Características do Carmelita Descalço Secular

São João da Cruz
1. O carmelita descalço secular deve ser um apaixonado por
Deus, desejoso de buscar o seu rosto e contemplá-lo no
silêncio da oração; alimentar sua vida espiritual na fonte
genuína da Palavra de Deus, que, segundo a Regra, deve ser
meditada dia e noite. Um conhecedor profundo dos escritos
dos místicos do Carmelo para poder difundir, com
conhecimento, amor e competência, a espiritualidade
carmelitana.
2. O carmelita descalço secular deve nutrir profunda
devoção e amor à Nossa Senhora, ela que é modelo acabado do
discípulo de Jesus. A primeira mulher a ser evangelizada e
evangelizadora. Na Virgem Maria deve-se espelhar para viver
no cotidiano intensa vida espiritual e a constante presença
de Deus. Difundir a autêntica devoção ao escapulário, como
sinal de pertença a Maria e de consagração a seu serviço.
3. O carmelita descalço secular deve sentir-se Igreja e
assumir sua missão de orante na Igreja e pela Igreja, por
meio do apostolado da espiritualidade. Trabalhando, segundo
suas possibilidades e carismas próprios, nas obras da Ordem,
sendo um apoio válido nas casas de espiritualidade, casas de
retiros, edições, missões. Toda obra do Carmelo pertence a
todo o Carmelo, portanto, também ao Carmelo Secular.
4. O carmelita descalço secular tem consciência de
pertencer ativamente à sua comunidade paroquial, por isso
nela trabalha. O Carmelo não tira as pessoas das paróquias,
ele as prepara para que sejam mais eficientes em suas
comunidades, marcando presença nas várias pastorais e a
elas levando o espírito carmelitano de oração e o novo sopro
da espiritualidade, capaz de renovar as estruturas a partir
de dentro.
5. Cada fraternidade dos carmelitas descalços seculares
deve procurar realizar um trabalho sócio-religioso ao
serviço dos mais pobres e necessitados. A opção preferencial
pelos pobres, feita pela Igreja e pela Ordem, deve ser
assumida pelo mesmo Carmelo Secular.
6. Cada carmelita descalço secular é um promotor vocacional
da Ordem. Com sua vida, suas palavras e apostolado, deve
suscitar novas vocações. Não devemos nos preocupar tanto com
a quantidade, mas com a qualidade. Por isso, cada um terá o
máximo primor pela formação pessoal nas várias etapas da
vida, dando particular importância à formação permanente.
7. O carmelita descalço secular é aquele que, como Elias,
“revoltado com as novas idolatrias”, destrói os ídolos e
toma o caminho do deserto, até chegar à montanha de Deus, o
Horeb, para buscar ao Senhor.
Texto de Frei Patrício Sciadini in O mundo é meu Carmelo,
Loyola, S. Paulo, 2000

Santa Teresa de
Ávila
