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Campanha da Fraternidade
2013

Tema: "Fraternidade
e Juventude"
Lema: "Eis-me
aqui, envia-me!" (Is 6,8)
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O Cartaz da CF 2013
A Igreja, ao iniciar esta caminhada quaresmal, tem os
olhos fitos na cruz, donde emana a comunicação do amor de
Deus por nós, na entrega de Jesus Cristo, para que n'Ele
tenhamos a vida (cf. Jo 10,10). Este gesto do Senhor é
redentor, pois Ele vence todos os males e mortes que nos
afligem, nos salva e descortina para nós um horizonte de
esperança, expresso no rosto da jovem.
A cruz convida à fraternidade entre todos os povos, raças
e nações, representados pelas diferentes cores e linhas
que a percorrem. As tags, vistas no alto do cartaz, acenam
para a comunicação rápida, a circulação de informações e
as novas ambiências para encontros, as quais devem ser
perpassadas pela mensagem libertadora da cruz e contribuir
para o projeto de uma sociedade justa e solidária, segundo
o Reino.
A Igreja com essa Campanha, cujo tema é "Fraternidade e
Juventude", chama a atenção para os desafios dos jovens na
edificação do projeto de Deus, dentro do contexto de
mudança de época. É um período marcado pela instabilidade
dos critérios de compreensão e dos valores (DGAE, N.20),
pelas novas possibilidades de interação e desigualdade de
oportunidades, com forte reflexo na vida dos jovens, quer
das cidades, quer do campo.
A jovem, de braços abertos em forma de cruz, representa os
que são transformados pela jovialidade comunicada pela
ressurreição de Jesus, a boa nova por excelência, que nos
fortalece. É com esse vigor que a jovem responde ao
chamado de Deus, repetindo as palavras do profeta Isaías:
"Eis-me aqui, envia-me!" (Is 6,8).
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Apresentação da CF 2013
1
"Eis-me aqui, envia-me!"
Vivemos da morte-ressurreição de Jesus Cristo! Seu
nascimento, vida, gestos e palavras receberam sua
plenificação na gratuidade da cruz. Cruz transformação,
ressurreição!
Os quarenta dias que precedem a Cruz e a Ressurreição
sinalizam o caminho que a Igreja, na liturgia, nos oferece
como possibilidade de sermos atingidos pela experiência
redentora de Jesus Cristo. Nas celebrações, as leituras
nos provocarão a seguir o Senhor até o "clarear do novo
dia". Seguir, ouvindo as palavras da Escritura, é a
expressão do desejo maior de sermos tomados na
profundidade de nossas pessoas e comunidades pelo Mistério
da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor.
A Igreja, durante o tempo quaresmal, nos apresenta o
jejum, a esmola e a oração, como
exercícios preciosos, no caminho de nossa transformação em
Cristo Jesus. A Quaresma deve, portanto, vir iluminada
pelo desejo de conversão. Nesse tempo especial, a
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB nos
apresenta a Campanha da Fraternidade como itinerário de
conversão pessoal, comunitário e social. Fraternidade e
Juventude é o tema da campanha para a Quaresma em
2013. O lema é inspirado no profeta Isaías 6,8: "Eis-me
aqui, envia-me!"
A juventude expressa jovialidade. A jovialidade pertence à
juventude. Jovialidade não como alegria do sorriso da
publicidade, nem como aquilo que se opõe à tristeza e à
dor. Jovialidade vem de duas palavras: jovial e
idade. "Idade" significa a essência, a força, o vigor
de alguma coisa. Jovialidade é, pois, o vigor, a essência
do ser jovial. Jovial, por sua vez, não deve ser entendido
no sentido de alguém sempre sorridente, pois jovial vem de
jovis. Jovis é o nome com que os gregos
designavam o deus supremo, o deus da força do dia.
Jovialidade expressa, assim, o sentido de vigor de Deus,
força de Deus.
A palavra juventude também vem de jovis. Juventude
não como qualidade de uma idade cronológica. Deveríamos
compreender a juventude a partir da jovialidade. É jovem
não aquele que tem idade nova, mas aquele que tem o vigor
de Deus. Do Deus que alegra a nossa juventude. Do
Deus que é a vitalidade do nosso ser. Jovialidade é o modo
de ser próprio de Deus, pela força de Deus, pelo vigor de
Deus: o amar sem medida, desmedidamente!
A Igreja no Brasil ao repropor Juventude como tema
da Campanha da Fraternidade, nesse tempo de mudança de
época, deseja refletir, rezar com os jovens,
reapresentando-lhes o Evangelho como sentido de vida e, ao
mesmo tempo, como missão. O Evangelho é nossa vida, nossa
existência. A Campanha da Fraternidade é um convite para
nos convertermos e irmos ao encontro dos jovens e, ao
mesmo tempo, é um convite aos jovens para se deixarem
encontrar por Jesus Cristo, caminho, verdade e vida
(Jo 14,6).
A Campanha da Fraternidade já anuncia a Jornada Mundial da
Juventude. Ao assumir como lema o espírito missionário da
JMJ 2013 indicado pelo Santo Padre Bento XVI, Ide e
fazei discípulos entre todas as nações (cf. Mt 28,19),
desejamos que todos os jovens sejam verdadeiros
missionários e missionárias em nossa Igreja. Jovens
evangelizando jovens: Eis-me aqui, envia-me! Jovens
também colocando-se a serviço da evangelização, através
dos novos meios de comunicação. Vivendo e testemunhando a
graça e a beleza de ser cristãos. Beleza, porque são
partícipes da vida do Reino e, por isso, são todos tomados
por Deus que alegra a nossa juventude.
Maria, Mãe das Dores, nos acompanhe nesse tempo de
conversão! Com ela digamos: Faça-se em mim segundo a
Tua palavra! Por ela acompanhados, repitamos as
palavras do profeta: Eis-me aqui, envia-me!
A todos os irmãos e irmãos, todas as famílias e
Comunidades, uma abençoada caminhada quaresmal, um
encontro renovador com Jesus Cristo
crucificado-ressuscitado.
Brasília, 28 de agosto de 2012.
Memória de Santo Agostinho de Hipona
Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Prelado de São Felix - MT
Secretário Geral da CNBB
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Introdução
2
1. A Campanha da Fraternidade de 2013, que retoma o
tema Juventude (*), se propõe olhar a realidade dos
jovens, acolhendo-os com a riqueza de suas diversidades,
propostas e potencialidades; entendê-los e auxiliá-los
neste contexto de profundo impacto cultural e de relações
midiáticas; fazer-se solidária em seus sofrimentos e
angústias, especialmente junto aos que mais sofrem com os
desafios desta mudança de época e com a exclusão social;
reavivar-lhes o potencial de participação e transformação.
(*) A Organização Internacional da Juventude entende que
esta fase da vida da pessoa compreende a faixa etária
entre 15 a 24 anos. No Brasil, a lei que criou a
Secretaria Nacional de Juventude, o Conselho Nacional de
Juventude e o PROJOVEM (lei 11129 - 30/06/2005), determina
o período entre 15 e 29 anos.
2. Esta Campanha deseja, no contexto do Ano da Fé,
mobilizar a Igreja e, o quanto possível, os segmentos da
sociedade, a fim de se solidarizarem com estes jovens,
favorecer-lhes espaços, projetos e políticas públicas que
possam auxiliá-los a organizarem a própria vida a partir
de escolhas fundamentais e de uma construção sólida do
projeto pessoal, a se compreenderem como força de
transformação para os novos tempos, a desenvolverem
seu potencial comunicativo pelas redes sociais em vista da
ética e do bem de todos, a assumirem seu papel específico
na comunidade eclesial e no exercício do protagonismo que
deles se espera, nas comunidades e na luta por uma
sociedade que proporcione vida a todos.
3. Evangelizar, hoje, é uma via de mão dupla. Saem de cena
os "públicos" ou "destinatários" da evangelização para dar
lugar aos "interlocutores". Os interlocutores da
evangelização são pessoas que, numa relação dialogal, se
enriquecem pela troca de experiências. Portanto, "escutando
e compreendendo os gritos e clamores dos jovens, a Igreja
é chamada não somente a evangelizar, mas também a ser
evangelizada na atualidade". Torna-se imprescindível,
cada vez mais, caminhar com os jovens e refazer com eles a
experiência de Jesus. Na prática, isso significa que "nas
atividades pastorais com a juventude, faz-se necessário
oferecer canais de participação e envolvimento nas
decisões, que possibilitem uma experiência autêntica de
corresponsabilidade, de diálogo, de escuta e o
envolvimento no processo de renovação contínua da Igreja.
Trata-se de valorizar a participação dos jovens nos
conselhos, reuniões de grupo, assembleias, equipes,
processo de avaliação e planejamento".
4. Para atingir tal intuito, são estes os objetivos da
Campanha da Fraternidade de 2013:
Objetivo geral
Acolher os jovens no contexto de mudança de época,
propiciando caminhos para seu protagonismo no seguimento
de Jesus Cristo, na vivência eclesial e na construção de
uma sociedade fraterna fundamentada na cultura da vida, da
justiça e da paz.
Objetivos específicos
-
Propiciar aos jovens um encontro pessoal com Jesus
Cristo a fim de contribuir para sua vocação de discípulo
missionário e para a elaboração de seu projeto pessoal
de vida;
-
possibilitar aos jovens uma participação ativa na
comunidade eclesial, que lhes seja apoio e sustento em
sua caminhada, para que eles possam contribuir com seus
dons e talentos;
-
sensibilizar os jovens para serem agentes
transformadores da sociedade, protagonistas da
civilização do amor e do bem comum.
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Impacto da mudança de época 3
Contexto atual
Nossa era é marcada por intensas e profundas mudanças.
Depois de uma longa "época de mudanças", nós nos deparamos
com uma "mudança de época", que enfraquece e altera
muitos dos paradigmas tradicionais que sustentavam
certa visão de mundo. Raras são as sociedades imunes a
esse processo. Vivemos em um mundo globalizado, em que
todos são afetados por tudo o que acontece em qualquer
lugar.
As tradicionais maneiras de compreender o mundo e a
maneira de bem viver que serviram de orientação para as
pessoas por muitos séculos, sobretudo no Ocidente, já não
são aceitas pelas novas gerações. Essa tradição cultural
se fragmentou e deu lugar a uma diversidade de novas
visões do mundo e da vida, de estruturações sociais, de
relação com o sagrado e de modelos antropológicos: "Vivemos
uma mudança de época, e seu nível mais profundo é o
cultural. Dissolve-se a concepção integral do ser humano,
sua relação com o mundo e com Deus" (Documento de
Aparecida, n. 44).
Dessa forma, onde outrora existiam valores e critérios
que definiam dada realidade ou o modo de proceder, agora
há uma diversidade de propostas aceitas como válidas, num
contexto de abertura a experimentações. Portanto, a
expressão "mudança de época" procura conceituar
a etapa da história por que passamos, em que se faz a
transição de uma cultura estável para outra, nova e
ainda não estabilizada.
A cultura estável parece não responder ao momento
histórico que já é a passagem para outro momento.
O forte impacto nas pessoas
As mudanças se verificam em todos os campos de atividade
humana, atingem a economia, a política, as ciências, a
educação, o esporte, as artes e a religião, que constituem
os elementos da cultura das sociedades humanas. A
religião, uma das bases fundamentais de toda cultura,
sofre um impacto ainda maior do que as outras
áreas. Além disso, os aspectos humanos da sociedade -
economia, saúde, política, artes - aceitam olhar a questão
da mudança de um modo unilateral, isto é, do ponto de
vista exclusivo de seus interesses, que são fragmentados.
A religião, ao contrário, tem critérios muito mais
complexos; ela envolve tudo o que diz respeito ao ser
humano, preocupa-se com a visão global da pessoa e com sua
formação integral, principalmente com a dimensão
transcendental - a sua relação com Deus e com seu projeto
de vida plena para todos.
Essa realidade em constante transformação, ao mesmo tempo
global e fragmentada, instaura uma inevitável crise de
sentido que atordoa as pessoas e atinge seus critérios
de julgamento e os valores mais profundos, o que se pode
traduzir em uma vida sem sentido e sem critérios, com
valor abrangente e estável, em que cada um decide por si
mesmo. Por isso, a família e a juventude são os grupos
mais vulneráveis.
A desarticulação cultural resultante desse processo, que
tem o indivíduo como referência, introduz modificações nas
relações entre as pessoas. As relações deixam de acontecer
na gratuidade, ganham um tom pragmático, conduzem à
indiferença pelo outro e por suas interpelações, quando
não se percebe mais uma utilidade naquela relação. Além
disso, nesse contexto cultural, as relações afetivas
passam a ser concebidas de forma descompromissada e pouco
estável.
Essas mudanças culturais causam também importantes
alterações nos papéis tradicionais de homens e de mulheres
na sociedade, nas respectivas identidades e na
estruturação familiar. A publicidade, para atender à
avidez do mercado, cria realidades distantes, muitas vezes
ilusórias e voltadas ao hedonismo, que provocam
descontrole do desejo de crianças, de jovens e de adultos.
O papel exercido pelos pais e pela escola, na
cultura tradicional, agora é representado, com muito mais
poder e intensidade, pelos meios de comunicação de massa.
Sem levar em conta as características locais e a variedade
de projetos de vida das pessoas, a mídia impõe,
artificialmente e tendo como referência apenas o interesse
de mercado, uma cultura homogênea, em que tudo é
passageiro e descartável. Cria-se um paradoxo - nada do
que existe tem estabilidade, mas qualquer coisa pode ter
valor se lhe for atribuído por quem comanda o espetáculo.
No entanto, essas mudanças culturais, com suas
consequências perigosas para a edificação da vida humana,
sobretudo a dos jovens, também produzem elementos que
se revertem em vida.
Um dos aspectos positivos dessa transformação cultural é a
valorização da pessoa, da sua consciência e
experiência, dos seus projetos e esperanças, da busca de
sentido da vida e da transcendência.
Outro belo sinal é o reconhecimento da diversidade
cultural dos povos da América Latina. O apego à terra, a
importância da vida familiar e comunitária, a procura por
Deus são valores que as culturas indígenas,
afro-americanas, camponesas, urbanas e suburbanas nutrem
em contraposição à avassaladora cultura artificial, que
avança a passos rápidos.
O rápido avanço tecnológico, com suas inúmeras
possibilidades de conhecimento e de comunicação, se
destaca nesse cenário de profundas mudanças. "A
revolução tecnológica e os processos de globalização
formatam o mundo atual como grande cultura midiática. Isso
implica uma capacidade para reconhecer as novas
linguagens, que podem favorecer maior humanização global".
Os jovens aí se reconhecem ao perceber que esses
instrumentos possibilitam o desenvolvimento de suas ideias
e o intercâmbio de suas experiências. A internet vai
alimentando o desejo das novas gerações de expandir
suas relações pelos quatro cantos da terra. O mundo se
torna pequeno, e os contatos, inúmeros, dão a sensação de
domínio e extensão.
Fragilização dos laços comunitários e negação da vida
As pessoas, diante das bruscas e rápidas
transformações desse contexto de mudança de época, ficam
atordoadas com o ritmo acelerado do curso da história e
desnorteadas por não mais confiarem em seus critérios,
que parecem incapazes de responder às novas situações que
surgem neste período. As novas Diretrizes da Ação
Evangelizadora da Igreja no Brasil mostram o vínculo dessa
realidade com um agudo relativismo vivido pelas
pessoas, que se defrontam com muitas novas possibilidades
que lhes são oferecidas, associadas ao desenraizamento de
sua cultura e do ambiente de origem. Mais um paradoxo:
ao lado do relativismo, crescem também os
fundamentalismos que rechaçam o pluralismo e o caráter
histórico da realidade.
O sistema econômico neoliberal, hegemônico nas
economias industrializadas, submete o processo de produção
a muitas cobranças e a uma árdua competição, o que se
reproduz no mundo vital das pessoas. O caminho para se
alcançar a estabilidade e a segurança também passa pela
mesma dinâmica, o que faz a lógica da graça soar
particularmente estranha no horizonte das relações entre
as pessoas.
Essa competição faz com que as funções profissionais
sejam eleitas como prioritárias entre os objetivos
estabelecidos nos projetos de vida. O casamento deixa de
ser a razão da felicidade futura, posto que ocupou entre
os jovens em gerações anteriores, para se submeter ao
"realismo profissional". Assim, vemos projetos em vista de
se casar e ter filhos serem adiados em prol da devida
formação profissional, cada vez mais prolongada,
resultando em maior permanência dos jovens na casa dos
pais, devido à dependência econômica.
Nesse ambiente de individualismo, presenciamos a
consolidação de uma afetividade autônoma e narcisista,
notadamente nas novas gerações, que encontram dificuldade
em manter relações permanentes e compromissadas e preferem
relacionamento restrito ao encontro casual. Surge o
paradoxo da presença comunitária sem vida comunitária.
A afirmação da autonomia e da subjetividade extrema, comum
e inegociável entre os jovens, também produz um
empobrecimento da consciência de mistério do ser humano
e de sua existência. Dessa forma, a tendência é que as
realidades permaneçam subjugadas ao arbítrio da vontade e
da liberdade humana, que decide acerca do bem e do mal ou
sobre os valores, rejeitando qualquer instância objetiva
ou exterior ao sujeito, sem abertura à alteridade. "É a
primeira geração pronta para viver sem culpa. Ela não quer
romper com nada nem criar novos padrões".
Essa geração descobriu a possibilidade de vivenciar uma
fugaz felicidade no presente, sem grandes
preocupações com o amanhã, o que anestesia a consciência
histórica. Vive-se a própria vida e pronto. No entanto, a
ausência da dimensão de futuro e de esperança e a
perda da perspectiva histórica comprometem a ética,
relativizando os valores necessários para a edificação das
dimensões fundamentais da vida. Alienada e descomprometida
com a historicidade, a pessoa passa a projetar um mundo
irreal, fantasioso.
Os laços comunitários e sociais se fragilizam
diante do acento pessoal nas propostas de felicidade,
realização e sucesso em detrimento do bem comum e da
solidariedade, corroborando um estilo de vida
individualista, fechado a atitudes de altruísmo e de
fraternidade. Nesse contexto, a vida é negada ou
ameaçada por várias formas de banalização e
desrespeito: manipulação de embriões, abortos, ausência de
condições mínimas para uma vida digna com educação, saúde,
trabalho, moradia, falta de proteção à família, às
crianças e aos idosos.
Diante disso, esta Campanha quer lembrar dificuldades
enfrentadas pelos jovens, como na formação, pois o mercado
de trabalho é cada vez mais exigente, e o grande número de
assassinato deles. Esse contexto de mudanças tende a
atenuar nas pessoas o apelo ao exercício consciente da
cidadania, pois nele não há lugar para as justas
interpelações dos mais necessitados ou de segmentos como o
dos jovens, que são penalizados pela exclusão e pela
violência, em uma sociedade individualista e competitiva.
Neste momento da história, os jovens se deparam com grande
fragilidade de instituições que outrora eram
incumbidas de acolhê-los e de servi-los, como a família,
hoje fragmentada; as instituições de ensino, que já
abdicaram da função de formar e procuram apenas informar;
o Estado, que oferece estruturas deficitárias para o
desenvolvimento do potencial juvenil, e mesmo as igrejas,
que já não contam com tantos voluntários para esse
serviço. No entanto, a brava juventude não arrefece diante
das dificuldades e vai desbravando novos caminhos com seu
protagonismo.
O ativismo privado e a atuação do jovem
A grande maioria da população, sem grandes sonhos,
decepcionada com o processo político e tomada pela
impotência, passa a focar o que é possível dentro do seu
horizonte de realização.
É valorizado o ativismo privado, que propõe ações e
projetos concretos e imediatos, concebidos sem a tutela do
Estado, mas aos quais muitas vezes são destinados recursos
públicos. Embora muitos trabalhem como voluntários nesses
projetos, esse ativismo privado se baseia em princípios
bem diversos dos do voluntariado que socializa e exige
solidariedade e gratuidade. Como alerta o Papa Bento XVI,
os projetos que seguem a lógica do mercado e do Estado
baseiam-se no "dar para ter" ou no "dar por dever".
Nesse contexto, o protagonismo juvenil apresenta
características particulares. São novos tempos! A
juventude atual difere da juventude dos anos 60, que se
organizava especialmente no meio estudantil e tinha uma
atuação política bem determinada.
A partir da década de 90, cresceu o envolvimento dos
jovens em grupos culturais e lúdicos ligados à música, à
dança e ao teatro. Apareceu um novo traço na pertença
desses jovens, que se mostravam capazes de transitar por
diversos grupos ou tribos, sem conflitos, mesmo com uma
identificação específica. No entanto, essa nova geração
é ciosa de seus projetos pessoais, pensa a partir da
individualidade.
Hoje, a atuação social da juventude é bem diversificada,
pois o novo milênio trouxe novas temáticas, novas maneiras
de se relacionar e de se organizar, com as novas
tecnologias de informação e comunicação. As disposições
éticas e as ações concretas dos jovens se realizam em
diferentes espaços: esportivos, ambientalistas,
religiosos, identitários, culturais, questionadores da
globalização, redes sociais e outros.
Nota-se também a tendência de os jovens se organizarem em
espaços geograficamente mais amplos para promover
intercâmbios ou para articular mobilizações ligadas às
suas áreas prediletas de atuação, em certos casos porque aí
foram aceitos. É uma participação que já não se resume
em partidos e sindicatos. A criatividade, aliada aos
meios de que os jovens dispõem, permite-lhes abrir novos
caminhos para exercer o protagonismo na sociedade.
Percebe-se que os jovens de hoje, quando bem
orientados, não se deixam manipular. Assumem suas
decisões com mais determinação, aceitam correr o risco de
voltar atrás. O espírito de aventura que caracteriza os
jovens permite-lhes fazer tentativas, porque sabem que
sempre há tempo para recomeçar, com mais experiência e
maturidade.
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A
cultura midiática 4
A cultura midiática pode ser compreendida como um
processo comunicacional que se realiza por meio dos
chamados Meios de Comunicação de Massa (Mass Media),
jornais, revistas, rádio, televisão, internet,
instrumentos utilizados para comunicar, ao mesmo tempo,
uma mensagem a um número maior de pessoas.
Com o advento da informática, surge um novo modelo de
agentes de comunicação. Os jovens, que até então
recebiam a informação de modo passivo, passam a utilizar
as novas tecnologias, dominando-as. Eles detêm o
conhecimento técnico de tais instrumentos, pois nasceram e
crescem na era digital.
A
internet criou uma "aldeia global", que possibilita
acesso e interação com um número muito grande de pessoas
ou segmentos, oferecendo oportunidades que vão ao encontro
dos mais diversos interesses. A utilização de redes sem
fio e o rápido surgimento de novos aparelhos colaboram
para uma comunicação mais ágil e interativa. As redes
sociais ganham considerável destaque por permitirem
conectar-se ao mundo ou a grupos de interesses, criando
mobilizações ou apenas favorecendo entretenimento.
Redes sociais como ambiente
Sem apresentarmos um juízo de valores, percebemos
imediatamente que grande parte de nossos jovens não
vive mais sem os instrumentos tecnológicos próprios de
seu mundo de comunicação. Aliás, não se pode mais imaginar
a humanidade sem a realidade midiática; isso não tem
volta. Tomemos como exemplo as redes sociais: elas atuam a
partir desse novo ambiente, com uma linguagem
própria, provocando uma nova visão da sociedade e do mundo.
O novo jeito de o jovem ser e interagir tem suas raízes
nessa comunicação em rede. Ele respira e vive na chamada
ambiência midiática, uma teia de novas tecnologias
em que se pode ser, rapidamente, ouvido, visto,
considerado. Comunicar não é, portanto, apenas uma
questão instrumental, mecânica, unidirecional, é
inter-relacional, é "vida". Mesmo os mais pobres, privados
desse acesso e participação, são atingidos por essa
realidade e provocados constantemente a fazer parte desse
ambiente. Cada vez mais a interação entre as pessoas e a
formação de grupos de afinidade possibilitam uma grande
porta de acesso a todos, mas especialmente aos jovens, que
têm construído suas relações a partir desses meios.
Contudo, há que se considerar o risco de o jovem querer
e necessitar estar sempre conectado e privilegiar essa
forma de encontro, em detrimento da presencial. As
conexões feitas pelos novos meios são importantes, mas
podem não ser fortes o suficiente para superar crises,
desencontros e dificuldades inerentes a todas as relações
humanas. Por isso, as antigas formas de comunicação e
linguagem não podem ser abandonadas. A melhor forma de
nos entendermos ainda é a presencial, e o melhor meio
de comunicação é a própria pessoa. Sem dúvida, o aspecto
mais importante desse modelo comunicacional é a troca, o
compartilhamento que promove. Há que se considerar a
necessidade de proporcionar a esta geração hiperconectada
a possibilidade de conexões pessoais duradouras e
resistentes às crises.
Nesse novo contexto, em que os jovens são os
protagonistas por excelência, precisamos nos posicionar
com firmeza, com ousadia, com otimismo e, ao mesmo tempo,
com criatividade. O Papa Bento XVI, em pronunciamento
recente, nos convoca a um olhar bastante positivo e a uma
urgente corresponsabilidade para integrar tudo isso a
favor do povo a partir da comunicação de vida plena
anunciada por Jesus Cristo: "Convido os cristãos a
unirem-se confiadamente com criatividade consciente e
responsável na rede de relações que a era digital tornou
possível; e não simplesmente para satisfazer o desejo de
estar presente, mas porque esta rede tornou-se parte
integrante da vida humana. A web contribui para o
desenvolvimento de formas novas e mais complexas de
consciência intelectual e espiritual, de certeza
compartilhada. Somos chamados a anunciar, neste campo
também, a nossa fé: que Cristo é Deus, o Salvador do homem
e da história, Aquele em quem todas as coisas alcançam a
sua perfeição".
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Um novo modo de relacionar-se
5
Presenciamos, assim, uma aceleração contínua de
novos comportamentos, tendências, estilos de
vida e expressões de subjetividade. A complexidade e
a diversidade das realidades humanas e sociais
interagem e se expandem de tal forma que cada vez
mais fica difícil prever o comportamento dos jovens
e dos seus grupos.
O relacionamento para os jovens da cultura midiática
refere-se ao novo modo de comunicar-se. Eles
querem ser autores e participantes dos processos de
relacionamento. Em virtude disso, cada vez mais,
as pessoas, as empresas, as escolas têm deixado
modelos hierarquizados, funcionalistas, para
valorizar o ser humano, a gestão do conhecimento, a
criatividade, a originalidade e o talento associados
ao respeito, à individualidade e à busca da
qualidade de vida, da valorização de si, do próprio
corpo, do tempo livre, da afetividade, da família.
O protagonismo juvenil nesta cultura
Não podemos negar que existe uma relação natural de
nossas crianças, adolescentes e jovens com as novas
tecnologias. A maioria deles vive no universo
midiático e, muitas vezes, aqueles que não têm
acesso aos diversos aparelhos ou redes são deixados
à margem do processo social ou considerados como
menos importantes em relação aos inseridos. É
própria dessa faixa etária a busca de experiências,
de envolvimentos e de participação em atividades. Os
jovens de hoje priorizam a experiência em vez da
representação. O protagonismo deles se realiza
por meio de conexão com outros jovens e com a
esfera pública, quando manifestam uma atitude
colaborativa, expressam suas opiniões, mostram
competência dentro de uma sociedade global e
complexa.
A relação natural entre os jovens e as novas mídias
alimenta cada vez mais o gosto e o interesse por ser
sujeito. Eles se sentem motivados pelos desafios que
esse novo universo comunicacional impõe. Conhecem
e dominam as linguagens das novas mídias mais
que os próprios pais e educadores, e isso os torna
socialmente fortes e valorizados. Nessa realidade,
criam um novo modo de se relacionar e de
assumir compromissos com a família, com a educação,
com a sociedade, com a Igreja, com o ambiente.
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As novas gerações diante da Igreja 6
Os jovens querem ser ativos na Igreja
O avanço tecnológico não impede uma atitude de fé.
Os integrantes da geração internet não parecem
dispostos a abandonar a fé; eles acreditam em Deus e
buscam o sagrado. Gostam das atividades religiosas
que valorizam o afetivo e o simbólico, que levam à
experiência de vida, ao senso de abertura, de
originalidade, de experiência com o mistério. Para
esses jovens, o retorno ao simbólico e ao afetivo
não significa negação da racionalidade.
O envolvimento dos jovens na Igreja deve ser visto a
partir da interatividade nas relações. Eles desejam
ser ouvidos e querem ser participantes das
atividades da Igreja: liturgia, catequese, pastorais
sociais e outras atividades. Sua vida de oração,
seus desejos profundos de viver e amar, seu sentido
de solidariedade com o próximo e necessidade de
pertença a uma comunidade passam pela subjetividade.
Eles se envolvem como missionários quando são
chamados e veem a autenticidade nas relações e
organizações a serviço dos outros. Os jovens
demonstram amar Jesus Cristo, "não temem o
sacrifício nem a entrega da própria vida"
(Documento de Aparecida, n. 443).
Como eles se relacionam com a Igreja
O relacionamento dos jovens com a Igreja deve ser
visto a partir dos valores e das atitudes que eles
têm como filhos da cultura midiática. Eles se
relacionam, sobretudo, a partir da interatividade,
querem escutar e falar ao mesmo tempo. Conseguem
captar um conceito a partir da atitude do diálogo.
Sem interação, não compreendem e, portanto, não
podem estabelecer um relacionamento. Esse é um
grande desafio para os pastores, para os
presbíteros, para os consagrados, para os leigos
adultos em geral.
Para dialogar com os jovens sobre espiritualidade e
religiosidade, é importante trazer essas dimensões
para sua ambiência. Para eles, parece não existir
uma linha que separa os que seguem uma religião e
outra. Não existem os de fora que devem ser
evangelizados pelos de dentro (Igreja). A
questão é saber dialogar e compreender a situação de
busca do sobrenatural, da fé e da vivência cristã
dos jovens, e saber somar com as diversas situações
e experiência que eles vivem. O ciberespaço é
lugar de evangelização quando visto como espaço de
diálogo com a cultura midiática, com as expressões
dos novos tempos e de intercâmbio de experiências e
opiniões a respeito da fé e da religião.
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A Igreja diante das novas gerações 7
Como foi dito anteriormente, a internet é hoje um
ambiente, um lugar em que os usuários compartilham
experiências, fazem pesquisas, mantêm contatos e
realizam as mais diversas atividades. Os diversos
segmentos da sociedade precisam estar atentos às
rápidas mudanças que surgem a cada dia.
Para a Igreja, a utilização das redes sociais
aproxima os jovens da missão de evangelizar a
todas as gentes. É um "lançar as redes em águas mais
profundas". Ela tenta fazer da rede um lugar de
comunhão, de encontro entre pessoas que buscam a
mensagem de Deus com aquelas que as ajudam a
encontrá-la. O Papa Bento XVI expressa um olhar
positivo em vista dos novos tempos: "A vós,
jovens, que vos encontrais quase espontaneamente
em sintonia com estes novos meios de comunicação,
compete de modo particular a tarefa da
evangelização deste 'continente digital'". Em
outra Mensagem, diz: "Quero convidar os cristãos a
unirem-se confiadamente e com criatividade
consciente e responsável na rede de relações que a
era digital tornou possível; e não simplesmente para
satisfazer o desejo de estar presente, mas porque
esta rede tornou-se parte integrante da vida humana.
[...] Convido, sobretudo os jovens, a fazerem bom
uso da sua presença no areópago cultural".
A Igreja percebe a importância dessa interação, mas
reconhece que é preciso vencer alguns desafios, como
a inclusão digital de nossas paróquias e
comunidades, pastorais e movimentos. É preciso
incentivar a criação das pastorais de comunicação e
a formação permanente de seus agentes. Os grupos
juvenis precisam ser conscientizados de seu papel
nessa nova dinâmica da sociedade.
Na verdade, o modo de viver e de comunicar dos
jovens desafia paradigmas atuais de comunicação
em nossos ambientes eclesiais, apresenta novas
questões que precisam ser mais aprofundadas e
que abrem novos questionamentos sobre como
compreender o fenômeno da comunicação na era da
internet e das redes sociais, como, por exemplo, o
uso da mídia e a subjetividade; a busca e a
expressão do estético e a cibercultura; a
interseção entre expressões culturais como a música,
a dança, a culinária, a religiosidade e a linguagem
das mídias; a linguagem e os códigos dos
adolescentes e dos jovens no modo de comunicação
online; a sedução e a linguagem dos videogames;
o novo poder das relações nas redes sociais; o
problema da segurança e da privacidade online.
Para isso, é necessária uma atitude
educativo-interativa com os jovens que dialogue com
eles. Por outro lado, a ambiência em que eles vivem
também precisa de uma ética que considere a
comunicação como espaço de relações e de cultivo de
valores que edificam a existência e a sociedade.
Dentro do universo midiático, muitos jovens fazem as
escolhas de vida e de fé, sentem-se atraídos pelos
valores testemunhados, fazem suas opções
vocacionais, empenham-se pelo estudo.
É necessário buscar meios que tornem possível a
inclusão dos que estão fora do processo. Cabe à
sociedade criar leis e garantir seu cumprimento para
tornar a rede um lugar verdadeiramente seguro.
Evitar os crimes cibernéticos tem sido um dos
grandes desafios da sociedade. São necessárias ações
de conscientização dos usuários da rede e de punição
dos que a utilizam para fins ilícitos. É preciso
estar atento às informações que as redes sociais e
as ferramentas de busca da internet guardam a
respeito de seus usuários. É indispensável que
família, escola, Igreja e autoridades públicas
possibilitem não somente a inclusão digital, mas
também garantam o acesso seguro e saudável à rede.
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Fenômeno juvenil 8
Neste momento histórico de grandes mudanças,
impactos, descobertas e novidades, encontramos
diversidade jovens. Ao mesmo tempo que vemos as
novas gerações identificando-se com este mundo novo,
assustam-nos as realidades sofridas que muitos
jovens brasileiros enfrentam. Os jovens são notícia
quase que diária em veículos de comunicação. Mesmo
sendo idealizados nos comerciais, como modelos de
beleza, de vigor, de saúde e de liberdade, nos
noticiários são apresentados, muitas vezes, como
violentos, como descompromissados, como desordeiros,
como libertinos e voltados às drogas. Como
consequência, as discussões e a preocupação com a
realidade dos jovens brasileiros se intensificaram
em nossas instituições. Hoje, eles se expressam e se
organizam de forma muito distinta da das gerações
passadas, o que nos obriga a um esforço de
compreensão do que se passa em seu meio.
A formação da subjetividade
Os seres humanos não nascem prontos; criam-se e se
recriam de acordo com aquilo que experienciam
durante suas vidas. Subjetividade, conforme
conceituação mais atual, diz respeito a modos de
existência produzidos nos diversos contextos em que
as pessoas se encontram. Não se trata de um conceito
oposto a objetividade, nem mesmo uma suposta
distinção entre sujeito-objeto, indivíduo-sociedade.
Em outras palavras, refere-se ao processo de
constituição de uma vida, de uma existência, da
pessoa, do eu, ou seja, dos modos de ser, de
estar e de se relacionar com o mundo e com as demais
pessoas, com a história e a cultura de um indivíduo
pertencente a determinado grupo humano. Segundo essa
compreensão, as subjetividades (modos de existência
são, em grande parte, produtos do contexto em que a
pessoa vive. Sendo assim, o comportamento dos jovens
seguirá padrões existentes, preestabelecidos,
porque, geralmente, a própria sociedade em que vivem
induz a tais condutas.
Desse modo, faz-se urgente perguntar: o que temos
oferecido aos nossos jovens, a que experiências
são submetidos em suas famílias, instituições de
ensino, comunidades eclesiais, agrupamentos sociais?
O que nossas sociedades e instituições têm
proporcionado aos jovens a fim de que suas
subjetividades possam ser constituídas de modo
sadio, aberto e valorizador da vida?
Se alguns jovens se comportam de modo violento,
apático ou desinteressado, isso reflete os contextos
sociais engendrados pelas gerações anteriores. Se
nos afastamos dos nossos jovens, eles também podem
distanciar-se do que acreditamos como valores,
princípios, conquistas culturais e sociais.
Atualmente, existe uma carência de pessoas que se
dispõem a acompanhar um grupo de jovens nas
comunidades; muitos deles caminham sozinhos. E, o
que é pior, muitas comunidades não têm nenhuma
proposta para adolescentes e jovens; tampouco se
preocupam em possibilitar encontros, estudos ou
outras atividades apropriadas.
Há alguns anos, percebe-se o afastamento paulatino
das estruturas eclesiais adultas do meio juvenil
católico. Em 2007, a CNBB chegou a afirmar: "Chama
atenção a ausência de padres que abracem um trabalho
de acompanhamento sistemático dos jovens. Os
religiosos e leigos também estão muito distantes.
[...] Há, no entanto, necessidade de resgatar no
coração de todos a paixão pela juventude".
Pluralidade entre os jovens
Os tempos atuais são profundamente marcados pela
fluidez e pela fragmentação. As relações
interpessoais tendem a ser horizontais e abertas. É
cada vez mais difícil encontrar uniformidade nas
nossas instituições, que se fragmentam em pequenos
grupos que se instituem por gostos semelhantes e
ideias parecidas.
Os jovens, mais do que qualquer outro grupo de nossa
sociedade, expressam esse modo de ser. Não mais se
rebelam em bloco contra grandes estruturas de poder,
mas se organizam em pequenos grupos, distintos
pelas suas relações sociais, econômicas, midiáticas,
culturais. Eles lutam por pequenas causas ou não
lutam por causa alguma. Reúnem-se de acordo com seus
gostos, costumes, ideologia. Em nossa sociedade,
formam-se, também, grupos étnicos diversos.
Essa nova configuração desestabiliza instituições
eclesiais e seculares, mas, por outro lado,
proporciona novas maneiras de organização. Na Igreja
Católica, por exemplo, se a catolicidade se
expressava pela pertença a determinado local
eclesial, como uma única maneira de manifestar a fé,
os jovens, hoje, relativizam esse modelo e o alteram
por uma pertença mais existencial e afetiva.
Eles criam seus ambientes de encontro, inclusive
pelas redes sociais, e formam novas maneiras de se
relacionar comunitariamente. A pertença à Igreja
tende a se expressar pelas vias da comunhão dos
diversos grupos afetivos, integrantes de movimentos,
de pastorais ou de novas comunidades e congregações
religiosas.
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Maria, presença educativa 9

Maria de Nazaré é a jovem que recebe um papel fundamental
na História da Salvação, apresentando-se com fé,
obediência, coragem e liderança. Prometida em casamento a
José, aceita a proposta de Deus para ser a Mãe de seu
Filho (cf. Lc 1,26-38). O seu "Eis aqui a serva do
Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra" (Lc
1,38), transformou-lhe a vida e a história da humanidade.
Atravessa as montanhas de Judá para ajudar Isabel e
proclama o Magnificat, consciente da situação
política, cultural e religiosa de seu tempo, assumindo com
coragem sua missão.
Maria é "mãe, perfeita discípula e pedagoga da
evangelização" da juventude porque, ao assumir com
radicalidade sua missão, acolhe a todos como filhos e
mostra como servir a Deus. É exemplo de missionária, de
amiga e de sensibilidade social e pessoal, quando visita
sua prima Isabel. Nas bodas de Caná, aponta a "falta de
vinho", fala para todos que a alegria da festa, que é a
vida, é o encontro e o seguimento de Jesus Cristo,
verdadeiro caminho de realização para a humanidade. Aos
pés da Cruz, Maria torna-se Mãe do fiel Discípulo Amado,
simbolizando a maternidade da Igreja, que deve dar à luz
muitos filhos, à imagem de Jesus (cf. Jo 19,25-27).
Maria é, portanto, o principal modelo de seguimento de
Jesus Cristo. N'Ela, encontramos as características do
discipulado: a escuta amorosa e atenta, a adesão à vontade
do Pai, a atitude profética, a fidelidade a ponto de
acompanhar seu Filho até a cruz e continuar sua missão
evangelizadora.
Os jovens peregrinam continuamente aos santuários
marianos, mostrando-lhe carinho e afeto, reconhecendo-a
com seu próprio nome em meio às múltiplas invocações.
Identificam-se com Juan Diego, o primeiro santo indígena
americano, que com Ela se encontra e dialoga nas colinas
de Tepeyac, a Virgem de Guadalupe. Acolhem-na como Mãe que
os escuta com proximidade e os sustenta nos momentos de
dificuldades. Mãe dos pobres, anima e conforta a caminhada
de seu povo em busca de libertação. No Brasil, é
representada pela imagem negra de Aparecida, identificada
com os sofredores e com os excluídos, escravizados por um
sistema que não oferece a vida digna sonhada por Jesus. A
Virgem de Aparecida está presente no cotidiano de milhões
de brasileiros, adultos e jovens, como presença amorosa de
Mãe e Intercessora junto a Deus.
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Conclusão 10
A Igreja no Brasil, em sua história recente, tem o
testemunho de momentos fortes de abertura e serviço aos
jovens. Relembremos os diversos grupos especializados
nascidos na Ação Católica, nos anos 60, os movimentos de
encontros para jovens na década posterior, a pastoral
orgânica da juventude nos anos 80, seguida, nos anos 90 em
diante, por uma variedade de iniciativas pastorais, novas
comunidades e movimentos.
Para acompanhar esta gama tão diversa no universo dos
jovens, a CNBB criou a Comissão Episcopal para o serviço à
juventude. A Igreja no Brasil procura, na prática,
vivenciar sua opção preferencial pelos jovens, opção
assumida pelo Episcopado Latino-americano e do Caribe, na
Conferência de Puebla.
No entanto, a Igreja, para cumprir sua missão neste
período de mudança de época, percebe a necessidade de uma
autêntica conversão pastoral, o que se aplica
especialmente à evangelização dos jovens. Certamente, é
necessário um esforço dos que trabalham com os jovens
para: revisar os métodos, adaptar a linguagem, inserir nas
ambiências virtuais e midiáticas. É preciso também
dialogar com as pastorais, grupos de jovens, novas
comunidades, valorizando-as em suas propostas, suprir suas
necessidades e conceder-lhes espaço para a participação
ativa nas comunidades, pois suas experiências enriquecem a
Igreja, ao trazer novos desafios e novas perspectivas.
Esta Campanha da Fraternidade quer, também, convidar ao
debate sobre as dificuldades sociais que atingem
diretamente os jovens. As políticas sociais voltadas para
eles ainda não são eficazes para responder à desigualdade
que implica em condições distintas de vida, pois milhões
deles estão fora da escola, não têm acesso às novas
tecnologias ou o acesso lhes é limitado. Convivem desde
tenra idade com o subemprego, e ainda são os mais
atingidos pela violência que todo ano extermina uma
multidão de jovens. Esta situação que pesa sobre nossos
jovens, que compõem praticamente um quarto da população do
Brasil, talvez seja nosso grande problema social, e requer
esforços de todos o segmentos da sociedade para a
superação desta problemática.
É necessária atenção especial a eles segundo suas
necessidades, para que posam, com as potencialidade que os
enriquecem, responder na coragem da fé, diante dos
desafios, como o profeta Isaías: "Eis-me aqui.
Envia-me!" E, assim, sejam protagonistas no seguimento
de Jesus Cristo, na comunidade eclesial e na construção de
uma sociedade fraterna, fundamentada na cultura da vida,
da justiça e da paz, conforme diz nosso objetivo geral.
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Oração da Campanha da Fraternidade 2013
Pai santo, vosso Filho Jesus,
conduzido pelo Espírito
e
obediente à vossa vontade,
aceitou
a cruz como prova de amor à humanidade.
Convertei-nos e, nos desafios deste mundo,
tornai-nos missionários
a serviço da juventude.
Para anunciar o Evangelho como projeto de vida,
enviai-nos, Senhor;
para ser presença geradora de fraternidade,
enviai-nos, Senhor;
para ser profetas em tempo de mudança,
enviai-nos, Senhor;
para promover a sociedade da não violência,
enviai-nos, Senhor;
para salvar a quem perdeu a esperança,
enviai-nos, Senhor;
para...
Amém.
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Referências/textos
1
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Campanha da
Fraternidade 2013: Texto-Base. Brasília: Edições CNBB, 2012.
P.5.
2 Ibidem,
p.7.
3 Ibidem,
p.9.
4 Ibidem,
p.16.
5
Ibidem, p.18.
6 Ibidem,
p.20.
7 Ibidem,
p.25.
8 Ibidem,
p.27.
9
Ibidem, p.55.
10
Ibidem, p.133.

Mensagem do Papa Bento XVI

Via Sacra
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