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Introdução
De cinco em cinco anos o CONIC (Conselho Nacional de
Igrejas Cristãs do Brasil) se une por uma campanha que
promove o bem comum. Neste ano o tema escolhido foi
"Economia e Vida", com o lema "Vocês não podem servir a
Deus e ao Dinheiro" (Mt 6,24)
Economia vem do grego e significa Administração
da Casa. Tem o sentido de providenciar tudo que é
necessário à sobrevivência do homem. Vida, na visão
teológica, é tudo aquilo que foi criado por Deus.
O primeiro milagre dos apóstolos foi quando o mendigo
paralítico, na entrada do Templo, pediu ouro e prata, e
eles disseram que não tinham, mas tinham o amor de Deus,
que fez o mendigo andar. O que era mais importante ao
mendigo, o dinheiro ou andar? É isto o que Deus quer de
nós. Nosso grande patrimônio é o amor ao próximo. Quanto
mais dermos, mais ele rende. E aumenta o nosso patrimônio
espiritual.
A Quaresma deve ser o tempo de mudança e conversão. Vamos
aproveitar a Campanha da Fraternidade para agir.
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Leitura para reflexão - Mt 6,24-34
Deus e o Dinheiro - Ninguém pode servir a
dois senhores. Com efeito, ou odiará um e amará o
outro, ou se apegará ao primeiro e desprezará o
segundo. Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro.
Abandonar-se à Providência - Por isso vos
digo: não vos preocupeis com a vossa vida quanto ao
que haveis de comer, nem com o vosso corpo quanto ao
que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o
alimento e o corpo mais do que a roupa? Olhai as
aves do céu: não semeiam, nem colhem, nem ajuntam em
celeiros. E, no entanto, vosso Pai celeste as
alimenta. Ora, não valeis vós mais do que elas? Quem
dentre vós, com as suas preocupações, pode
acrescentar um só côvado à duração da sua vida? E
com a roupa, por que andais preocupados? Aprendei
dos lírios do campo, como crescem, e não trabalham e
nem fiam. E, no entanto, eu vos asseguro que nem
Salomão, em toda sua glória, se vestiu como um
deles. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que
existe hoje e amanhã será lançada ao forno, não fará
ele muito mais por vós, homens fracos na fé? Por
isso, não andeis preocupados, dizendo: Quer iremos
comer? Ou, que iremos beber? Ou, que iremos vestir?
De fato, são os gentios que estão à procura de tudo
isso: o vosso Pai celeste sabe que tendes
necessidade de todas essas coisas. Buscai, em
primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua
justiça, e todas essas coisas vos serão
acrescentadas. Não vos preocupeis, portanto, com o
dia de amanhã, pois o dia de amanhã se preocupará
consigo mesmo. A cada dia basta o seu mal.
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Constatação sobre a Vida
Viver a vida em plenitude de corpo e alma é estar em
sintonia com as coisas de Deus. A vida em sintonia com as
coisas dos homens faz nosso corpo e alma se perderem.
As pessoas mais ricas não são as que possuem mais coisas e
sim as que precisam de menos. As maiores riquezas de nossa
vida são o sorriso, a palavra afetiva, a bondade com
atitudes, a alegria contagiante, a fé nos ensinamentos de
Deus, o amor para com todos, a esperança de uma vida
eterna e a paz diária em nosso coração.
A oferta pesa muito, quando o amor é pouco. Não pense no
que vai dar, mas lembre do que você já recebeu. Toda a
vida de Jesus foi um testemunho de simplicidade no uso dos
bens materiais, da solidariedade com os pobres, e da
distribuição gratuita dos dons de Deus.
A vida nos foi dada por Deus como uma dádiva, que devemos
estender a todos de uma forma incondicional. A dádiva só
pode ser acolhida. Nunca seremos donos da vida. Por ela
somente podemos ser agradecidos. A dádiva nos introduz num
círculo onde tudo é graça e solidariedade. Bendito seja
Deus pela vida, pela fraternidade, pela solidariedade, por
este planeta Terra onde a vida brota em abundância!
A vida de cada um está ligada à vida de todos. Em
correspondência aos direitos, existem os deveres e
responsabilidades de cada pessoa para com a outra, para
com nossa comunidade familiar e para com a sociedade como
um todo. As políticas econômicas e as instituições devem
ser julgadas pela maneira de elas protegerem ou minarem a
vida e a dignidade da pessoa humana, sustentarem ou não as
famílias e servirem ao bem comum de toda sociedade.
Constatações sobre a Economia
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No Brasil existem mais de 11 milhões de indigentes, ou
seja, famintos.
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Também temos mais de 47 milhões de pessoas pobres, ou
seja, sem acesso às necessidades básicas: alimentação,
habitação, vestuário, higiene, saúde, educação,
transporte, lazer, entre outras.
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O Brasil está entre os cinco países do mundo com maior
desigualdade social, ou seja, 10% da população (os
ricos) detêm 50% da riqueza e os outros (os pobres)
detêm 10% da riqueza do país.
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O maior motivo para a violência na sociedade é a
desigualdade social. "A crise silenciosa da fome cria um
risco grave para a paz e segurança da nação".
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Quase 60% da terra agricultável no Brasil está nas mãos
de 300 proprietários rurais, enquanto quase 5 milhões de
famílias estão à espera de terra para plantar.
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O Brasil investe 12% do seu orçamento em saúde,
educação, assistência social, habitação, segurança,
saneamento básico e infra-estrutura, contra 30% para a
dívida pública, ou seja, as vidas colocadas à disposição
da economia.
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Das 20 milhões de crianças com menos de 5 anos, 8
milhões não têm acesso aos sistemas de saúde.
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Mais de 40% do PIB brasileiro são para impostos
federais, estaduais e municipais, que deveriam cuidar
basicamente da educação, saúde, segurança e
infra-estrutura.
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Os 10% dos mais pobres destinam 33% da sua pouca renda
para o pagamento de impostos, enquanto que os 10% dos
mais ricos pagam 23% de sua renda.
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"É preciso aprender a admirar os pobres, aqueles que
lutam com muito menos recursos e se tornam, em um
sentido bem mais profundo, grandes pessoas".
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Vivemos numa economia de mercado que coloca o aspecto
financeiro acima de todos os demais e transformam tudo
em mercadoria, que valoriza pessoas pelo seu padrão de
consumo, que cria vícios de acúmulos do supérfluo como
forma de alguém se sentir importante.
Objetivo geral da CF
Despertar em todas as pessoas de boa vontade a convicção
de que devemos contribuir para o bem comum, ou seja, fazer
com que haja justiça social, suspensão da miséria e da
fome e que todos tenham dignidade humana.
Objetivos específicos
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Sensibilizar a sociedade sobre a importância de
valorizar todas as pessoas que a constituem.
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Buscar a superação do consumismo, que faz com que o
"ter" seja mais importante que o "ser".
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Criar entre as pessoas laços de convivência mais
próxima, em vista do conhecimento mútuo e da superação
tanto do individualismo como das dificuldades pessoais.
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Mostrar a relação entre fé e vida, a partir da prática
da justiça, como dimensão constitutiva do anúncio do
Evangelho.
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Reconhecer as responsabilidades individuais diante dos
problemas decorrentes da vida econômica, em vista da
própria conversão.
Estratégia
Denunciar: a perversidade de todo modelo econômico
que vise em primeiro lugar o lucro, sem se importar com a
desigualdade, miséria, fome e morte.
Educar: para a prática de uma economia de
solidariedade, de cuidado com a criação e valorização da
vida como o bem mais precioso.
Conclamar: as igrejas, as religiões e toda a
sociedade para ações sociais e políticas que levem à
implantação de um modelo econômico de solidariedade e
justiça para todas as pessoas.
Planos de ações
A sociedade é feita por indivíduos. Portanto, com ações
práticas à Campanha da Fraternidade, devemos agir primeiro
em nosso coração, convertendo o foco de nossas atitudes
para atitudes de ajuda ao bem comum. Em seguida, devemos
trabalhar isto em nossa família, em nossa comunidade e em
nosso ambiente de trabalho.
O agir começa no pensar. Devemos alimentar diariamente
nossa mente de pensamentos que nos levem a ter estas
atitudes.
10 ações práticas para fazer na Quaresma
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Reflexão:
O consumismo é fortemente induzido pela propaganda.
Então vamos ler diariamente todas estas constatações
sobre a vida e economia, e fazer destas nossa propaganda
diária.
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Autocontrole:
O problema não é o dinheiro em si, mas o uso que dele se
faz. Portanto, vamos anotar diariamente o que consumimos
e refletir se é necessário ou supérfluo. Nossa atitude
diante do dinheiro mostra muito o tipo de pessoa que
somos. Vemos assim que a acumulação, ou não repartir,
tem profundas consequências espirituais.
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Partilhar:
A solidariedade faz da humanidade uma família onde todos
se protegem mutuamente. A partilha faz milagres. Se
soubermos partilhar, certamente vai haver pão, casa,
cura, saúde, educação e participação para muito mais
gente. Portanto, vamos praticar nesta Quaresma a
partilha. Vamos ver tudo o que temos em casa e podemos
doar aos necessitados. Vamos ver de que modo podemos
partilhar nossos dons dados por Deus, para ajudar na
melhoria da vida dos que mais precisam.
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Gratidão:
Vamos praticar a gratidão escrevendo e lendo diariamente
tudo o que Deus nos deu desde o nosso próprio nascimento
até as oportunidade de sofrimento para aproximação do
seu Reino.
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Doação:
O dízimo não é doação e sim comunhão. Vamos ver em nossa
comunidade todas as obras que estão sendo feitas e
comungar com seus objetivos, ajudando com o nosso tempo
ou com os nossos recursos.
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Oração:
As pessoas de fé oram a Deus e voltam seus pensamentos e
suas ações para as condições dos pobres e desprotegidos,
daqueles que são negligenciados ou maltratados pelos
poderes dominantes na sociedade. Vamos rezar diariamente
um terço em intercessão às pessoas que acumulam mais do
que o necessário, para se tornarem solidárias aos
pobres.
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Perdão:
Deus com sua infinita misericórdia nos perdoa sempre e
nos dá oportunidade de começar sempre uma nova vida sem
pecados. Vamos fazer uma confissão consciente nesta
Quaresma, anotando num papel tudo o que está incomodando
a paz em nosso coração, deixando que a graça de Deus
invada nosso corpo e traga paz divina em nossa vida.
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Atitudes:
A pessoa, e não o lucro, tem que ser o fator decisivo no
estabelecimento de leis e procedimentos de âmbito
nacional. Isso estabelece também um critério para
escolher candidatos nas eleições de presidente,
governador, senador e deputados federais e estaduais.
Vamos escolher bem nossos representantes.
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Responsabilidade: Tudo o
que tem vida e vem da natureza foi Deus quem criou. Tudo
o que não tem vida foi criado pelo homem às custas do
planeta Terra. Vamos refletir sobre como, dentro de
nossa casa, devemos ter uma responsabilidade ambiental.
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Servidão:
O cristão é um servidor,
não alguém que recorre a Deus em busca de favores. Vamos
nesta Quaresma nos colocar a serviço de Deus e do
próximo, para benefício do bem comum.
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