Introdução

Saudações: ao ensejo deste centenário

Justificativa: ministério do Bispo, serviço a Deus e aos irmãos

Nossa realidade: uma mudança de época

Motivação fundamental: glorificar o nome do Senhor

 

O Vaticano II e a Igreja em Campinas

Os primeiros Planos de Pastoral Orgânica e a Revisão Ampla

Da Revisão Ampla ao 6º PPO

Nosso Objetivo Geral da Ação Pastoral

 

II - Visitas pastorais celebrando o Centenário

Visita do Sucessor dos Apóstolos promovendo a unidade

Confirmando a caminhada de uma Igreja toda ministerial

Centenário: monumentos de fé, esperança e caridade

 

III - Igreja da caridade e Missão: nossa perspectiva futura

Nossa fé é eclesial: creio com a fé da Igreja

Igreja da caridade-solidariedade e da missão

Construindo comunhão e participação

 

IV - Rumo ao 7º Plano de Pastoral Orgânica

A Igreja que queremos ser

Comunidade de comunidades de fé e vida

Alimentos da Igreja da Caridade: Palavra, Eucaristia, Amizade

a) Pão da Palavra: alimento da vida comunitária e da missão

b) Pão da Eucaristia: fonte de missão e vida solidária

c) Pão da Amizade: para testemunhar o amor

Igreja Missionária do Reino de Deus

Formação contínua: da fé messiânica à fé no poder da cruz e ressurreição

Igreja da Solidariedade: opção pelos pobres

Chamados à santidade

 

Conclusão

Caminhemos na esperança

Com Maria, Mãe de Jesus

Bendizendo o Nome do Senhor

 

 

 

 

CAMINHADA PASTORAL DE NOSSA IGREJA

 

Vaticano II e a Igreja de Campinas

 

10. O Concilio Vaticano II representou para toda a Igreja um momento de intensa ação do Espírito Santo, um “kairós”, um tempo da Graça, verdadeira primavera como o definiu o papa João XXIII que o convocou. A Igreja do Brasil foi integrada neste espírito conciliar de forma especial. A participação do episcopado brasileiro teve presença modesta no concílio, porém, pioneira na sua aplicação. A Igreja do Brasil chegou ao final do concílio com um Plano de Pastoral de Conjunto, devidamente aprovado para colocar em prática suas decisões. Em seis linhas de pastoral, este plano sintetizava de maneira feliz as grandes diretivas do Vaticano II, que a CNBB até hoje tem presente, sempre enfocadas pelas exigências do serviço, diálogo, anúncio e comunhão, síntese da mentalidade do Concílio.

 

A Igreja de Campinas se engajou de muitas maneiras na busca de corresponder ao desejo de aplicação das diretrizes conciliares. Ocupou lugar de destaque em âmbito nacional, mormente no tocante á renovação litúrgica através da CALMAS (Comissão Arquidiocesana de Liturgia, Música e Arte Sacra). Foi, portanto, do Concílio Vaticano II que nossa Igreja partiu para uma nova etapa evangelizadora na sua história, com um novo dinamismo que desejamos seja sempre atual. Esta nova etapa foi marcada pelo planejamento pastoral, a partir de Planos que foram imprimindo um rosto próprio á nossa Igreja Arquidiocesana.

 

11. Quero aqui reafirmar que o Concílio Vaticano II será sempre nossa inspiração em todos os âmbitos da pastoral da Igreja Arquidiocesana. Assim, faço minhas, as palavras do saudoso papa João Paulo II: “Sinto o dever de indicar o Concílio como a grande graça de que se beneficiou a Igreja no século XX: nele se encontra uma bússola segura para nos orientar no caminho do século que se inicia”(NMI n. 57).

 

 

Os primeiros Planos de Pastoral Orgânica (PPO) e a Revisão Ampla (RA)

 

12. O 1º PPO (1975-1976) definiu quatro prioridades: Comunidades Eclesiais de Base, Pastoral Familiar, Pastoral da Juventude e Formação de Agentes de Pastoral. O 2º PPO (1977-1979) não continha um objetivo comum para toda a Arquidiocese, cada uma das seis Regiões Pastorais escolheu seu objetivo e seus programas.

 

Com o terceiro Plano de Pastoral (1980 – 1984) colocou-se, a partir de um objetivo comum, quatro prioridades: Comunidades Eclesiais de Base, Pastoral de Mundo do Trabalho, Educação para a justiça, Socialização dos bens da Igreja e Apoio aos movimentos populares. Com a prorrogação do 3º PPO (1985-1988), desenvolveu-se uma avaliação do referido Plano, firmou-se um projeto comum: formação de Agentes de Pastoral, e elaborou-se um objetivo comum a partir do qual cada Região Pastoral viabilizou seus projetos próprios.

 

13. Após estes anos de “Planejamento Pastoral participativo”, percebeu-se que houve crescimento nas comunidades e organismos, mas foi constatada “uma certa fragmentação da ação pastoral” (cf. Arquidiocese de Campinas, 6º Plano de Pastoral Orgânica p. 34). Surge a necessidade de uma ampla revisão da caminhada de nossa Igreja Arquidiocesana para a partir desta revisão poder assumir em comum os trabalhos pastorais. Assim, aconteceu o Sínodo Diocesano que se convencionou chamar de “Revisão Ampla” cuja abertura oficial aconteceu em 23 de março de 1989. Em sua Carta Pastoral escrita por esta ocasião, D. Gilberto lembra que “a Revisão Ampla quer ser um grito de alerta, um estímulo e um impulso novo para esta Igreja.

 

Tendo em vista a RA, foi criada a Comissão Executiva Arquidiocesana de Revisão Ampla (CEARA). Ela foi a expressão do anseio participativo e da co-responsabilidade em assumir os caminhos de nossa Igreja. O processo da Revisão Ampla encerrou-se em 08 de dezembro de 1991, com a entrega do documento final, intitulado “Uma Igreja Respondendo aos novos desafios”, promulgado por D. Gilberto e entrando assim em vigor.

 

A Revisão Ampla foi para nossa Igreja um momento riquíssimo de bênçãos e graças de Deus. Foi um tempo favorável para renovar e unir todo o povo de Deus da Arquidiocese. Muito se caminhou, mas podemos constatar que devemos voltar muitas vezes a esta fonte cristalina que o Espírito fez brotar em nossa Igreja.  Talvez não foram aproveitadas na sua totalidade suas intuições e propostas.

 

 

Da Revisão Ampla ao 6º PPO

 

14. Como fruto concreto da Revisão Ampla, constituiu-se a Coordenação Colegiada de Pastoral (CCP) cujo primeiro desafio foi elaborar o 4º PPO (1992-1994). Foi então assumido como Objetivo comum de nossa Igreja o Objetivo Geral da Ação Pastoral da Igreja do Brasil e definidos dois projetos: Missão e Formação, e dois grandes desafios: Mundo dos Excluídos e Comunicação.  O 5º PPO (1995-1998), mais complexo e elaborado teve como projetos comuns a Missão, Formação e Juventude, seguindo-se os desafios concretos, exigências e os projetos pastorais das Regiões.

 

Vale recordar que nossa Igreja viveu intensamente o Projeto Rumo ao Novo Milênio (1996-2000) e no ano 2001 o 14º Congresso Eucarístico Nacional, um verdadeiro marco na história de nossa Igreja. Congresso cujo tema foi: “Eucaristia fonte da missão e vida solidária”. Em vista de tudo isto o 5°PPO foi prorrogado.

 

15. Após preparação apurada, elaborou-se e foi aprovado em 04 de agosto de 2003 o 6º PPO (2003-2006). O objetivo geral deste plano é evangelizar a realidade urbana, sendo três as linhas de ação pastoral: Formação, Presença da Igreja na realidade social urbana e Espírito e prática evangelizadora das Comunidades Eclesiais de Base.

 

Ao chegar na Arquidiocese como novo arcebispo, em 01 de agosto de 2004 encontrei este plano em andamento. No início de 2005, após consultar os organismos da Pastoral Arquidiocesana, achei por bem prorrogar seu tempo de duração sendo que se encontra em vigor até o momento.

 

A partir de 2008 começamos a elaborar de forma participada os estudos para um novo plano que possa atualizar e implementar nosso desempenho pastoral e evangelizador.

 

 

Nosso objetivo geral da ação pastoral

 

16. O “Objetivo Geral” da Igreja de Campinas, que tem norteado nossa pastoral e que foi bem expresso na Assembléia que elaborou o 6ºPPO, é tão  atual hoje como na época de sua formulação. Atinge o cerne daquilo que constitui a tarefa primordial da Igreja. Assim o sintetizo: “Atentos à realidade e vivendo a mística trinitária, evangelizar na força do Espírito, anunciando Jesus Cristo e o projeto do Pai: o Reino de Deus”. 

 

O objetivo geral do 6ºPPO projeta uma Igreja que quer “caminhar á luz da opção preferencial pelos pobres e excluídos, dando testemunho profético como Igreja de comunhão e missão”. Este é um ponto capital da sintonia deste objetivo geral com a eclesiologia do documento de Aparecida o qual assim se exprime: “No povo de Deus, a comunhão e a missão estão profundamente unidas entre si... A comunhão é missionária e a missão é para a comunhão. Nas Igrejas particulares, todos os membros do povo de Deus, segundo suas vocações específicas, são convocados à santidade na comunhão e na missão” (DA n. 163).

 

A metodologia, ou caminho para se atingir a realização deste objetivo geral, passa pela comunhão e participação, convivência fraterna na aceitação da diversidade e compromisso evangélico conscientemente assumido.

 

17. Chamo a atenção para a ênfase missionária que deve permear nossa ação pastoral, a partir da Conferência de Aparecida, cujo objetivo foi “proteger e alimentar a fé do Povo de Deus e recordar aos fiéis que em virtude de seu batismo, são chamados a ser discípulos e missionários de Jesus Cristo” (DA n. 10).

 

Chamo a atenção também para a importância do Objetivo Geral no planejamento de Pastoral. Aqui faço minhas as palavras de D. Gilberto escritas na apresentação do 6°PPO: “Nem todas as comunidades tem o mesmo modo de agir, nem igual maneira de pensar a pedagogia da ação libertadora, em seus critérios evangélicos. É nessa perspectiva que damos uma importância especial ao nosso objetivo geral”. 

 

As linhas comuns de ação pastoral são importantes e indicativas, mas, em um planejamento pastoral, que deseja fazer a unidade pastoral respeitando as diferenças e peculiaridades de cada comunidade em sua realidade, é o objetivo geral a referência principal e mais importante.

 

No objetivo geral é exigida e necessária a unidade, na aplicação deve haver criatividade.

 

18. Quero assim, em sintonia com todos os bispos da CNBB, implementar em nossa Igreja o objetivo geral da pastoral da Igreja do Brasil aprovado na 46º Assembléia dos bispos neste ano, o qual proponho como norma para todos os nossos trabalhos pastorais:

 

“Evangelizar

A partir do encontro com Jesus Cristo,

como discípulos missionários,

à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres,

promovendo a dignidade da pessoa, renovando a comunidade,

participando da construção de uma sociedade justa e solidária,

para que todos tenham vida e a tenham em abundância (Jo10,10)

”(cf. DGAE-CNBB/Doc n..87-2008)

 

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