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Campanha da Fraternidade Ecumênica 2010

Tema: "Economia e Vida"

Lema: "Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro"

(Mt 6,24c)

 

Introdução

De cinco em cinco anos o CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil) se une por uma campanha que promove o bem comum. Neste ano o tema escolhido foi "Economia e Vida", com o lema "Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro" (Mt 6,24)

 

Economia vem do grego e significa Administração da Casa. Tem o sentido de providenciar tudo que é necessário à sobrevivência do homem. Vida, na visão teológica, é tudo aquilo que foi criado por Deus.

 

O primeiro milagre dos apóstolos foi quando o mendigo paralítico, na entrada do Templo, pediu ouro e prata, e eles disseram que não tinham, mas tinham o amor de Deus, que fez o mendigo andar. O que era mais importante ao mendigo, o dinheiro ou andar? É isto o que Deus quer de nós. Nosso grande patrimônio é o amor ao próximo. Quanto mais dermos, mais ele rende. E aumenta o nosso patrimônio espiritual.

 

A Quaresma deve ser o tempo de mudança e conversão. Vamos aproveitar a Campanha da Fraternidade para agir.

 

Leitura para reflexão - Mt 6,24-34

 

Deus e o Dinheiro - Ninguém pode servir a dois senhores. Com efeito, ou odiará um e amará o outro, ou se apegará ao primeiro e desprezará o segundo. Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro.

 

Abandonar-se à Providência - Por isso vos digo: não vos preocupeis com a vossa vida quanto ao que haveis de comer, nem com o vosso corpo quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento e o corpo mais do que a roupa? Olhai as aves do céu: não semeiam, nem colhem, nem ajuntam em celeiros. E, no entanto, vosso Pai celeste as alimenta. Ora, não valeis vós mais do que elas? Quem dentre vós, com as suas preocupações, pode acrescentar um só côvado à duração da sua vida? E com a roupa, por que andais preocupados? Aprendei dos lírios do campo, como crescem, e não trabalham e nem fiam. E, no entanto, eu vos asseguro que nem Salomão, em toda sua glória, se vestiu como um deles. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que existe hoje e amanhã será lançada ao forno, não fará ele muito mais por vós, homens fracos na fé? Por isso, não andeis preocupados, dizendo: Quer iremos comer? Ou, que iremos beber? Ou, que iremos vestir? De fato, são os gentios que estão à procura de tudo isso: o vosso Pai celeste sabe que tendes necessidade de todas essas coisas. Buscai, em primeiro lugar, o  Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas. Não vos preocupeis, portanto, com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã se preocupará consigo mesmo. A cada dia basta o seu mal.

 

 

Constatação sobre a Vida

Viver a vida em plenitude de corpo e alma é estar em sintonia com as coisas de Deus. A vida em sintonia com as coisas dos homens faz nosso corpo e alma se perderem.

 

As pessoas mais ricas não são as que possuem mais coisas e sim as que precisam de menos. As maiores riquezas de nossa vida são o sorriso, a palavra afetiva, a bondade com atitudes, a alegria contagiante, a fé nos ensinamentos de Deus, o amor para com todos, a esperança de uma vida eterna e a paz diária em nosso coração.

 

A oferta pesa muito, quando o amor é pouco. Não pense no que vai dar, mas lembre do que você já recebeu. Toda a vida de Jesus foi um testemunho de simplicidade no uso dos bens materiais, da solidariedade com  os pobres, e da distribuição gratuita dos dons de Deus.

 

A vida nos foi dada por Deus como uma dádiva, que devemos estender a todos de uma forma incondicional. A dádiva só pode ser acolhida. Nunca seremos donos da vida. Por ela somente podemos ser agradecidos. A dádiva nos introduz num círculo onde tudo é graça e solidariedade. Bendito seja Deus pela vida, pela fraternidade, pela solidariedade, por este planeta Terra onde a vida brota em abundância!

 

A vida de cada um está ligada à vida de todos. Em correspondência aos direitos, existem os deveres e responsabilidades de cada pessoa para com a outra, para com nossa comunidade familiar e para com a sociedade como um todo. As políticas econômicas e as instituições devem ser julgadas pela maneira de elas protegerem ou minarem a vida e a dignidade da pessoa humana, sustentarem ou não as famílias e servirem ao bem comum de toda sociedade.

 

 

Constatações sobre a Economia

  • No Brasil existem mais de 11 milhões de indigentes, ou seja, famintos.

  • Também temos mais de 47 milhões de pessoas pobres, ou seja, sem acesso às necessidades básicas: alimentação, habitação, vestuário, higiene, saúde, educação, transporte, lazer, entre outras.

  • O Brasil está entre os cinco países do mundo com maior desigualdade social, ou seja, 10% da população (os ricos) detêm 50% da riqueza e os outros (os pobres) detêm 10% da riqueza do país.

  • O maior motivo para a violência na sociedade é a desigualdade social. "A crise silenciosa da fome cria um risco grave para a paz e segurança da nação".

  • Quase 60% da terra agricultável no Brasil está nas mãos de 300 proprietários rurais, enquanto quase 5 milhões de famílias estão à espera de terra para plantar.

  • O Brasil investe 12% do seu orçamento em saúde, educação, assistência social, habitação, segurança, saneamento básico e infra-estrutura, contra 30% para a dívida pública, ou seja, as vidas colocadas à disposição da economia.

  • Das 20 milhões de crianças com menos de 5 anos, 8 milhões não têm acesso aos sistemas de saúde.

  • Mais de 40% do PIB brasileiro são para impostos federais, estaduais e municipais, que deveriam cuidar basicamente da educação, saúde, segurança e infra-estrutura.

  • Os 10% dos mais pobres destinam 33% da sua pouca renda para o pagamento de impostos, enquanto que os 10% dos mais ricos pagam 23% de sua renda.

  • "É preciso aprender a admirar os pobres, aqueles que lutam com muito menos recursos e se tornam, em um sentido bem mais profundo, grandes pessoas".

  • Vivemos numa economia de mercado que coloca o aspecto financeiro acima de todos os demais e transformam tudo em mercadoria, que valoriza pessoas pelo seu padrão de consumo, que cria vícios de acúmulos do supérfluo como forma de alguém se sentir importante.

 

Objetivo geral da CF

Despertar em todas as pessoas de boa vontade a convicção de que devemos contribuir para o bem comum, ou seja, fazer com que haja justiça social, suspensão da miséria e da fome e que todos tenham dignidade humana.

 

 

Objetivos específicos

  • Sensibilizar a sociedade sobre a importância de valorizar todas as pessoas que a constituem.

  • Buscar a superação do consumismo, que faz com que o "ter" seja mais importante que o "ser".

  • Criar entre as pessoas laços de convivência mais próxima, em vista do conhecimento mútuo e da superação tanto do individualismo como das dificuldades pessoais.

  • Mostrar a relação entre fé e vida, a partir da prática da justiça, como dimensão constitutiva do anúncio do Evangelho.

  • Reconhecer as responsabilidades individuais diante dos problemas decorrentes da vida econômica, em vista da própria conversão.

 

Estratégia

Denunciar: a perversidade de todo modelo econômico que vise em primeiro lugar o lucro, sem se importar com a desigualdade, miséria, fome e morte.

 

Educar: para a prática de uma economia de solidariedade, de cuidado com a criação e valorização da vida como o bem mais precioso.

 

Conclamar: as igrejas, as religiões e toda a sociedade para ações sociais e políticas que levem à implantação de um modelo econômico de solidariedade e justiça para todas as pessoas.

 

 

 

 

 

Planos de ações

A sociedade é feita por indivíduos. Portanto, com ações práticas à Campanha da Fraternidade, devemos agir primeiro em nosso coração, convertendo o foco de nossas atitudes para atitudes de ajuda ao bem comum. Em seguida, devemos trabalhar isto em nossa família, em nossa comunidade e em nosso ambiente de trabalho.

 

O agir começa no pensar. Devemos alimentar diariamente nossa mente de pensamentos que nos levem a ter estas atitudes.

 

 

10 ações práticas para fazer na Quaresma

  1. Reflexão: O consumismo é fortemente induzido pela propaganda. Então vamos ler diariamente todas estas constatações sobre a vida e economia, e fazer destas nossa propaganda diária.

  2. Autocontrole: O problema não é o dinheiro em si, mas o uso que dele se faz. Portanto, vamos anotar diariamente o que consumimos e refletir se é necessário ou supérfluo. Nossa atitude diante do dinheiro mostra muito o tipo de pessoa que somos. Vemos assim que a acumulação, ou não repartir, tem profundas consequências espirituais.

  3. Partilhar: A solidariedade faz da humanidade uma família onde todos se protegem mutuamente. A partilha faz milagres. Se soubermos partilhar, certamente vai haver pão, casa, cura, saúde, educação e participação para muito mais gente. Portanto, vamos praticar nesta Quaresma a partilha. Vamos ver tudo o que temos em casa e podemos doar aos necessitados. Vamos ver de que modo podemos partilhar nossos dons dados por Deus, para ajudar na melhoria da vida dos que mais precisam.

  4. Gratidão: Vamos praticar a gratidão escrevendo e lendo diariamente tudo o que Deus nos deu desde o nosso próprio nascimento até as oportunidade de sofrimento para aproximação do seu Reino.

  5. Doação: O dízimo não é doação e sim comunhão. Vamos ver em nossa comunidade todas as obras que estão sendo feitas e comungar com seus objetivos, ajudando com o nosso tempo ou com os nossos recursos.

  6. Oração: As pessoas de fé oram a Deus e voltam seus pensamentos e suas ações para as condições dos pobres e desprotegidos, daqueles que são negligenciados ou maltratados pelos poderes dominantes na sociedade. Vamos rezar diariamente um terço em intercessão às pessoas que acumulam mais do que o necessário, para se tornarem solidárias aos pobres.

  7. Perdão: Deus com sua infinita misericórdia nos perdoa sempre e nos dá oportunidade de começar sempre uma nova vida sem pecados. Vamos fazer uma confissão consciente nesta Quaresma, anotando num papel tudo o que está incomodando a paz em nosso coração, deixando que a graça de Deus invada nosso corpo e traga paz divina em nossa vida.

  8. Atitudes: A pessoa, e não o lucro, tem que ser o fator decisivo no estabelecimento de leis e procedimentos de âmbito nacional. Isso estabelece também um critério para escolher candidatos nas eleições de presidente, governador, senador e deputados federais e estaduais. Vamos escolher bem nossos representantes.

  9. Responsabilidade: Tudo o que tem vida e vem da natureza foi Deus quem criou. Tudo o que não tem vida foi criado pelo homem às custas do planeta Terra. Vamos refletir sobre como, dentro de nossa casa, devemos ter uma responsabilidade ambiental.

  10. Servidão: O cristão é um servidor, não alguém que recorre a Deus em busca de favores. Vamos nesta Quaresma nos colocar a serviço de Deus e do próximo, para benefício do bem comum.

 

 

ORAÇÃO DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE

 

“Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro” Mt 6,24c

 

Ó Deus criador, do qual tudo nos vem, nós te louvamos pela beleza e perfeição de tudo que existe como dádiva gratuita para a vida.

 

Nesta Campanha da Fraternidade Ecumênica, acolhemos a graça da unidade e da convivência fraterna, aprendendo a ser fiéis ao Evangelho. Ilumina, ó Deus, nossas mentes para compreender que a boa nova que vem de ti é amor, compromisso e partilha entre todos nós, teus filhos e filhas.

 

Reconhecemos nossos pecados de omissão diante das injustiças que causam exclusão social e miséria. Pedimos por todas as pessoas que trabalham na promoção do bem comum e na condução de uma economia a serviço da vida.

 

Guiados pelo teu Espírito, queremos viver o serviço e a comunhão, promovendo uma economia fraterna e solidária, para que a nossa sociedade acolha a vinda do teu reino.

 

Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

 

 

 

HINO DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE

L.: João Rothe Machado

M.: Pe. José Weber, SVD

 

 

Jesus Cristo anunciava por primeiro

Um novo Reino de justiça e seus valores: (Mt 4,17)

   "Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro

   E muito menos agradar a dois senhores" (Mt 6,24)

   "Vós não podeis ...

 

 

1.

Voz de um profeta contra o ídolo e a cobiça:

"Endireitai hoje os caminhos do Senhor!" (Mt 3,3)

Produzi frutos de partilha e de justiça! (Lc 3,8.11)

Chegou o Reino: Convertei-vos ao amor! (Mt 3,2)

 

 

2.

Não é a riqueza nem o lucro sem medida

Que geram paz e laços de fraternidade; (Lc 16,29-31)

Mas todo o gesto de partilha em nossa vida (Mc 12,42-44)

Que faz a fé se transformar em caridade. (Gl 5,6)

 

 

3.

No Evangelho encontrareis a luz divina,

Não no supérfluo, na ganância e na ambição.

Ide e vivei a Boa-Nova que ilumina (Mt 7,21)

E a palavra da fraterna comunhão. (Mt 18,20)

 

 

 

 

 

Fonte:

CONIC - Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil

Texto base da Campanha da Fraternidade

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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