CARTA PASTORAL
de
DOM BRUNO GAMBERINI
Arcebispo Metropolitano de Campinas
Por ocasião do centenário de
criação da Diocese de Campinas
e
Cinqüentenário de elevação a Arquidiocese
1908 – 1958 – 2008
SIGLAS
AS - Apostolorum Sucessores (Diretório para
o ministério dos Bispos)
CEBs - Comunidades Eclesiais de Base
CIC - Catecismo da Igreja Católica – 1983
CDC - Código de Direito Canônico
CDSI - Compêndio de Doutrina Social da
Igreja
CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do
Brasil
DA - Documento de Aparecida
DCE - Deus Caritas Est – Bento XVI
DI - Discurso Inaugural de Bento XVI na
Conferência de Aparecida
DGAE - Diretrizes Gerais da Ação
Evangelizadora
DM - Documento de Medellín - CELAM
DP
- Documento de Puebla
- CELAM
EN
- Evangelii Nuntiandi
– Paulo VI
GS - Gaudium et Spes
LG - Lumen Gentium
NMI - Novo millennio ineunte – João Paulo II
OA - Octogésima Adveniens – Paulo VI
PG - Pastores Gregis – Exortação Apostólica
Pós-sinodal 2003
PPO - Plano de Pastoral Orgânico
RA - Revisão Ampla (Arquidiocese de
Campinas)
RM - Redemptoris Missio – João Paulo II
SC - Sacrossanctum Concilium
SS - Spe Salvi – Bento XVI
INTRODUÇÃO
1. Invocando a
Trindade Santíssima, Pai e Filho e Espírito Santo e a proteção da grande Mãe
de Deus, a Virgem Maria, sob a invocação de Imaculada Conceição, quero
glorificar a Deus, pela caminhada centenária de nossa Igreja. Há cem anos o
papa São Pio X, no dia 07 de junho de 1908, criou a Diocese de Campinas e há
cinqüenta anos o papa Pio XII, no dia 19 de abril de 1958 a elevou a
Arquidiocese.
Bendito seja o
Nome do Senhor! Este é o
primeiro sentimento de louvor e gratidão que sobe para o céu na comemoração
desta efeméride.
Saudações: ao ensejo deste centenário
2.
Ao ensejo deste centenário, quero homenagear
todos os meus predecessores nesta Sé, que a graça de Deus me deu a alegria e
o ônus de ocupar nesta ocasião. Todos eles de santa e feliz memória, gravada
de forma indelével no coração de todos: D. João Batista Correa Nery, Dom
Francisco de Campos Barreto, Dom Paulo de Tarso Campos, Dom Antonio Maria
Alves de Siqueira, estes, nos contemplam da glória do Pai; e Dom Gilberto
Pereira Lopes que em nosso meio, como arcebispo emérito caminha conosco
integrando nossa Igreja neste momento ditoso.
Saúdo
o clero. Dirijo uma palavra de saudação e gratidão a todos os presbíteros
que trabalham nesta vinha do Senhor, com tanto empenho: os diocesanos, assim
como os religiosos. Minha memória de gratidão se estende também a todos os
presbíteros que trabalharam e deixaram seu testemunho em nossa história.
Saúdo os diáconos e seminaristas. A gratidão se estende também aos queridos
irmãos de todas as congregações e famílias religiosas.
Saúdo
em especial os inúmeros e valorosos leigos e leigas, comprometidos em seu
batismo, que os tornou membros desta Igreja centenária. Eles não pouparam
esforços para que nossa Igreja nestes cem anos se fizesse sempre e cada vez
mais: sal e luz, sinal de esperança e vida, peregrina e missionária,
anunciadora do Reino de Deus.
Saúdo os cristãos de nossa
Arquidiocese, pertencentes às várias denominações. Todas as pessoas de boa
vontade que trabalham pela justiça e a paz, quais valores evangélicos
fundamentais na construção de um mundo novo, no qual haja sempre mais
participação, partilha e comunhão; pois ao rezarmos Pai nosso
clamamos por participação e inclusão: somos todos irmãos. Ao dizermos pão
nosso, clamamos por partilha do pão e do coração. E ao rezarmos
perdoai-nos as nossas ofensas como nós perdoamos, clamamos por uma
sociedade nova onde haja comunhão.
Saúdo as autoridades.
Quero saudar, enfim, todas as autoridades políticas, militares, constituídas
em nosso território arquidiocesano. À luz do ensinamento de Jesus, vencendo
as tentações do materialismo, do prestígio e do domínio, ultrapassando toda
postura de luta de classes, toda visão mercantilista do relacionamento
social, que se coloquem na dimensão do Reino de Deus, vivendo como quem
serve por amor. Recordo aqui as palavras do saudoso Papa Paulo VI: “A
política é uma forma exigente de viver o compromisso cristão ao serviço dos
outros” (OA 46). A política é a expressão social da caridade.
Saúdo, enfim, a todos os
que mesmo fora do âmbito da Igreja ou do cristianismo, comungam com os
ideais éticos que Jesus deixou expresso no Sermão da Montanha. Aí a
bem-aventurança fundamental é a da pobreza de espírito que não só é
carência dos bens deste mundo, mas, sobretudo, é confiança total em Deus:
Ele é o Senhor da História.


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