim, aconteceu o Sínodo Diocesano que se convencionou
chamar de “Revisão Ampla” cuja abertura oficial aconteceu em 23 de
março de 1989. Em sua Carta Pastoral escrita por esta ocasião, D. Gilberto
lembra que “a Revisão Ampla quer ser um grito de alerta, um estímulo e um
impulso novo para esta Igreja.
Tendo em vista a RA, foi
criada a Comissão Executiva Arquidiocesana de Revisão Ampla
(CEARA). Ela foi a expressão do anseio participativo e da
co-responsabilidade em assumir os caminhos de nossa Igreja. O processo da
Revisão Ampla encerrou-se em 08 de dezembro de 1991, com a entrega do
documento final, intitulado “Uma Igreja Respondendo aos novos desafios”,
promulgado por D. Gilberto e entrando assim em vigor.
A Revisão Ampla foi para
nossa Igreja um momento riquíssimo de bênçãos e graças de Deus. Foi um tempo
favorável para renovar e unir todo o povo de Deus da Arquidiocese. Muito se
caminhou, mas podemos constatar que devemos voltar muitas vezes a esta fonte
cristalina que o Espírito fez brotar em nossa Igreja. Talvez não foram
aproveitadas na sua totalidade suas intuições e propostas.
Da Revisão Ampla ao 6º PPO
14. Como fruto
concreto da Revisão Ampla, constituiu-se a Coordenação Colegiada de Pastoral
(CCP) cujo primeiro desafio foi elaborar o 4º PPO (1992-1994). Foi então
assumido como Objetivo comum de nossa Igreja o Objetivo Geral da Ação
Pastoral da Igreja do Brasil e definidos dois projetos: Missão e Formação, e
dois grandes desafios: Mundo dos Excluídos e Comunicação. O 5º PPO
(1995-1998), mais complexo e elaborado teve como projetos comuns a Missão,
Formação e Juventude, seguindo-se os desafios concretos, exigências e os
projetos pastorais das Regiões.
Vale recordar que nossa
Igreja viveu intensamente o Projeto Rumo ao Novo Milênio (1996-2000) e no
ano 2001 o 14º Congresso Eucarístico Nacional, um verdadeiro marco na
história de nossa Igreja. Congresso cujo tema foi: “Eucaristia fonte da
missão e vida solidária”. Em vista de tudo isto o 5°PPO foi prorrogado.
15.
Após preparação apurada, elaborou-se e foi
aprovado em 04 de agosto de 2003 o 6º PPO (2003-2006). O objetivo geral
deste plano é evangelizar a realidade urbana, sendo três as linhas de ação
pastoral: Formação, Presença da Igreja na realidade social urbana e Espírito
e prática evangelizadora das Comunidades Eclesiais de Base.
Ao chegar na Arquidiocese
como novo arcebispo, em 01 de agosto de 2004 encontrei este plano em
andamento. No início de 2005, após consultar os organismos da Pastoral
Arquidiocesana, achei por bem prorrogar seu tempo de duração sendo que se
encontra em vigor até o momento.
A partir de 2008 começamos
a elaborar de forma participada os estudos para um novo plano que possa
atualizar e implementar nosso desempenho pastoral e evangelizador.
Nosso objetivo geral da ação pastoral
16. O “Objetivo
Geral” da Igreja de Campinas, que tem norteado nossa pastoral e que foi bem
expresso na Assembléia que elaborou o 6ºPPO, é tão atual hoje como na época
de sua formulação. Atinge o cerne daquilo que constitui a tarefa primordial
da Igreja. Assim o sintetizo: “Atentos à realidade e vivendo a mística
trinitária, evangelizar na força do Espírito, anunciando Jesus Cristo
e o projeto do Pai: o Reino de Deus”.
O objetivo geral do 6ºPPO
projeta uma Igreja que quer “caminhar á luz da opção preferencial pelos
pobres e excluídos, dando testemunho profético como Igreja de comunhão e
missão”. Este é um ponto capital da sintonia deste objetivo geral com a
eclesiologia do documento de Aparecida o qual assim se exprime: “No povo de
Deus, a comunhão e a missão estão profundamente unidas entre si... A
comunhão é missionária e a missão é para a comunhão. Nas Igrejas
particulares, todos os membros do povo de Deus, segundo suas vocações
específicas, são convocados à santidade na comunhão e na missão” (DA n.
163).
A metodologia, ou caminho
para se atingir a realização deste objetivo geral, passa pela comunhão e
participação, convivência fraterna na aceitação da diversidade e compromisso
evangélico conscientemente assumido.
17.
Chamo a atenção para a ênfase missionária que
deve permear nossa ação pastoral, a partir da Conferência de Aparecida, cujo
objetivo foi “proteger e alimentar a fé do Povo de Deus e recordar aos fiéis
que em virtude de seu batismo, são chamados a ser discípulos e missionários
de Jesus Cristo” (DA n. 10).
Chamo a atenção também
para a importância do Objetivo Geral no planejamento de Pastoral. Aqui faço
minhas as palavras de D. Gilberto escritas na apresentação do 6°PPO: “Nem
todas as comunidades tem o mesmo modo de agir, nem igual maneira de pensar a
pedagogia da ação libertadora, em seus critérios evangélicos. É nessa
perspectiva que damos uma importância especial ao nosso objetivo geral”.
As linhas comuns de ação
pastoral são importantes e indicativas, mas, em um planejamento pastoral,
que deseja fazer a unidade pastoral respeitando as diferenças e
peculiaridades de cada comunidade em sua realidade, é o objetivo geral a
referência principal e mais importante.
No objetivo geral é
exigida e necessária a unidade, na aplicação deve haver criatividade.
18. Quero assim, em
sintonia com todos os bispos da CNBB, implementar em nossa Igreja o objetivo
geral da pastoral da Igreja do Brasil aprovado na 46º Assembléia dos bispos
neste ano, o qual proponho como norma para todos os nossos trabalhos
pastorais:
“Evangelizar
A partir do encontro
com Jesus Cristo,
como discípulos
missionários,
à luz da evangélica
opção preferencial pelos pobres,
promovendo a dignidade
da pessoa, renovando a comunidade,
participando da
construção de uma sociedade justa e solidária,
para que todos tenham
vida e a tenham em abundância (Jo10,10)
”(cf.
DGAE-CNBB/Doc n..87-2008)

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