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Basílicas: Informações Úteis

Dr. Marcos Rodrigues
Chaves Obl. O.S.B.*
A
Casa da Igreja
ou Casa de Deus e da
Comunidade Cristã,
sempre se distinguiu por sinais destacados da mesma Santa
Igreja, esposa de Cristo, que no mundo é presente e peregrina.
"Tem sido
preocupação constante da Santa Madre Igreja promover o esplendor
e a beleza da Casa de Deus e, por essa razão, nunca deixou de
estabelecer normas para salvaguardar e incrementar - conforme as
condições de tempo, lugar e povo - a dignidade dos edifícios
sagrados. Além disso, a mesma fé e piedade dos cristãos
contribuiu muitas vezes para que se fizesse os mais belos e
dignos templos edificados no decorrer dos séculos.
Também os Sumos
Pontífices têm demonstrado particular munificência àquelas
igrejas que se distinguem das outras, como as que neste último
século obtiveram o título de Basílica Menor".
Embora as
igrejas do mundo, grandes ou pequenas, antigas ou novas, famosas
ou desconhecidas, sejam igualmente dignas de veneração e
respeito, pelo caráter sacro que lhes é conferido pela
Dedicação a Deus e ao seu culto, para o uso de uma
comunidade cristã, muitas delas se sobressaem por sua
monumentalidade, preciosidade artística, importância histórica e
função pastoral.
Entre as
Igrejas de uma Diocese, tem lugar principal e também maior
dignidade, a Igreja Catedral, na qual está colocada a cátedra,
símbolo do magistério e poder do Bispo, pastor da mesma Diocese
e sinal de comunhão com a Cátedra de Pedro, em Roma. Seguem-se
as Igrejas Paroquiais, que são as sedes das diversas comunidades
da Diocese.
Destas Igrejas
e de outras de denominações diversas, algumas possuem peculiar
importância quanto a vida litúrgica e pastoral, podendo ser
condecoradas pelo Soberano Pontífice com o título de BASÍLICA
MENOR, o que significa um vínculo particular com a Diocese
Romana e o Papa.
Muitas igrejas têm
reconhecimento público de suas características peculiares e, por
isso, são elevadas a uma particular dignidade ou condecoradas de
um especial título de reconhecimento, destacando-se as BASÍLICAS
MENORES, dispersas por todo o mundo, e que no seu título
exprimem uma referência especial às Basílicas Maiores, próprias
da cidade de Roma, sede do Vigário de Cristo.
Pela
Constituição Apostólica Pastor Bonus, de 28 de junho de 1988, o
Soberano Pontífice João Paulo II estabeleceu a nova normativa
para a Cúria Romana, sendo que no Número 69 definiu que a
Congregação do Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos é
competente a cerca da concessão do título de Basílica Menor.
Portanto a
Santa Sé pode elevar, a qualquer hora, à dignidade de Basílica
Menor qualquer igreja insigne, de qualquer grau, intra e
extra-urbem, concedendo-lhe o título e os privilégios
próprios das homônimas romanas.
Condições para se obter o título de Basílica Menor
As condições
atualmente exigidas para se obter o título de Basílica Menor são
aquelas resultantes da atualização feita pela Congregação do
Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos e publicadas em
janeiro de 1990
.
Aquele
Dicastério, atento aos recentes documentos litúrgicos, e
com a experiência adquirida nos anos passados, julgou oportuno
adaptar as preditas normas às circunstâncias atuais, como se
segue.
―
A igreja para a qual se postula o título de Basílica Menor
deve ser dedicada a Deus por ato litúrgico e sobressair-se na
Diocese como centro de atuação litúrgica e pastoral,
principalmente pela celebração as Santíssima Eucaristia, da
Penitência e dos outros Sacramentos, e que seja um exemplo para
as outras igrejas pela diligente preparação e execução dos
ritos, pela observação fiel das normas litúrgicas e também com a
ativa participação do Povo de Deus.
―
Para
que haja realmente possibilidade de executar celebrações dignas
e exemplares a igreja referida deve ter conveniente grandeza de
extensão e também presbitério suficientemente amplo. Os vários
elementos que são requeridos para a celebração litúrgica (altar,
ambões, sede do celebrante, sede dos ministros) sejam dispostos
segundo as exigências litúrgicas vigentes.
―
A igreja goze de celebridade em toda a Diocese, seja, por
exemplo, por ter sido edificada e dedicada a Deus por ocasião de
algum peculiar evento histórico religioso, ou por nela ser
conservado um corpo ou relíquia insigne de algum santo, ou por
ter a guarda de célebres imagens sagradas de peculiar veneração.
Sejam também considerados o valor da igreja como monumento
histórico e a sua decoração artística.
―
Que na
igreja, no transcorrer do Ano Litúrgico, as celebrações dos
diversos tempos possam ser realizadas de modo louvável. É
necessário haver número conveniente de presbíteros adscritos á
igreja, para cuidarem dos ofícios litúrgico-pastorais,
principalmente para a celebração da Eucaristia e da Penitência,
com adequado número de confessores, que estejam presentes em
horas estabelecidas para atenderem os fiéis. São requeridos
principalmente número suficiente de ministrantes e também
adequada Schola Cantorum que fomente a participação dos fiéis e
também o estudo da música e do canto sacro.
Documentos que devem ser exibidos
para a
concessão do título de Basílica
De acordo com
as normas atuais, a Congregação do Culto Divino e Disciplina dos
Sacramentos exige a apresentação dos documentos descritos a
seguir.
―
A petição do Ordinário do Local, também exigida para as igrejas
que estão sob a cura de uma comunidade religiosa.
―
O Nihil-obstat ou parecer favorável da Conferencia
Nacional do Bispos do país onde está a igreja postulante do
título.
―
Opúsculos ou relatórios sobre a origem , a história e a atuação
religiosa da igreja (atos de culto, ações pastorais, atividade
das confrarias e associações religiosas, e obras de caridade).
―
Um Álbum com imagens impressas ou fotografias, que ilustrem a
forma exterior e interior da igreja, particularmente como estão
dispostos o presbitério ( altar , ambão, sede do celebrante ) e
os demais locais e sedes a execução das celebrações ( as sedes
dos ministros e ministrantes, o batistério e a fonte batismal, o
local onde se conserva a Eucaristia -
Altar do Santíssimo Sacramento e
seu Tabernáculo - , o
local e as sedes -
Confessionários -
destinadas ao Sacramento da Penitência).
―
Informações sobre a igreja postulante, conforme o indicado no
Questionário para isto preparado e que deve ser preenchido e
remetido para aquele Dicastério.
Ofícios e deveres a que estão
sujeitas as Basílicas
―
Junto à
Basílica Menor seja promovida a instrução litúrgica dos fiéis
através da organização de reuniões sobre ação litúrgica, como
também cursos especiais de instrução, séries de conferências e
de outros modos a se empreender. Entre as obras da Basílica, lhe
é especialmente atribuído o dever do estudo e divulgação dos
documentos do Sumo Pontífice e da Santa Sé, principalmente
daqueles que se referem à Sagrada Liturgia.
―
Com grande diligência sejam preparadas e executadas as
celebrações do Ano Litúrgico, de modo especial nos Tempos do
Advento, Natal, Quaresma e Páscoa.
―
No Tempo da Quaresma, seja observada a forma de reunião da
Igreja Local, ao modo das estações romanas.
É muito recomendável que a própria Basílica seja escolhida para
celebrar este modo de estação.
―
A Palavra de Deus seja anunciada zelosamente, que nas homilias,
quer em pregações extraordinárias.
―
Seja promovida a ativa participação dos fiéis tanto na
celebração da Eucaristia, como na celebração da Liturgia das
Horas, sobretudo nas Laudes e Vésperas.
―
Sejam cultivadas e
preservadas dignamente as formas aprovadas de piedade popular.
―
A ação litúrgica toma forma mais nobre e solene quando executada
com canto. Cuide-se para que a assembléia dos fiéis se associe
ao canto das diversas partes da Missa, principalmente àquelas
indicadas no Ordinário
.
―
A Basílica que receba freqüentemente fiéis de diversas nações e
línguas, prepare para eles melodias fáceis do Símbolo da Fé
e da Oração Dominical para que façam uso.
―
Lembre-se sempre que o Canto Gregoriano é próprio da Liturgia
Romana,
logo, saibam também os fiéis cantar em língua latina
.
―
Para demonstrar o
vínculo de especial comunhão que deve unir a Basílica Menor à
Cátedra Romana de Pedro, sejam celebradas com particular
diligência:
-
A Festa da
Cátedra de São Pedro - 22 de fevereiro.
-
A Solenidade
dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo - Dia do Papa - 29 de junho
ou o Domingo transferido.
-
Os
Aniversários da eleição e da entronização do Soberano
Pontífice.
Concessões anexas ao título de Basílica
O dia em que
se é anunciada publicamente a concessão do título de Basílica,
pela Sé Apostólica, a alguma igreja, seja preparado e
festivamente celebrado com adequada pregação, orações e
Vigílias; e outras celebrações, quer antes, quer após a
proclamação do título.
Nestes dias, pode-se
celebrar a Missa e a Liturgia das Horas do título da igreja ou
dos santos cujas imagens sagradas sejam especialmente cultuadas
na igreja, ou pela Igreja Local, ou pelo Papa,
contanto que não ocorram dias litúrgicos inscritos nos números
I, 1-4; II, 5-6 da Tabela dos Dias Litúrgicos segundo sua
ordem de precedência
.
No dia em que
é feita a proclamação do título [dia da instalação] seja
celebrada a Missa daquele dia ou uma das Missas acima indicadas,
conforme as normas das rubricas. No início da celebração, antes
do Glória, seja feito a leitura do Breve Apostólico
ou do Decreto de Concessão pelo qual a igreja foi elevada
a Basílica, com texto transcrito em língua vernácula.
Os fiéis que
piamente visitarem a Basílica e nela participarem de algum rito
sagrado ou, pelo menos, recitarem a Oração Dominical (Pai Nosso)
e o Símbolo da Fé (Creio), sob as condições do costume
(Confissão Sacramental, Comunhão Eucarística e Oração por
intenção do Soberano Pontífice), alcançam validamente a
indulgência plenária nos dias previamente estabelecidos:
-
por direito
pontifício, todos os dias dos Anos Jubilares, independente dos
outros santuários de indicação diocesana;
-
no dia do
Aniversário da Dedicação da mesma Basílica;
-
no dia Litúrgico
da Solenidade do Titular;
-
na
Solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo;
-
no dia da
concessão e do aniversário do título de Basílica;
-
uma vez no
ano, em dia determinado pelo Ordinário Local (geralmente dia
22/02).
As insígnias
da Santa Sé (a Tiara sobre as chaves cruzadas) podem ser usadas
nas bandeiras, estandartes, alfaias, móveis, brasão e selo da
Basílica. Alguns brasões trazem por timbre a Umbela.
Ao Reitor da
Basílica ou àquele que a governa, é facultado, pelo exercício de
seu poder, usar a mozeta de seda negra com debruns, casas e
botões carmesim, sobre a veste talar ou hábito religioso com a
sobrepeliz.
Privilégios e insígnias das
Basílicas
Os privilégios e
insígnias anexos ao título de Basílica Menor foram fixados pela
primeira vez, de modo explícito e completo, pela Sagrada
Congregação dos Ritos, através do Decreto de 27 de agosto de
1836, em resposta a uma dúvida apresentada pela Catedral de
Lucera (Foggia-Itália).
Nos séculos XVII
e XVIII, estes privilégios e as insígnias eram próprios das
Insignes Colegiadas Romanas, por serem decoradas ao modo das
Basílicas Patriarcais (ad instar patriarchalium).
Os privilégios
das Basílicas têm origem em costumes imemoráveis. São eles:
―
Uso da capa Magna e Roquete para os Cônegos da Basílica (na
basílicas colegiais), que precedem o de qualquer outra igreja,
exceto os Cônegos dos Cabidos das Basílicas Maiores e da
Catedral da Diocese local.
―
Uso do Pavilhão Amarelo e Vermelho ( as cores de Roma : ouro e
púrpura), em forma de Umbela semifechada com bandas de seda
vermelha e amarela intercaladas e com barras pendentes das
mesmas cores, mas em ordem inversa. Este pavilhão é também
chamado grande Umbela (Ombrellone), Sinóico ou Sineco (do
italiano Sinnichio e do grego
sunoixia:
coabitação, tenda),
Gonfalão (do alemão antigo: Gundfano: bandeira de luta); e
ainda Papílio, por sua forma lembrar uma borboleta), e também
Conopeu ( do grego: xonopeion:
mosquiteiro). Trata-se de uma grande umbela semifechada,
derivação e transformação da tenda militar antiga de forma
cônica e particularmente daquela que servia de pavilhão ao
Imperador em campo de batalha. De insígnia imperial passou, mais
tarde, para as prerrogativas honoríficas da Igreja, e, como tal,
já é vista em uso já no século XIII. Um afresco no oratório de
São Silvestre, na Igreja dos Quatro Santos Coroados, em Roma,
mostra um quadro que tem sobre a pessoa do Papa, como sinal de
honra, uma umbela basilical. O significado imperial e papal
desta insígnia se compreende melhor se lembrarmos que a
Arquibasílica de São João Latrão, tem o título de Imperial e
Papal ( dogmate papali ac simul imperiali), tendo também
a dignidade de ser “Mãe e Mestra de todas as igrejas de Roma e
do Mundo ”, por ser catedral do Papa, Bispo de Roma. Esta umbela
é tecida de amarelo e púrpura por serem estas as cores de Roma e
da Igreja até Pio VII, sendo assim insígnia característica da
Arquibasílica de Latrão. Da Basílica Mãe, passou pois às outras
basílicas, como sinal de honra e preeminência, recordando a
antiga grandeza de Roma e da Igreja. Tendo a Igreja mudado suas
cores para branco e amarelo, pelo fato de Napoleão ter usado as
mesmas cores, manteve ela as cores originais das umbela
basilicais. Nos cortejos a umbela sai à frente do Tintinábulo e
este à frente da Cruz Processional.
―
Uso do Tintinábulo (do latim Tintinnabulum: Matraca de
Metal, chocalho; dos verbos Tinnire e Tinnitare:
soar, e estes, talvez, vindos do verbo grego
tinaxein:
sacudir, comover por pequenos golpes) que é um campanário
portátil sustentando um pequeno sino, estando ornado com um
ícone do padroeiro e titular da Basílica e tendo, como timbre,
as insígnia da Santa Sé (a Tiara sobre as chaves cruzadas) ou
brasão do Papa que concedeu o título. Este campanário
processional tem a função de chamar a atenção dos fiéis para a
passagem dos cortejos das basílicas. Os antigos romanos já
tinham o costume do uso de tintinábulos, conforme citações dos
poetas Juvenal e Plauto, do epigramatista Marcial (Ep.XIV,
163) e do naturalista
Plínio.
*
Este trabalho se baseou em BIANCHI, Sergio - Atualização das
Normas acerca da Concessão do Título de Basílica Menor -
in Noticiæ (Congregatio
de Cultu Divino et Disciplina Sacramentorum - Vol. XXVI - 282
- janeiro de 1990 - Nº 1- pag. 17,18 e 19) - Roma -1990
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