1) O que
é o Ano Sacerdotal decretado pelo papa Bento XVI? Qual o objetivo?
O Ano
Sacerdotal é um período que vai do dia 19/06/2009 a 19/06/2010. O
papa Bento XVI quis, assim, comemorar os 150 anos da morte do
padroeiro dos párocos, São João Batista Maria Vianney, conhecido
como Cura D’Ars, que viveu na França entre 1786 e 1859. Foi pároco
exemplar destacando-se por seu zelo pastoral e santidade de vida. O
objetivo do Ano Sacerdotal, em relação aos padres é fomentar o
empenho de renovação interior de todos os sacerdotes, para um
testemunho evangélico vigoroso. Em relação aos demais fiéis, é
provocar reflexão sobre o papel e a importância da missão do
sacerdote na Igreja e no mundo contemporâneo.
2) Qual a importância do sacerdote na Igreja e na Sociedade?
A
importância do sacerdote na Igreja é considerável. É uma função
eclesial relacionada à paternidade, por isso a palavra padre=pai,
para designar o sacerdote. É homem da Palavra e da Oração, da
Eucaristia: homem de Deus. Na Igreja o sacerdote, colaborador do
Bispo, exerce a função do pastor, aquele que cuida, nutre e serve, a
exemplo de Jesus Cristo que “amou a Igreja e se entregou por ela” (Ef
5, 25). Na nossa sociedade o padre tem, por vários fatores,
inclusive históricos, um papel relevante. Aqui mesmo em Campinas
quantas iniciativas construtivas para a vida do povo não foram
tomadas e levadas avante por sacerdotes? Basta pensar na Santa Casa
fundada pelo Pe. Vieira, a PUC por Mons. Salim e Dom Barreto. Nossa
cidade tem inúmeros logradouros e estabelecimentos públicos que
sinalizam com nome de sacerdotes a importância que tiveram na
sociedade.
3) Como os fiéis devem se posicionar?
Acolhendo os sacerdotes e procurando aceitá-los na fé, apesar dos
seus limites, pois não são super-homens. O sacerdote é de uma
grandiosidade ímpar: “É expressão do amor do coração de Jesus”, no
dizer do Cura D’Ars. Mas é humano! Por isso a postura dos fiéis deve
ser de colaborar com os padres. Mesmo quando esta colaboração deva
ser na forma de correção fraterna. Alguns padres têm falhas que
chamam atenção, geram desaprovação, mas são exceções. Uma árvore ou
outra que tomba na floresta faz muito barulho, mas a maioria
absoluta das outras árvores, continuam em silêncio, crescendo e
purificando o ar com seu trabalho. É o que acontece com os
sacerdotes.
4) Escolher um padre para rezar pela sua santificação?
É uma
pratica salutar, muitos fiéis já a adotam. O sacerdote reza pela
comunidade e para a comunidade e a comunidade deve rezar por seus
sacerdotes. O pároco é a vocação sacerdotal confiada à comunidade
para que ela a cultive e alimente sempre, com suas preces, acolhida
e seu amor. Devemos rezar, sobretudo, para que os padres permaneçam
fiéis à própria vocação até o fim, com paciência e coragem, não
buscando tanto resultados, mas sendo testemunhas do amor
misericordioso de Deus.
5) Como se dá o chamado de Deus para o jovem ser sacerdote?
Está aí
um mistério. Lendo os relatos bíblicos das vocações dos profetas e
outros escolhidos por Deus, percebemos que a escolha é de Deus, Ele
é quem toma a iniciativa. Jesus deixa claro, “fui eu que vos
escolhi” (Jo 15,16). Por que Ele escolhe um e não outro? São
segredos que pertencem à misericórdia de Deus. Agora, ao chamado
corresponde a resposta, e aí entra a generosidade de cada um. Aquele
que responder sim deverá assumir seu sim com alegria, fidelidade,
paciência. A resposta positiva de um jovem ao chamado de Deus também
é um mistério que pertence à ação da graça. Graça que anima o jovem
a assumir a vida apostólica pública, na qual ele ao mesmo tempo que
é tirado do meio dos outros, pela escolha de Deus, é “atirado” no
meio dos irmãos para amar e servir como pastor até o fim de sua
vida.
6) Sente-se feliz como sacerdote?
Sim,
penso que Deus confirmou minha vocação (já são trinta anos de
sacerdócio), fazendo-me cada dia mais feliz e sereno no cumprimento
de minhas obrigações como sacerdote. Sinto que não me enganei, sei
em quem acreditei. Apesar de minhas limitações, cada dia renovo meu
sim ao chamado e recomeço com os olhos postos em Deus e no seu povo
a quem devo servir. Tudo que a Igreja me solicitou e solicita,
procuro realizar da melhor maneira possível, entendendo que ser
padre é um ministério eclesial. Peço a cada dia as luzes do Espírito
Santo para poder discernir sempre qual a vontade de Deus para mim e,
assim, poder realizar-me sempre mais em minha vocação ao cumpri-la.
Tudo que fiz e faço como padre não o faço em meu nome, procuro fazer
em nome de Jesus, porque Ele pede e manda.